Nota Histórico-Artistica
Dedicada a Santo Estêvão, a igreja paroquial de Pereira é uma construção do final do século XVI que se ergue, certamente, sobre uma outra mais antiga cuja data de origem é desconhecida. Conta-se que, aquando da demolição do cunhal do arco Norte junto à capela-mor foi descoberta uma pedra com relevos representando cenas agrícolas e com uma legenda: "Os lavradores, os caseiros e mais povo, as nossas custas". Infelizmente, a pedra desapareceu, mas esta ideia poderia confirmar a existência de uma construção anterior à actual, erguida a expensas da população local.
A primeira campanha de obras da igreja que hoje conhecemos remonta a 1595, conforme uma inscrição parietal na capela-mor que indica ter sido o Dr. Francisco Roiz Froes, capelão del Rei e padroeiro desta igreja, que a mandou fazer à sua custa, em 1595. O mesmo ano está gravado num dos balaústres do púlpito do lado do Evangelho, atestando assim a edificação do templo no final de quinhentos.
Na segunda metade do século XVII ocorreu, certamente, uma outra campanha decorativa, responsável pela renovação ou construção dos retábulos proto-barrocos dos diversos altares. Os testemunhos que nos chegaram revelam que a igreja tinha bastantes dificuldades financeiras, encontrando-se, por isso, em permanente estado de ruína, estado que as sucessivas cheias do Mondego foram agravando. Em 1754 há notícia da eminente queda da abóbada da capela-mor, tendo o Juiz da Igreja, António de Lemos, pedido ao Bispo de Coimbra ajuda urgente para resolver o problema.
Alguns anos mais tarde abria-se novo portal no alçado Sul, pago pelo Provedor da Comarca e executado pelo canteiro de Pereira, João Pereira Leytão entre 1773 e 1774. Os problemas com as cheias, que já haviam obrigado a subir a cota da igreja actual, voltaram a fazer-se sentir em 1867, data em que se executaram grandes obras, entre as quais se poderá incluir a torre, erguida no mesmo local da original, mas construída entre 1876 e 1897.
A igreja desenvolve-se em planta longitudinal, de três naves e capela-mor. A fachada é marcada pela abertura de um portal de verga semicircular, sobrepujada por janela do coro com dois óculos e escudo nacional. À direita, a torre de grande dimensão, dividida em três registos o último dos quais aberto pelas sineiras. O portal barroco do alçado Sul, de verga recta, é flanqueado por pilastras que suportam o frontão interrompido pelo nicho com a imagem de Santo Estêvão, a quem a igreja é dedicada.
No interior, as naves são separadas por arcadas dóricas, com a capela-mor coberta por abóbada de pedra em caixotões. O retábulo principal é da segunda metade do século XVII, tal como as capelas: a do Sacramento, colateral, do lado da Epístola e a dos Couceiros, a Norte, com talha proto-barroca.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 38 491, DG, I Série, n.º 230, de 6-11-1951 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível