Nota Histórico-Artistica
De planta rectangular, a Casa de Almendra inscreve-se no modelo da denominada casa comprida, que caracterizou a arquitectura civil do nosso país no século XVIII, e que se pauta por um desenvolvimento em comprimento, materializado numa longa fachada, apenas dinamizada pelos elementos decorativos, que lhe emprestam uma imagem cenográfica própria do barroco.
De acordo com os dados disponíveis, a obra de edificação da casa teve início em data próxima de 1743, mas foi interrompida em 1758, não chegando nunca a ser concluída. As vissicitudes que envolveram a história do solar conheceram novos desenvolvimentos com a instalação das tropas napoleónicas, responsáveis pelo incêndio que em 1810 destruiu boa parte do imóvel, que só viria a ser reconstruída a partir de 1895.
Edificada em blocos de granito, sem reboco, a casa desenvolve-se em dois pisos, cujas fachadas são abertas por vãos regulares e simétricos. Estes, caracterizam-se pelos aventais e lintéis decorados com enrolamentos e concheados rococó (a par do característico motivo dos brincos, muito generalizados no Norte do país cf. AZEVEDO, 1969, p. 84), repetindo o mesmo modelo, que apenas se diferencia entre o piso térreo e o andar nobre, este último mais complexo.
Nos cunhais, os pilares assentes sobre embasamento, terminam em capitel compósito, suportando a cornija que percorre todo o edifício.
É, no entanto, na fachada principal, que se concentra a mais importante decoração, pelo dinamismo e movimento que a composição imprime ao edifício. O ritmo dos vãos converge, ao centro, na secção definida por pilastras, e rematada pelo telhado de linhas onduladas, em cujo tímpano se inscreve o brasão, que não apresenta qualquer elemento heráldico. O portal, flanqueado por duas colunas, é encimado pela varanda de planta contracurvada, com balaustrada que antecede a porta de moldura profusamente trabalhada.
A Casa de Almendra pode ser integrada num pequeno conjunto de solares setecentistas, de grande imponência, edificados nas margens do Douro, e onde se sente a influência, e a estreita ligação ao trabalho tradobarroco de Nicolau Nasoni, e da sua encenação da cidade através da obra das fachadas.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Largo da Amoreira