Nota Histórico-Artistica
A vila de Condeixa-a-Nova, que assim se distinguia da anterior Condeixa, surge referenciada na documentação desde 1219, já com esta denominação. Todavia, a localidade constituiu-se como freguesia, apenas, no século XVI, com foral outorgado por D. Manuel.
Local de passagem entre Lisboa e Coimbra, Condeixa foi conhecendo um franco desenvolvimento, que conduziu à presença de muitas famílias nobres, entre as quais se destacam os Sotto Mayor, os Sás ou os Figueiredos, cuja memória é perpetuada pelos solares que construíram na vila, e que ainda hoje subsistem.
O Palácio dos Figueiredos, que actualmente acolhe as instalações da Câmara Municipal, é um dos exemplos deste surto construtivo de características barrocas, que tanto marcou a cidade nas centúrias de Seiscentos e Setecentos. Foi mandado construir por esta família no decorrer do século XVII, ficando conhecido, desde então, como Paço dos Figueiredos ou Paço do Capitão-Mor (CORREIA, GONÇALVES, 1952, pp. 78-79).
Implantado junto à igreja matriz, esta casa senhorial destaca-se pela imponência de uma longa fachada, dividida, por pilastras, em três secções. As laterais são simétricas, encontrando-se rasgadas por portas no piso inferior, pequenas janelas intermédias, e janelas de sacada, com gradaria, no andar nobre. O ritmo dos vãos converge, ao centro, no portal de linhas simples, mas encimado pelas armas da família Figueiredo, numa composição que remata em frontão semicircular. As janelas intermédias e de sacada mantêm-se, uma de cada lado do portal, o que torna o ritmo do conjunto mais lento nesta secção. Em todo o caso, e apesar das diferenças ao nível da entrada, todo o conjunto denota uma enorme regularidade, e austeridade, que o afastam dos modelos barrocos de cariz mais cenográfico. O seu interior organiza-se em função de um pátio, a partir do qual se desenvolvem duas escadarias, ligadas por varanda assente sobre colunata.
Com as Invasões Francesas, toda a cidade sofreu bastante, e as tropas comandadas pelo General Massena foram responsáveis por uma grande destruição, que atingiu também o solar dos Figueiredos, incendiado nessa época, à semelhança de tantos outros monumentos.
Rosário Carvalho
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível