Nota Histórico-Artistica
Dotado de recursos cinegéticos essenciais à sobrevivência e fixação de comunidades humanas, que o procuraram desde os tempos mais remotos, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Vila Nova de Famalicão encerra variados testemunhos arqueológicos de um passado longínquo, ao mesmo tempo que diversificado e único.
Uma particularidade que não se desvaneceria dos seus horizontes históricos, antes fortalecendo-se à medida que se aproximavam os tempos medievos, fundando-se, em 642 (ou em 674, na opinião de outros autores), e por iniciativa de S. Frutuoso, Bispo de Dume e de Braga, um convento em Santa Eulália de Arnoso, parcialmente destruído pelos mouros, em 1067 e reconstruído por iniciativa de D. Garcia I (1042-1090), Rei da Galiza, ainda que seja de 1156 a data inscrita no tímpano do portal Sul. Entretanto, o mosteiro foi agremiado em 1495 ao convento beneditino de Pombeiro, por ordem de D. Jorge da Costa, arcebispo de Braga entre 1486 e 1501 (Igreja de Santa Eulália do Mosteiro de Arnoso, 1958, p. 8), antes de os frades Jerónimos de Belém tomarem dele posse já em seiscentos.
Mas outros testemunhos de páginas sucessivas da História da formação e consolidação da nacionalidade se erguem na região.
É o caso da "Igreja de Santiago de Antas", construída, ao que tudo indica, em duzentos numa localidade - Antas - com testemunhos documentais datáveis do século XI, tendo pertencido ao Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.
De planta simples e despojado de qualquer monumentalidade ou sumptuosidade, acede-se ao interior deste templo inscrito no românico regional através de portal de quatro arquivoltas perfeitas apoiadas em quatro colunelos com capitéis lavrados, encimando-o rosácea poliocular.
No interior, a única nave, extensa, termina em arco triunfal, de acesso à capela-mor, assente em quatro meias colunas e capitéis profusamente decorados com motivos geométricos, vegetalistas e zoomórficos (aves e quadrúpedes), albergando quadros, imagens dos Evangelistas, talha dourada e cobertura em caixotões, com decoração a ouro, resultantes de campanhas ulteriores, nomeadamente das realizadas já em período barroco ("Antas", 1976, p. 98).
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 42 007, DG, I Série, n.º 265, de 6-12-1958 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível