Nota Histórico-Artistica
Situado na margem direita do rio Tejo, entre o Alto Ribatejo e as Beiras, o concelho de Mação apresenta, do ponto de vista arqueológico, uma indiscutível diversidade. O que não deverá surpreender, atendendo à riqueza dos recursos cinegéticos da região, essenciais à sobrevivência das comunidades humanas que estadearam e/ou se fixaram nesta região do actual território português. Condições estas em grande parte proporcionadas pela existência de várias linhas de água, elas próprias a configurarem pequenas áreas aplanadas de inundação, extremamente férteis do ponto de vista agrícola, ao mesmo tempo que permitiam a abundância de caça e, mais tarde, de gado apascentado (a cujos recursos se somaria a exploração mineira), enquanto justificariam uma aparente dispersão de povoamento característica da zona.
Situado no topo do monte que lhe deu nome, o "Castelo Velho", ou "Castelo Velho do Caratão", como será localmente mais conhecido, encontra-se estrategicamente implantado, sobranceiro às ribeiras de Eiras, do Arizal e do Caratão, a cerca de duzentos e cinquenta metros de altitude, com um forte domínio visual sobre a paisagem envolvente, tendo sido originalmente dotado de um sistema defensivo, do qual remanescerá apenas um troço de muralhado.
Foi em meados do anos quarenta do século passado que o sítio foi identificado por João Calado Rodrigues, encontrando, entre outros, vários elementos de moagem, machados, artefactos de bronze e diversos fragmentos cerâmicos, aos quais se acrescentaram outros objectos recolhidos no local já na década de sessenta, até que os anos oitenta permitiram a realização dos primeiros trabalhos arqueológicos (Cf. PEREIRA, M. A. H., 1970). De entre o espólio exumado, será de realçar um elemento de foice e duas enxós de xisto, a par de um número considerável de objectos metálicos, como um escopro, alfinetes e agulhas, assim como adagas, pontas de seta e lâminas de espada, para além de exemplares de ourivesaria; numa comprovação indirecta de parte substancial das actividades preponderantes no povoado durante a sua utilização em plena Proto-História.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Edital N.º 7/85 de 18-03-1985 da CM de Mação
Edital N.º 10/84 de 13-08-1984 da CM de Mação
Despacho de homologação de 27-06-1984 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 20-06-1985 do vice-presidente do IPPC
Parecer de 18-06-1984 da CMPA a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 2-03-1984 de Maria Amélia Bubner
Número do Processo
Não disponível