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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Palácio e Quinta do Correio-Mor

Arquitectura Civil / Palácio

Designação
Designação Atual
Palácio e Quinta do Correio-Mor
Outras Designações
Palácio do Correio-Mor (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Jardins da Quinta do Correio-Mor (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Palácio
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A importância do Correio-Mor e os avultados lucros que advinham desta actividade, desenvolvida durante cerca de 200 anos pela família Gomes da Mata, encontram-se bem expressos no seu Palácio, edificado em Loures no decorrer do século XVIII. A imponência, dimensões e impacto causados por esta construção equivalem, de alguma forma, aos castelos dos responsáveis pelos correios noutros países europeus, como é o caso dos Taxis, que implementaram uma rede de comunicação em todo o império Habsburgo (FERREIRA, 1946; STOOP, p. 32).
O edifício em U, com capela e torre sineira do lado esquerdo (cuja decoração supera, em muito, a relativa austeridade exterior), resulta de várias campanhas de obras, remontando a principal à segunda metade do século XVIII.
Há notícia de casas neste local desde, pelo menos, o século XVI e, no final desta centúria, os Gomes de Elvas alugaram a Quinta da Mata ao mosteiro de Odivelas. De origem judaica, esta família foi nobilitada, em 1606, por Filipe III, na pessoa de Luís Gomes de Elvas Coronel, como recompensa pelos serviços prestados, alterando então o apelido cristão-novo, para Gomes da Mata (TAMAGNINI, 1977, p. 116). Simultaneamente, foi-lhe conferido o cargo de Correio-Mor, o que consolidou a sua importância, até aí apenas de âmbito comercial ou financeiro. Nesta época, as habitações da Quinta, que correspondem à ala Sul do edifício actual, deveriam ser bastante simples, assim se mantendo até ao início de Setecentos (STOOP, p. 34).
As grandes intervenções iniciaram-se, ao que tudo indica, pela capela, cuja torre ostenta a data de 1744. Em todo o caso, estaria terminada, com certeza, dez anos mais tarde, pois foi sagrada pelo Patriarca D. Tomás de Almeida (proprietário do palácio de Santo Antão do Tojal), que faleceu em 1754 (IDEM, p. 155). Posteriormente, foi objecto de novas intervenções, contemporâneas da campanha de obras do Palácio. Estas, terão ocorrido na segunda metade do século XVIII, já depois do Terramoto. José António da Mata de Sousa Coutinho foi o seu impulsionador e, muito embora seja difícil perceber a evolução dos trabalhos, parece certo que a conclusão das diversas intervenções ocorreu, para os jardins e quinta, entre 1765 e 1766 e, para o palácio, em 1766, ainda que, neste último caso, a decoração dos interiores se tenha arrastado até 1790.
A planta em U permite um desenvolvimento mais cenográfico dos volumes (ao gosto barroco), caracterizando parte da arquitectura civil de Setecentos. Dividido em três pisos, o palácio exibe uma série de vãos, cujo ritmo continuo e simétrico, converge, na zona central, de maior imponência. Mais elevada, abre-se, no piso térreo, em dois arcos para deixar passar as carruagens. No interior, para além da fonte cujo anjo tem vindo a ser atribuído a Laprade, ganha especial interesse o vasto conjunto de painéis de azulejo, com representações ornamentais, alegorias às Estações do Ano, cenas de caça, ou cenas marítimas. Destacamos, contudo, a cozinha, pela curiosa iconografia relacionada com a culinária, com pelas de caça pintadas em painéis recortados. Já na capela, os temas profanos conjugam-se com os religiosos e, na entrada, duas figuras de convite recebem os crentes com um anão, ao que parece, um retrato do anão que aqui vivia. Uma referência também para os tectos em estuque, de gosto rocaille. Na Sala da Caça, as pinturas evocativas das Metamorfoses de Ovídio são atribuíveis a José da Costa Negreiros.
Com a passagem do Correio para a Coroa, a família Gomes da Mata foi recompensada a outros níveis, tornando-se condes de Penafiel. Desabitado durante algum tempo, o palácio conheceu grande degradação, tendo acolhido uma espécie de hospital aquando das guerras liberais. Com o regresso do então proprietário, que havia sido o último correio-mor, foram efectuadas algumas obras, mas a geração seguinte acabou por ser obrigada a vender a Quinta devido a problemas financeiros. Pertence à sociedade da Casa Agrícola da Quinta da Mata, desde 1966.
(RC)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 181504
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Loures / Loures
EN 8 (entre Loures e Pinheiro de Loures)
- -
Polícia:
LATITUDE
38.827568
LONGITUDE
-9.184867
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1606
1606, por Filipe III, na pessoa de Luís Gomes de Elvas Coronel, como recompensa pelos serviços prestados, alterando e...
1744
1744.
1754
1754 (IDEM, p.
1765
1765 e 1766 e, para o palácio, em 1766, ainda que, neste último caso, a decoração dos interiores se tenha arrastado a...
1766
1766 e, para o palácio, em 1766, ainda que, neste último caso, a decoração dos interiores se tenha arrastado até 1790...
1790
1790.A planta em U permite um desenvolvimento mais cenográfico dos volumes (ao gosto barroco), caracterizando parte d...
1946
1946; STOOP, p.
1966
1966.(RC)
1967
1967 (ver Decreto) A importância do Correio-Mor e os avultados lucros que advinham desta actividade, desenvolvida dur...
1977
1977, p.
17
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem) SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1900 Porto
Quintas e palácios nos arredores de Lisboa STOOP, Anne de Edição 1986 Lisboa
Azulejaria em Portugal no século XVIII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1979 Lisboa
Solares Portugueses AZEVEDO, Carlos de Edição 1988 Lisboa
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira) AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1963 Lisboa
Dom João V e a arte do seu tempo CARVALHO, Aires de Edição 1962
Collecção de memórias relativas às vidas dos pintores, e escultores, architetos, e gravadores portuguezes, e dos estrangeiros, que estiverão em Portugal ... MACHADO, Cirilo Volkmar Edição 1922
"O Palácio do Correio-Mor em Loures",Belas Artes, Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas-Artes, n.º 31 (2ª série), pp. 101-122 TAMAGNINI, Matilde Figueiredo Edição 1977 Lisboa
A Mala-Posta em Portugal FERREIRA, Godofredo Edição 1946 Lisboa
Cozinhas. Espaço e Arquitectura PEREIRA, Ana Marques Edição 2006 Lisboa
Dos correios-mores do Reino aos Administradores-Gerais dos Correios e Telégrafos Obra

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