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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santa Cruz

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santa Cruz
Outras Designações
Convento e Igreja de Santa Cruz (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A história do antigo convento de Santa Cruz encontra-se estreitamente ligada ao convento de Recião, que conheceu a ruína e decadência do decorrer da primeira metade do século XV, acolhendo, nessa época (a partir de 1438) os frades Lóios, que aí permaneceram até à sua transferência para Lamego. Na verdade, o convento de Santa Cruz foi instituído em 1595 por Lourenço Mourão Homem (sepultado na capela-mor, junto ao arco triunfal), com o objectivo de o doar aos Lóios, que assim abandonaram Recião, instalando-se, definitivamente, na cidade de Lamego.
As obras do novo complexo conventual iniciaram-se em 1596, lançando-se a primeira pedra a 14 de Setembro, por ser este o dia dedicado à Exaltação da Cruz, invocação a que esta casa seria dedicada. As obras não estavam ainda concluídas quando a igreja foi sagrada, nos dias 23, 24 e 25 de Março do ano de 1632, e prova disso é o prolongamento da campanha decorativa por toda a centúria. Em todo o caso, o primitivo templo deveria apresentar alguns problemas construtivos, uma vez que, apesar dos testemunhos da época se referirem ao assunto superficialmente, a verdade é que poucos anos depois, a capela-mor foi objecto de uma remodelação profunda, concluída em 1676, com a instalação do Santíssimo Sacramento.
Já em 1670 a igreja havia beneficiado de um novo tecto de caixotões, executado por João Ribeiro, e em 1683, Francisco da Rocha, do Porto, era contratado para o douramento e execução das pinturas do retábulo. Apesar das alterações posteriores, corresponde ao exemplar que hoje conhecemos, com as pinturas alusivas à Vera Cruz, mas com a tribuna ampliada.
A fachada principal da igreja, com um amplo adro fronteiro, é flanqueada por duas torres de planta quadrada, cujos registos acompanham os do corpo central. Este, é aberto por três arcos de acesso à galilé, a que correspondem, no registo seguinte, igual número de janelas rectangulares, seguindo-se outras que determinam a base do frontão. Este, exibe, no tímpano, o emblema dos Cónegos Seculares de São João Evangelista.
O templo, de planta longitudinal, com coro alto, capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor mais estreita, mantém a mesma lógica maneirista que se observa na linguagem arquitectónica do exterior. Os alçados da nave são divididos por pilastras, que enquadram os arcos de volta perfeita das capelas. Estas, tal como o transepto e a capela-mor, são revestidas por retábulos e sanefas de talha dourada de diversas épocas, que se conjugam com painéis de azulejo de iconografia diferenciada. O revestimento azulejar marca uma campanha decorativa que se estendeu pelo século XVIII (numa tentativa de actualização estética em relação ao barroco da talha e do azulejo), onde se incluem alguns retábulos, como o da capela de Nossa Senhora do Vale, executado em 1732, ou a abóbada de berço da nave, com pinturas de iconografia mariana, que na segunda metade da centúria substituiu os anteriores caixotões.
Dos painéis cerâmicos, ganham especial importância os conjuntos do transepto, que envolvem, do lado do Evangelho, a arca tumular de Manuel Pinto da Fonseca e representam passos da vida de São Bento de Núrcia (FLÓRIDO, 1967, p. 30-31). Executados em 1725, encontram-se atribuídos a uma das mais importantes oficinas lisboetas e à mão de Policarpo de Oliveira Bernardes (CORREIA, 1923, p. 28). Do lado oposto, dominam os milagres de Santo António, de autor desconhecido, mas de oficina lisboeta de cerca de 1730.
Uma última referência ao claustro, de planta quadrangular, com arcaria de volta perfeita no primeiro piso, a que correspondem janelas de sacada, no andar superior.
Com a Extinção das Ordens Religiosas, a Misericórdia procurou instalar no convento o seu hospital, mas este acabou por funcionar como quartel, conservando, ainda hoje, essa vocação militar.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Lamego / Lamego (Almacave e Sé)
Largo de Santa Cruz
Lamego -
Polícia:
LATITUDE
41.094225
LONGITUDE
-7.806408
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1438
1438) os frades Lóios, que aí permaneceram até à sua transferência para Lamego. Na v
1595
1595 por Lourenço Mourão Homem (sepultado na capela-mor, junto ao arco triunfal), com o objectivo de o doar aos Lóios...
1596
1596, lançando-se a primeira pedra a 14 de Setembro, por ser este o dia dedicado à Exaltação da Cruz, invocação a que...
1632
1632, e prova disso é o prolongamento da campanha decorativa por toda a centúria. E
1670
1670 a igreja havia beneficiado de um novo tecto de caixotões, executado por João Ribeiro, e em 1683, Francisco da Ro...
1676
1676, com a instalação do Santíssimo Sacramento. Já
1683
1683, Francisco da Rocha, do Porto, era contratado para o douramento e execução das pinturas do retábulo. Ap
1725
1725, encontram-se atribuídos a uma das mais importantes oficinas lisboetas e à mão de Policarpo de Oliveira Bernarde...
1730
1730.
1732
1732, ou a abóbada de berço da nave, com pinturas de iconografia mariana, que na segunda metade da centúria substitui...
1923
1923, p.
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1967 (ver Decreto) A história do antigo convento de Santa Cruz encontra-se estreitamente ligada ao convento de Recião...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O Ceo aberto na Terra: historia das sagradas congregações dos Conegos Seculares de S. Jorge em Alga de Venesa & de S. Joaõ Evangelista em Portugal... SANTA MARIA, Pe. Francisco de Edição 1697 Lisboa
"Artistas e artífices nas dioceses de Lamego e de Viseu", Revista "Beira Alta". ALVES, Alexandre Edição
História do Bispado e Cidade de Lamego, vol. 4, Renascimento (II) COSTA, Manuel Gonçalves da Edição 1984 Lamego
Igreja do Convento de Santa Cruz LARANJO, F. J. Cordeiro Edição 1992 Lamego
Artistas de Lamego CORREIA, Virgílio Edição 1923 Coimbra
Roteiro ilustrado da cidade de Lamego AMARAL, João Edição 1961 Lamego
"O convento de Santa Cruz de Lamego", Colóquio. Revista Artes e Letras, n.º 42 FLÓRIDO, Abel Montenegro Edição 1967 Lisboa

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