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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja da Misericórdia de Aveiro, incluindo as salas do despacho e anexos

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja da Misericórdia de Aveiro, incluindo as salas do despacho e anexos
Outras Designações
Igreja da Santa Casa de Misericórdia de Aveiro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Embora não esteja documentada a data exacta da fundação da irmandade da Misericórdia de Aveiro, esta é atribuída por tradição ao ano de 1498, logo após a fundação da Misericórdia de Lisboa. Sabe-se que em 1502 a irmandade funcionava em pleno, uma vez que na época foram feitas doações à mesma, para além de os irmãos terem recebido uma carta de privilégios dada por D. Manuel nesse ano.
A primitiva sede da irmandade funcionava na Capela de Santo Ildefonso, junto à igreja paroquial de São Miguel, tornando-se no entanto evidente a reduzida funcionalidade da mesma para servir as obras de assistência da Misericórdia numa vila com uma intensa vida comercial e marítima, ligada ao Atlântico e às colónias ultramarinas.
Ao longo do século XVI a irmandade intentou esforços para patrocinar a construção de uma igreja própria, bem como de um hospital, e em 1585 D. Filipe I concedeu à irmandade aveirense os mesmos privilégios de que usufruía a Misericórdia de Coimbra.
A obra de edificação do templo iniciou-se em 1600, sendo contratado para a execução da traça o mestre Gregório Lourenço (RUÃO, Carlos, 1996, p. 267). A primeira pedra da igreja era lançada ainda nesse ano, e como Gregório Lourenço estava encarregue de outras edificações, nomeadamente na cidade do Porto, em 1601 indicou o mestre Francisco João, seu irmão, para supervisionar a fábrica de obras.
No ano de 1608 a Casa do Despacho estava já concluída, e o corpo do templo encontrava-se edificado, faltando executar o pórtico principal e o espaço da capela-mor. Em 1615 o hospital ficava concluído.
No entanto, a fábrica de obras foi sendo interrompida por falta de apoios financeiros, e a capela-mor só viria a ser concluída entre 1650 e 1655, durante a provedoria de D. Raimundo de Lencastre, Duque de Aveiro, sob a direcção do mestre Manuel Azenha. Somente em 1669 a Capela de Santo Ildefonso deixou de ser utilizada pela irmandade, pelo que se depreende que nesta data a estrutura do templo da Misericórdia estava concluída.
A Igreja da Misericórdia de Aveiro é um templo de estrutura maneirista, que obedece a duas influências distintas. A primeira, ao nível da planimetria, é nitidamente tridentina, apresentando um templo que se desenvolve longitudinalmente, com uma capela-mor profunda, muito semelhante à igreja do mosteiro de Moreira da Maia, onde o mestre Gregório Lourenço também trabalhou. Por outro lado, o programa decorativo apresenta um singular gosto italo-flamengo, utilizando módulos da tratadística italiana, elementos de inspiração vredemaniana e rollwerk.
Na estrutura da fachada, revestida por azulejos em 1876, destaca-se o portal, tratado como um grande retábulo e "cravado na fachada", ao gosto arquitectónico de inspiração flamenga que na época predominava no Noroeste português. Destaca-se ainda o registo superior do portal, onde foi utilizado um modelo coríntio "que não se encontra em nenhum tratado ou estampa da época, e que poderá ser invenção (...)" de Gregório Lourenço (Idem,ibidem, p. 270).
O arco triunfal, que foi edificado como que emoldurando a entrada da capela-mor, tal como havia já sido feito em Grijó e Moreira da Maia, apresenta um sistema de sobreposição de ordens (idem, ibidem). O retábulo-mor, de talha maneirista, apresenta uma estreita relação ao nível estrutural com o portal da fachada principal.
Para além das semelhanças estruturais e decorativas que a Misericórdia de Aveiro apresenta com os templos de São Salvador de Moreira da Maia, São Salvador de Grijó e o colégio jesuíta de São Lourenço do Porto (Idem,ibidem), a traça deste templo evidencia ainda a inspiração de Gregório Lourenço nas obras de outros mestres do Maneirismo português, como Jerónimo de Ruão e Manuel Luís.
Catarina Oliveira
IPPAR/2005
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 15-10-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Parecer de 9-10-1970 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 24-07-1970 da DGEMN
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Despacho de 4-09-2013 da diretora-geral da DGPC a devolver o processo à DRC do Centro
Deliberação de 23-04-2013 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a devolução do processo à DRC do Centro para aplicação do art.º 43.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Nova proposta de 22-02-2013 da DRC do Centro
Parecer favorável de 30-03-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 6-07-2010 da DRC do Centro mantém a delimitação da ZEP conjunta
Devolvido à DRC do Centro por despacho de 11-02-2010 do director do IGESPAR, I.P., para aplicação do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Proposta de 23-12-2009 da DRC do Centro de ZEP conjunta da Igreja da Misericórdia de Aveiro e do Teatro Aveirense
Afectação 22051577
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Aveiro / Aveiro / Glória e Vera Cruz
Rua de Coimbra
Aveiro -
Polícia: 27
LATITUDE
40.640673
LONGITUDE
-8.653287
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1498
1498, logo após a fundação da Misericórdia de Lisboa. Sab
1502
1502 a irmandade funcionava em pleno, uma vez que na época foram feitas doações à mesma, para além de os irmãos terem...
1585
1585 D.
1600
1600, sendo contratado para a execução da traça o mestre Gregório Lourenço (RUÃO, Carlos, 1996, p. 267).
1601
1601 indicou o mestre Francisco João, seu irmão, para supervisionar a fábrica de obras. No
1608
1608 a Casa do Despacho estava já concluída, e o corpo do templo encontrava-se edificado, faltando executar o pórtico...
1615
1615 o hospital ficava concluído.
1650
1650 e 1655, durante a provedoria de D.
1655
1655, durante a provedoria de D.
1669
1669 a Capela de Santo Ildefonso deixou de ser utilizada pela irmandade, pelo que se depreende que nesta data a estru...
1876
1876, destaca-se o portal, tratado como um grande retábulo e "cravado na fachada", ao gosto arquitectónico de inspira...
1970
1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar Parecer de 9-10-1970 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a...
1974
1974 (ver Decreto)Despacho de homologação de 15-10-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar Parecer d...
1996
1996, p.
2005
2005
23
IMAGENS
8
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro GONCALVES, António Nogueira Edição 1959 Lisboa
Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses VITERBO, Francisco M. de Sousa Edição 1988 Lisboa
A Talha em Portugal SMITH, Robert C. Edição 1962 Lisboa
Retábulos das Misericórdias Portuguesas LAMEIRA, Francisco Edição 2009 Faro
"Misericórdia de Aveiro - dois mestres de azulejaria no Século XVII", Aveiro e o seu Distrito NEVES, Amaro Edição 1985 Aveiro
Aveiro. Arte e História NEVES, Amaro Edição 1984 Aveiro
"A Igreja da Misericórdia de Aveiro", in Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXXIII NEVES, Francisco Ferreira Edição 1967 Aveiro
Arquitectura maneirista no Noroeste de Portugal RUÃO, Carlos Edição 1996 Coimbra

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Teatro Aveirense
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Edifício da antiga Capitania do Porto de Aveiro, também denominado «Casa dos Arcos» (primitiva Escola de Desenho Industrial Fernando Caldeira)
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