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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela de Nossa Senhora da Conceição

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela de Nossa Senhora da Conceição
Outras Designações
Capela de Nossa Senhora da Conceição (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A capela de Nossa Senhora da Conceição insere-se no primeiro grande surto construtivo que se verificou quer em Buarcos, quer na Figueira da Foz (BORGES, 1991, p. 19). A sua edificação remonta à primeira metade do século XVI e, muito embora não seja possível definir com exactidão a data em que foi construída, o ano de 1536, patente na porta lateral esquerda, ajuda a estabelecer uma cronologia aproximada. Nesta época, a capela constituía o maior templo da vila, apenas suplantado, a partir de 1581, pelo de São Julião. Era, originalmente, dedicada a Nossa Senhora das Ribas, invocação que se prendia com a proximidade de uma ribanceira (MADAHIL, p. 220), mas que foi alterada no século XVII, em conformidade com a consagração do reino de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, por iniciativa de D. João IV.
Assim, o edifício é quinhentista, constituindo os três portais de ombreiras molduradas, com friso e cornija, o seu melhor testemunho. O púlpito, situado na nave do lado do Evangelho, assente sobre uma coluna em forma de balaústre, e decorado por querubins, é da mesma época e denuncia um fabrico de origem coimbrã, mas não pertencia a esta igreja, tendo sido trazido da capela de Santa Cruz dos Redondos, após a sua demolição. Sobre o portal abre-se uma janela e, no extremo direito, ergue-se uma sineira de pequenas dimensões.
No interior, de nave única, abrem-se os arcos dos dois altares laterais e do arco triunfal, idênticos e com impostas salientes. São bem visíveis as intervenções e campanhas decorativas proto-barrocas, que privilegiaram a azulejaria e a talha dourada. Os panos murários são revestidos por silhares de azulejos azuis e brancos, representando albarradas e balaústres, à excepção dos que ladeiam o arco triunfal, com balaústres a enquadrar figuras com cornucópias de flores. Remata estes painéis uma cercadura de folhagens que se prolonga e acompanha o desenho dos arcos. Em torno do arco triunfal, foram aplicados azulejos de figura avulsa, com motivos florais. É possível que sejam exemplares de fabrico coimbrão, como indica a presença do elemento de ligação nos cantos, factor diferenciador em relação ao fabrico lisboeta (SIMÕES,1979, p. 149; MECO, 1986). Contudo, sabemos, pelo painel com a representação de Nossa Senhora da Conceição, que se encontra sobre o arco, que este conjunto se deve à iniciativa do Doutor Duarte Brito e que foi mandado fazer em 1714 (SIMÕES, 1979, p. 149). A capela-mor exibe, também, um revestimento azulejar de padrão, com certeza da mesma época. Note-se, contudo, que parte dos azulejos denota alterações ao posicionamento original, talvez consequência de restauros.
Por sua vez, os retábulos de talha dourada dos três altares, proto-barrocos, remontam ao final do século XVII ou ao início do seguinte. O retábulo-mor é mais imponente, revelando os restantes um gosto popular (CORREIA, 1953).
Assim, percebemos como a estrutura arquitectónica quinhentista, erguida por vontade da população foi, entre o final do século XVII e o início do século XVIII, dinamizada pelo azulejo azul e branco, que então começava a surgir em grandes painéis figurados ou, numa primeira fase, em exemplares de figura avulsa, como é o caso dos que aqui encontramos. De facto, parece-nos que o eventual contacto privilegiado com a produção holandesa (de que a Casa do Paço é um dos melhores exemplos) possa ter mantido e prolongado um gosto pelos azulejos de figura avulsa, justificando a opção do encomendador Duarte de Brito, em 1714. A talha dourada complementou o brilho e o colorido do azulejo, contribuindo para a actualização estética e litúrgica do período barroco ou, neste caso, proto-barroco, pois embora a renovação decorativa tenha ocorrido já na segunda década de Setecentos, é o gosto do final do século XVII que aqui observamos.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)
Número do Processo
Junto da antiga Praça de Buarcos e dela separada pela estrada Figueira da Foz-Cabo Mondego
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 337/2011, DR, 2.ª série, n.º 27, de 8-02-2011 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 23-06-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 15-07-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 15-09-2008 da DRC do Centro para a ZEP da Fortaleza de Buarcos, da Capela de Nossa Senhora da Conceição e do Pelourinho de Buarcos
Afectação 12700426
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Coimbra / Figueira da Foz / Buarcos e São Julião
Rua 5 de Outubro
Buarcos -
Polícia:
Largo de Nossa Senhora da Conceição
Buarcos -
Polícia:
LATITUDE
40.164433
LONGITUDE
-8.879258
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1536
1536, patente na porta lateral esquerda, ajuda a estabelecer uma cronologia aproximada.
1581
1581, pelo de São Julião. E
1714
1714 (SIMÕES, 1979, p.
1953
1953).
1961
1961 (ver Decreto) A capela de Nossa Senhora da Conceição insere-se no primeiro grande surto construtivo que se verif...
1979
1979, p.
1986
1986).
1991
1991, p.
5
IMAGENS
4
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Azulejaria Portuguesa MECO, José Edição 1986 Lisboa
Azulejaria em Portugal no século XVIII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1979 Lisboa
Figueira da Foz BORGES, José Pedro de Aboim Edição 1991 Lisboa
Inventario artistico de Portugal - Distrito de Coimbra Colecção

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