Nota Histórico-Artistica
A pequena igreja de São João de Calvos foi o templo de uma freguesia medieval, cuja vitalidade não ultrapassou o fim da Idade Média. Posteriormente integrada na actual freguesia de Lordelo, a capela ficou como marca de uma organização comunitária bastante mais dispersa, e administrativamente mais rendilhada, que o actual povoamento do entre-Douro-e-Minho.
Mas este monumento não é apenas o símbolo de uma antiga circunscrição medieval. Ele é, também, um bom testemunho do que foi o românico rural tardio, modesto e rude, maciço e artisticamente despojado, que caracteriza uma parte significativa da paisagem artística nacional durante os séculos XII e XIII. A simplicidade da planta - obtida pela justaposição de dois rectângulos, a nave e a capela-mor - e a extrema rudeza da construção - com grandes silhares dispostos horizontalmente, mas de talhe muito pouco cuidado -, são características que reforçam o estatuto único desse românico tardio de que aqui falamos. O arco triunfal é a parte melhor conseguida, de perfil duplo e já apontado, com impostas sem decoração e desprovido dos típicos capitéis românicos, o que revela uma cronologia já em pleno século XIII, quando o Gótico despontava tenuamente no Norte do país. Também as escassas dimensões do templo, a pouca altura do conjunto, ou ainda a diminuta iluminação do interior - à base de estreitas frestas verticais - são elementos que ajudam a caracterizar e a contextualizar este edifício na sua verdadeira natureza, quase utilitária e, apenas numa segunda observação, artística.
Apesar da sua aparente genuinidade, o templo que chegou até nós não é integralmente medieval. Na época moderna, o portal principal foi modificado, suprimindo-se então o arco original (muito provavelmente também apontado), em benefício do lintel recto que agora observamos. Outras alterações sucederam-se neste tempo longo, como a deslocação de alguns silhares e sua adaptação no sentido vertical, quando na origem eram dispostos verticalmente, ou o entaipamento da fresta sobre o arco triunfal.
Praticamente em ruínas no século XX, quando o tecto da nave cedeu e o espaço ficou descoberto, com grande perigo para as paredes e os cunhais, o templo foi restaurado na década de 70, pela DGEMN, que, na altura, aproveitou também para proceder a arranjos exteriores que lhe conferiram alguma dignidade cenográfica na paisagem envolvente.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível