Nota Histórico-Artistica
A construção desta capela, situada junto à Ribeira de Sor, remonta, ao que tudo indica, à centúria de Quinhentos. A data de 1564, presente na pintura da abóbada de nervuras que cobre a capela-mor, assim como a própria abóbada, com cinco bocetes entre os quais se destaca o principal, de maiores dimensões, têm sido considerados os elementos mais antigos e que não foram objecto de intervenções posteriores.
A capela é, na generalidade, um edifício quinhentista, embora com uma importante campanha de obras do século XVIII, que lhe imprimiu uma outra dinâmica, de cariz barroco, mais evidente no interior.
A fachada principal, em empena, forma uma galilé (com banco a percorrer o seu perímetro) aberta por um arco de volta perfeita, com impostas salientes, sobrepujado pelo janelão rectangular do coro. O portal principal, de frontão ondulado, é ladeado por duas janelas gradeadas. Todo o conjunto deverá ter sido objecto de alterações aquando da intervenção setecentista (KEIL, 1941).
No interior, a nave articula-se com a capela-mor através de um arco de volta perfeita, com sanefa de talha dourada e policromada rococó. O retábulo-mor, em alvenaria, é formado por pilastras e coluna torsa, que suportam as arquivoltas, abrindo-se, ao centro, a tribuna com trono em mármore e a imagem de Nossa Senhora.
O tecto, original, foi decorado, entre as nervuras, por figuras de animais (leões, grifos, entre outros), ostentando a data de 1564 e as primeiras palavras da Ave Maria. De meados do século XVIII são os painéis de azulejo que revestem os panos murários da capela-mor, azuis e brancos e de fabrico lisboeta. A iconografia mariana é bastante comum, encontrando-se representados a Visitação, a Adoração dos Pastores, a Apresentação no Templo e a Circuncisão, associados à respectiva inscrição em latim, num jogo de intertextualidades que tinha por objectivo assegurar o correcto entendimento das cenas ilustradas.
De acordo com a tradição, esta capela era objecto de uma romaria bastante popular na região, realizada na segunda-feira após a Páscoa.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível