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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Fortaleza do Outeiro

Arquitectura Militar / Fortaleza

Designação
Designação Atual
Fortaleza do Outeiro
Outras Designações
Castelo de Outeiro / Fortaleza do Outeiro / Castelo do Outeiro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Fortaleza
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O Monte do Castelo de Outeiro, cujo cume se eleva a cerca de 800 metros de altitude, é um ponto estratégico de inegável importância na paisagem do Nordeste transmontano. A meio caminho entre Bragança e Vimioso, dele se avistam as terras de Miranda e de Zamora, circunstância que favoreceu a implantação do castelo medieval. Na actualidade, a estrutura defensiva é uma pálida imagem do que outrora foi, mas a história da localidade prova esse passado importante, cujas origens, ao que tudo indicam, remontam ao período romano e a um primeiro estabelecimento privado de carácter agrícola.
O castelo de que restam apenas vestígios é uma construção da Baixa Idade Média, com grande probabilidade do reinado de D. Dinis. Em 1287, Santa Maria de Outeiro é referida como paróquia e uma década depois menciona-se a povoação de Outeiro de Miranda. A fortaleza deve ser contemporânea destas datas, indicação reforçada pela planta ovalada irregular do seu perímetro amuralhado, tão característico das vilas novas proto-urbanas de Trás-os-Montes e do Alto Douro, nos séculos XIII e XIV (GOMES, 1993). Sobre a estruturação interna, desconhecemos quase tudo. E o que ainda resta, entre arbustos e alta erva, carece de uma intervenção arqueológica de fundo, que nos forneça indicadores cronológicos seguros acerca das fases de ocupação e de destruição do conjunto.
O enorme desconhecimento que hoje possuímos acerca deste castelo não implica, contudo, uma desvalorização acerca do seu papel na história. Em 1369, no contexto das guerras peninsulares que contribuíram para a mudança dinástica após a morte de D. Fernando, a fortaleza foi tomada por tropas castelhanas passando, a partir de então, a defender o partido estrangeiro. Décadas depois, foi assaltada por D. João I, que a devastou. Este mesmo monarca, pacificado o território e pretendendo desenvolver o depauperado reino, patrocinou a reconstrução das suas muralhas e concedeu privilégios a todos quantos edificassem casas no interior do castelo. Em 1418, decorriam ainda obras de alargamento do perímetro muralhado (MONTEIRO, 1999, p.128), sinal de que o programa de D. João I havia sido bem acolhido. Ao longo de toda a centúria de Quatrocentos, regista-se a cedência de privilégios régios (D. Afonso V e D. João II), sintoma claro da importância do castelo no contexto regional nordestino.
No reinado de D. Manuel, Outeiro é uma vila no seu apogeu. Duarte d'Armas descreve uma torre de menagem rectangular, aparentemente adossada a uma das portas, uma extensa barbacã em forma de "D", e "diversos elementos defensivos, como os hurdícios, ou balcões com matacães, e as troneiras, que portegiam as portas, inscritas nas próprias torres" (Jana, 1994 / Costa, 2001, DGEMN on-line). Paradoxalmente, é também com D. Manuel que o castelo inicia a sua lenta decadência. O foral de 1514 é um marco importantíssimo neste contexto, uma vez que é a partir deste diploma que se verifica a transferência da população para o vale, abandonando as zonas altas de mais difícil acesso.
A história da fortaleza durante a Idade Moderna é a de uma lenta e inexorável decadência. Ainda assolada por forças espanholas na Guerra da Restauração, no século XVII, as décadas seguintes determinaram o completo abandono do castelo e até a decadência da vila, cujo concelho foi extinto em 1853. Outeiro nunca integrou as rotas de redescoberta da Idade Média do Romantismo, nem tão pouco figurou como monumento militar emblemático a ser restaurado pela vaga restauradora do Estado Novo. Uma pequena campanha consolidadora teve lugar em 1993, mas todo o conjunto espera ainda por um projecto integral de conhecimento, intervenção e valorização.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)
Número do Processo
No cimo do Monte do Castelo, a cerca de 1Km para nascente do lugar do Outeiro
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Bragança / Bragança / Outeiro
-- no cimo do Monte do Castelo, a cerca de 1km para nascente do lugar do Outeiro
- -
Polícia:
LATITUDE
41.682866
LONGITUDE
-6.591874
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1287
1287, Santa Maria de Outeiro é referida como paróquia e uma década depois menciona-se a povoação de Outeiro de Mirand...
1369
1369, no contexto das guerras peninsulares que contribuíram para a mudança dinástica após a morte de D. Fer
1418
1418, decorriam ainda obras de alargamento do perímetro muralhado (MONTEIRO, 1999, p.128), sinal de que o programa de D.
1514
1514 é um marco importantíssimo neste contexto, uma vez que é a partir deste diploma que se verifica a transferência ...
1853
1853.
1955
1955 (ver Decreto) O Monte do Castelo de Outeiro, cujo cume se eleva a cerca de 800 metros de altitude, é um ponto es...
1993
1993).
1994
1994 / Costa, 2001, DGEMN on-line).
1999
1999, p.128), sinal de que o programa de D.
2001
2001, DGEMN on-line).
3
IMAGENS
8
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed. ALVES, Francisco Manuel Edição 2000 Bragança
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes VERDELHO, Pedro Edição 2000 Chaves
Os castelos portugueses dos finais da Idade Média: presença, perfil, conservação, vigilância e comando MONTEIRO, João Gouveia Edição 1999 Coimbra
"De Bragança e Vimioso", Guia de Portugal (1924-27), 3ªed., pp.969-982 DIONÍSIO, Sant'Ana Edição 1995 Lisboa
"Outeiro. Apontamento monográfico", Brigantia, nº1, pp.109-119" GARRIDO, César Edição 1981 Bragança
"A identidade histórica de algumas aldeias transmontanas: subsídios para o seu estudo. 2 - Outeiro", Brigantia, vol. XXIV (nº3/4) - vol. XXV (nº1/2), pp.59-80 MOTA, José Peixoto Pinto da Edição 2005 Bragança
Monografias bragançanas. Outeiro FELGUEIRAS JÚNIOR, Francisco Edição 1966 Bragança

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