Nota Histórico-Artistica
O Dólmen da Matança localiza-se no lugar de Corgas, freguesia de Matança, concelho de Fornos de Algodres. Encontra-se a cerca de 1,5 km a sul da povoação de Matança e 6,5 km a norte da sede de concelho. Nas proximidades identificou-se outra anta, a Casa da Orca do Cortiço, estabelecida a este. A bibliografia arqueológica indica a existência de uma mamoa nas imediações, num sítio atualmente perdido. Implanta-se num vale, a poente da Ribeira de São Domingos.
Este monumento megalítico é constituído por uma câmara poligonal delimitada por nove esteios de granito, dois dos quais estão gravados e outro apresenta um conjunto de quatro covinhas. A câmara funerária mede, no seu eixo maior, 4 metros e, no menor, 3,20 metros. Atinge os 3 metros de altura e alguns dos seus ortostátos chegam a alcançar os 4 metros de comprimento. A laje de cobertura preserva-se in situ. Não foi reconhecida a estrutura de acesso apesar dos investigadores não descartarem a possibilidade de ter possuído um corredor curto. A entrada é orientada a su-sudeste. Malgrado as intervenções arqueológicas realizadas não se registaram evidências do tumulus envolvente.
A laje de cabeceira ostenta um serpentiforme gravado junto à base, enquanto que o segundo esteio do lado direto, totalmente insculpido, revela figuras circulares, trapezoidais, triangulares e um serpentiforme, assim como a representação do motivo designado por the thing. Não foram observados indícios de pintura.
História
>A edificação do Dólmen da Matança remonta ao Neolítico, mas a sua utilização persistiu no Calcolítico. Terá sido alvo de violações posteriores, pelo menos desde a época Medieval que afetaram profundamente a câmara. Tal não impediu, no entanto, a recolha de alguns materiais, destacando-se um micrólito geométrico, duas pontas de seta, uma conta de colar, um ídolo antropomórfico de azeviche e alguns cristais de quartzo.
A referência mais antiga ao monumento data de 1733 e deve-se a Martinho Mendonça de Pina na Dissertação Apresentada à Academia Real da História Portuguesa. José Leite de Vasconcelos, por sua vez, refere a exumação de espólio na Orca das Corgas da Matança numa escavação rápida empreendida em 1896 e referenciada no livro De terra em terra. Excursões arqueológicas-etnográficas através de Portugal, editado em 1927. Mereceu, igualmente, a atenção de George e Vera Leisner, sendo aludida na publicação de 1959, Die Megalithgraber der Iberischen Halbinsel: der Westen.Executaram-se novos trabalhos arqueológicos em 1988, promovidos pelo Serviço Regional de Arqueologia da Zona Centro e pela Câmara Municipal de Fornos de Algodres, integrados no projeto Valorização do Património Megalítico, que decorreram sob a direção cientifica de Domingos da Cruz, Ana Leite da Cunha e Luís Filipe Gomes, e que efetuaram, igualmente, trabalhos de conservação e restauro do monumento.
Ana Vale
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível