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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Torre de Moncorvo

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Torre de Moncorvo
Outras Designações
Castelo de Torre de Moncorvo / Castelo e cerca urbana de Torre de Moncorvo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Torre de Moncorvo nasceu por vontade de D. Dinis, no âmbito da criação das chamadas "vilas novas", processo iniciado por seu pai, D. Afonso III, promoveu a edificação de um pólo populacional proto-urbano nesta parcela do território transmontano. Com esta medida, datada de 1285, Moncorvo herdava o termo anteriormente vinculado a Santa Cruz da Vilariça, antiga cabeça de Terra da região, e instituía-se como principal sede administrativa e militar da zona.
O seu castelo começou a edificar-se logo após a atracção dos primeiros moradores ou em data muito próxima. Em 1295, dez anos depois do documento de criação, o próprio rei faz referência ao castelo, pressupondo-se, assim, que as obras já estariam em curso (ABREU, 2000, p.73). Apesar das múltiplas fases de destruição por que a fortaleza passou, é ainda possível reconstituir o seu aspecto geral original. Assim, a cerca definia um povoado de perfil oval, tão característico das vilas muralhadas góticas, que integrava quer a povoação, quer o castelo. Três portas permitiam o acesso ao interior da cerca, de que se destaca a inexistência de qualquer abertura no final da Rua Direita, que terminava num grande torreão quadrangular. De acordo com Carlos d'Abreu, não é impossível que aí existisse uma passagem original, mas "os documentos conhecidos não a referem e a muralha é hoje inexistente nessa zona" (IDEM, p.74). As principais portas situavam-se a Norte e a Nascente (São Bartolomeu e Nossa Senhora dos Remédios, ou da Vila) e eram flanqueadas por duas torres circulares. Uma terceira, localizada do lado Sul, estava anexa ao castelo, sendo defendida directamente por este e dando serventia ao principal reduto defensivo da vila.
O castelo propriamente dito era de planta quadrangular algo irregular, e integralmente construído em granito, por oposição ao xisto da muralha, o que denota uma maior preocupação pela qualidade e durabilidade da construção. Localizava-se no topo poente da povoação e as suas muralhas interiores estavam livres de quaisquer edificações, o que lhe assegurava total independência em caso de invasão da povoação. A reconstituição de António Júlio ANDRADE, 1990, p.250, baseada num antigo desenho da estrutura, realizado em 1815, assegura que a fortaleza tinha duas torres, uma voltada ao interior e a outra ao exterior, enquanto que uma porta de arco abatido, voltada a nascente, permita o acesso ao recinto. Desconhecemos, todavia, se esta configuração seria a original, ou se, em alternativa, correspoderia já a uma posterior campanha de obras, das muitas por que passou a vila de Torre de Moncorvo ao longo dos séculos.
Com efeito, foram várias as fases de reconfiguração e destruição da fortaleza medieval. De 1337 é um contrato entre a Câmara e dois pedreiros para a construção de uma barbacã, dispositivo frequente na Baixa Idade Média que pretendia dotar as fortificações (ou parte delas) de uma segunda linha de muralhas, mais baixa, mas de inegável valia. Em 1376, decidiu-se edificar oito torreões quadrangulares, empresa que conferiu à estrutura as doze torres que constam da reconstituição de Andrade. Mas estas terão sido as últimas obras de engrandecimento da fortaleza. Em 1530, já se refere que a sua cerca está "derribada" e, apesar de se terem realizado algumas obras nos finais do século XVI (ABREU, 2000, p.75), a verdade é que nos séculos seguintes pouco ou nada se fez para reverter a lenta decadência da estrutura.
Em 1721 noticia-se o derrube de algumas portas e partes da cerca e o século XIX foi desastroso para a sua história. Em 1842, a Câmara Municipal já o considerava irrecuperável e, porque se localizava entre a vila velha e a nova, cujo acesso só era possível por uma estreita e íngreme artéria, o município projectou a sua demolição (IDEM, p.76). Toda a zona foi, então, rebaixada e construídos novos edifícios públicos, demonstrando-se, desta forma, a modernidade do projecto camarário, que englobava ainda a constituição de um quartel, nunca efectivada.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)
Número do Processo
Largo dos Paços do Concelho
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9823124
Localização
Bragança / Torre de Moncorvo / Torre de Moncorvo
Largo dos Paços do Concelho
Torre de Moncorvo -
Polícia:
LATITUDE
41.174965
LONGITUDE
-7.052623
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1285
1285, Moncorvo herdava o termo anteriormente vinculado a Santa Cruz da Vilariça, antiga cabeça de Terra da região, e ...
1295
1295, dez anos depois do documento de criação, o próprio rei faz referência ao castelo, pressupondo-se, assim, que as...
1337
1337 é um contrato entre a Câmara e dois pedreiros para a construção de uma barbacã, dispositivo frequente na Baixa I...
1376
1376, decidiu-se edificar oito torreões quadrangulares, empresa que conferiu à estrutura as doze torres que constam d...
1530
1530, já se refere que a sua cerca está "derribada" e, apesar de se terem realizado algumas obras nos finais do sécul...
1721
1721 noticia-se o derrube de algumas portas e partes da cerca e o século XIX foi desastroso para a sua história. E
1815
1815, assegura que a fortaleza tinha duas torres, uma voltada ao interior e a outra ao exterior, enquanto que uma por...
1842
1842, a Câmara Municipal já o considerava irrecuperável e, porque se localizava entre a vila velha e a nova, cujo ace...
1955
1955 (ver Decreto) Torre de Moncorvo nasceu por vontade de D.
1990
1990, p.250, baseada num antigo desenho da estrutura, realizado em 1815, assegura que a fortaleza tinha duas torres, ...
2000
2000, p.73).
3
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed. ALVES, Francisco Manuel Edição 2000 Bragança
"Moncorvo. Subsídios para a sua história ou notas extrahidas de documentos inéditos, respeitantes a esta importante villa transmontana ", Illustração Transmontana ALVES, Francisco Manuel Edição 1908 Porto
Castelos da Raia Vol. II:Trás-os-Montes GOMES, Rita Costa Edição 2003 Lisboa
Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes VERDELHO, Pedro Edição 2000 Chaves
"A vila da Torre de Moncorvo no reinado de D. João I", Estudos Medievais, nº2 MORENO, Humberto Baquero Edição 1982 Braga
Resenha histórica de Torre de Moncorvo REBELO, Joaquim Edição 1988 Torre de Moncorvo
Torre de Moncorvo - notas toponímicas ANDRADE, António Júlio Edição 1991 Torre de Moncorvo
Conheça a nossa terra. Torre de Moncorvo TAVARES, Virgílio António Barbosa Edição 1990
"A criação do concelho de Torre de Moncorvo, construção da fortaleza na sua sede e respectiva forma urbana", in Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, (1999), pp.23-32 ABREU, Carlos de Edição 1999 Porto
"O castelo da Vila de Torre de Moncorvo (e contributos para a história da sua destruição)", Douro. Estudos e Documentos, nº5, pp.73-98 ABREU, Carlos de Edição 2000 Porto
Torre de Moncorvo: percursos e materialidades medievais e modernos, Dissertação de Mestrado em Arqueologia apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto ABREU, Carlos de Edição 1998 Porto

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