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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

A chamada «Catedral» e a velha ponte a este, sobre o Ponsul

Arqueologia / Mesquita

Designação
Designação Atual
A chamada «Catedral» e a velha ponte a este, sobre o Ponsul
Outras Designações
Ponte sobre o Rio Ponsul (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Catedral de Idanha-a-Velha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Mesquita
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Meio século depois do início das escavações arqueológicas neste edifício, e na sua área envolvente, não existem ainda suficientes dados que confirmem absolutamente a cronologia e a funcionalidade deste conjunto arquitectónico. A uma primeira fase de catalogação visigotista, relacionada com a ocupação diocesana da cidade de Egitânia, sucederam-se novas pistas de análise e de interpretação, cujos argumentos não foram igualmente aceites por toda a comunidade científica.
Na sequência da queda do Império Romano do Ocidente, os novos poderes peninsulares redefiniram os seus centros administrativos, militares e religiosos. Aparentemente vinculada ao reino suevo, data dos meados do século VI a primeira referência a um bispo egitanense. Partindo dos dados documentais do período dito bárbaro, Fernando de Almeida, o primeiro arqueólogo da Egitânia, desenvolveu as suas teses acerca deste edifício à luz de um ideal estilístico visigótico.
O amplo interior de três naves (a que faltava apenas a cabeceira), a proximidade para com materiais provenientes de basílicas visigóticas (designadamente San Juan de Baños) e a documentação acerca da actividade diocesana egitanense dos séculos VI e VII, levaram este investigador a catalogar o edifício como visigótico, sugestão reforçada, em 1962, com a descoberta do primeiro baptistério.
Em vão Fernando de Almeida tentou identificar a cabeceira. Do lado Sul, o baptistério impedia a existência dessa monumental estrutura e, a Norte, a área de escavação não foi alargada. Tal facto, contudo, não impediu que a interpretação de que se estava perante a antiga Catedral dos Bispos visigóticos da Egitânia, fosse assumida pelo seu autor e constantemente repetida nas décadas seguintes. O primeiro restauro a que o edifício foi sujeito, na década de 50, revela bem essa sujeição a um estilo entendido como visigótico (FERNANDES, 2000).
Foi preciso esperar pelo ano de 1992 para que uma nova teoria fizesse algum eco na historiografia nacional. Nesse ano, Cláudio Torres propôs que o monumental edifício era uma mesquita, construída provavelmente no consulado de Ibn Marwan, um dissidente islâmico que, nos finais do século IX, comandou algumas revoltas contra o emirato de Córdova. Por um lado, a inexistência de uma cabeceira levava a que a orientação espacial do interior pudesse ser outra, diferente da que caracteriza os templos cristãos. Por outro, as analogias estilísticas que o autor encontrou reforçavam uma datação tardia, já pelo século X, dado o mesmo "ar de família" que se sentia em Idanha e em São Pedro de Lourosa.
Esta nova visão significou um enorme passo adiante nas linhas com que se vinha caracterizando a Alta Idade Média em Portugal. No entanto, foram várias as resistências, próprias de uma argumentação que deixava, ainda, grandes questões por responder. A sensação de proximidade estilística para com monumentos asturianos-leoneses, como é o caso de Lourosa, a par de outros dados documentais, levou à manutenção de uma prevalência cristã (REAL, 2000). E a pretensa acção de Ibn Marwan em Idanha-a-Velha não está, ainda, confirmada (FERNANDES, 2001).
Em recentes escavações, José Cristóvão identificou um segundo baptistério (que não tem aparentes relações com o primeiro, nem com o actual edifício), bem como numerosas outras estruturas, que fazem com que o monumento que hoje subsiste possa ser apenas uma parte de um conjunto bem maior (CRISTÓVÃO, 2002). Estes novos dados reforçam a prudência com que alguns autores tem vindo a encarar o edifício nos últimos anos, a ponto de se deixar a pergunta em aberto: se se trata de uma igreja, tem claros elementos de índole islâmica; se, pelo contrário, é uma mesquita, por que foi construída à maneira cristã?
Sujeita a um processo de restauro, segundo projecto de Alexandre Alves Costa, a Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha permanece como um dos mais enigmáticos monumentos da nossa Alta Idade Média e um dos que mais se deve investigar.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 40 684, DG, I Série, n.º 146, de 13-07-1956 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Castelo Branco / Idanha-a-Nova / Monsanto e Idanha-a-Velha
Rua da Sé
Idanha-a-Velha -
Polícia:
LATITUDE
39.996304
LONGITUDE
-7.144616
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1956
1956 (ver Decreto) Meio século depois do início das escavações arqueológicas neste edifício, e na sua área envolvente...
1962
1962, com a descoberta do primeiro baptistério.Em vão Fernando de Almeida tentou identificar a cabeceira. D
1992
1992 para que uma nova teoria fizesse algum eco na historiografia nacional.
2000
2000).Foi preciso esperar pelo ano de 1992 para que uma nova teoria fizesse algum eco na historiografia nacional.
2001
2001).Em recentes escavações, José Cristóvão identificou um segundo baptistério (que não tem aparentes relações com o...
2002
2002).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Idanha-a-Velha. Memórias em imagens CORTE-REAL, Artur Manuel de Castro Edição 2000 Idanha-a-Nova
"Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no ocidente peninsular", IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica (Lisboa, 1992), 1995, pp.17-68 REAL, Manuel Luís Edição 1995
"Portugal: cultura visigoda e cultura moçárabe", Visigodos y Omeyas. Un debate entre la Antiguedad Tardia y la Alta Edad Media, pp.21-75 REAL, Manuel Luís Edição 2000 Madrid
O legado islâmico em Portugal TORRES, Cláudio, MACIAS, Santiago Edição 1998 Lisboa
"Arte visigótica em Portugal", O Arqueólogo Português ALMEIDA, Fernando de Edição 1962 Lisboa
"Arte visigótica", História da Arte em Portugal, vol. I, 1986, pp.149-169 HAUSCHILD, Theodor Edição 1986 Lisboa
A igreja pré-românica de São Pedro de Lourosa, Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Restauro FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2002 Lisboa
A Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2001 Lisboa
A aldeia histórica de Idanha-a-Velha. Guia para uma visita CRISTÓVÃO, José Edição 2001 Idanha-a-Nova
"A Sé Catedral da Idanha", Arqueologia Medieval, nº1, pp.169-178 Edição

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Conjunto arquitectónico e arqueológico de Idanha-a-Velha
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