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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Nossa Senhora da Encarnação (a antiga Lobagueira dos Lobatos), incluindo o seu recheio

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Nossa Senhora da Encarnação (a antiga Lobagueira dos Lobatos), incluindo o seu recheio
Outras Designações
Igreja Paroquial de Encarnação / Igreja de Nossa Senhora da Encarnação e São Domingos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Erguida onde outrora existiu uma ermida dedicada a Santa Catarina, a igreja de Nossa Senhora da Encarnação começou a ser construída no início do século XVII, numa campanha que se arrastou consideravelmente. Na realidade, se boa parte da arquitectura é seiscentista, quase todo o interior data já do século XVIII, incluindo-se, nesta última fase, a edificação das duas torres sineiras sobre a fachada. Pertença da casa de Belmonte até meados do século XX, só há relativamente pouco tempo foi doada ao Patriarcado de Lisboa, oficializando-se, assim, a sua função de igreja paroquial que desempenhava desde 1755, quando o Terramoto destruiu a primitiva matriz, em Fanga da Fé (LUCENA, 1987, p. 78).
Dominando o largo em que se insere, do alto da escadaria que a precede, a igreja apresenta uma configuração monumental, com soluções pouco comuns no contexto arquitectónico nacional. Na realidade, o templo é precedido por uma galilé, rasgada ao centro por um arco e por uma janela de sacada com grade de ferro. Os corpos laterais, aos quais correspondem as torres, são delimitados por duas pilastras. Sobre a cimalha, as torres sineiras, já da última década do século XVIII, são rematadas por cúpulas vasadas por um óculo e, ao centro um frontão recuado é antecedido por um relógio. Contudo, a singularidade do conjunto encontra-se nos alpendres laterais, apoiados em colunas, que prolongam a fachada da galilé e se estendem sobre os alçados da nave.
No interior, de nave única, a primeira campanha decorativa é denunciada pelos azulejos de padrão seiscentista, em tons de azul e amarelo, que revestem a zona inferior das paredes do templo. Estuques vegetalistas ornamentam a zona superior dos alçados da nave. Observam-se duas capelas laterais, uma das quais dedicadas a São Pedro, datada de 1753 e com retábulo de mármore, cujo modelo poderá ter tido origem nos retábulos da basílica de Mafra (AZEVEDO, FERRÃO, GUSMÃO, 1963, p. 21). Ainda na nave, encontramos um púlpito de talha dourada, também do século XVIII, e no coro-alto um órgão atribuído a António Xavier Machado e Cerveira, para além de azulejos seiscentistas e outros de figura avulsa, já da centúria seguinte.
É, todavia, a capela-mor que merece especial atenção. As paredes são revestidas por azulejos azuis e brancos, executados, muito possivelmente, em meados do século XVIII (SIMÕES, 1997, p. 304), e que representam a Adoração dos Magos e a Adoração dos Pastores. Apesar de Santos Simões referir que o desenho de ambos é fraco, o brilho e a cenografia que emprestam a este espaço é muito significativo, conjungando-se com outros painéis, situados nos vãos das janelas, onde se exibem vários emblemas marianos, oriundos das Litanias - sol, estrela, lua, espelho, cipreste, lírio, e rosa - e que evocam a pureza da Virgem. Ou seja, uma iconografia seleccionada claramente em função da dedicação do templo a Nossa Senhora da Encarnação. A mesma temática da Vida da Virgem está presente nas seis telas, atribuíveis ao pintor André Gonçalves (AZEVEDO, FERRÃO, GUSMÃO, 1963, p. 21), bem como no tecto, onde se representa a Assunção da Virgem e ainda no retábulo-mor. Este último, foi executado em talha dourada de estilo nacional, exibe colunas torsas e, ao centro, um medalhão com a Anunciação. No camarim, a imagem de Nossa Senhora que, de acordo com a tradição, veio da Sé de Lisboa (AZEVEDO, FERRÃO, GUSMÃO, 1963, p. 21).
Assim, verificamos como a dinâmica exterior do templo, com o bem ritmado alpendre que percorre a fachada principal e as laterais, encontra, no interior, um mesmo sentido cenográfico que se consubstancia naqueles que foram os elementos mais recorrentes do período barroco, ou seja, a talha, a pintura, o azulejo em neste caso, o mármore.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 37 077, DG, I Série, n.º 228, de 29-09-1948 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12699926
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Mafra / Encarnação
-- a cerca de 15 km de Mafra
- -
Polícia:
LATITUDE
39.030928
LONGITUDE
-9.368337
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1753
1753 e com retábulo de mármore, cujo modelo poderá ter tido origem nos retábulos da basílica de Mafra (AZEVEDO, FERRÃ...
1755
1755, quando o Terramoto destruiu a primitiva matriz, em Fanga da Fé (LUCENA, 1987, p.
1948
1948 (ver Decreto) Erguida onde outrora existiu uma ermida dedicada a Santa Catarina, a igreja de Nossa Senhora da En...
1963
1963, p.
1987
1987, p.
1997
1997, p.
1
IMAGENS
5
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo Edição 2009 Mafra
Azulejaria em Portugal no século XVIII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1979 Lisboa
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira) AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1963 Lisboa
Monografia de Mafra LUCENA, Armando de Edição 1987 Mafra
"Carta do Património do Concelho de Mafra. 1 - Lavabos de Sacristia", Boletim Cultural '97, pp.371-396 VILAR, Maria do Carmo Edição 1998 Mafra

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