Foi num patamar de um afloramento rochoso granítico de acentuada inclinação que se talharam dois tanques (um rectangular e outro quadrangular) com paredes quase verticais e comunicantes entre si através de um orifício circular, constituindo o arqueossítio designado por "Lagar de Freixedas", situado nas proximidades da localidade que lhe deu nome.
Ostentando dimensões consideráveis, quando comparadas a outros exemplares arrolados na mesma região, o tanque maior medirá quase dois metros por cento e cinquenta e quarenta e três de altura, enquanto o segundo apresenta pouco mais de um metro por um metro e cinquenta e dois de altura.
Ao que tudo indica, estamos em presença de vestígios de um lagar construído durante a presença romana nesta zona do actual território português, integrando certamente a pars fructaria da pars rustica de uma qualquer uilla, onde permaneciam todas as estruturas relacionadas com as actividades agrícolas, com evidente destaque para os celeiros e lagares, como no presente caso, onde se armazenavam e se transformavam os produtos obtidos nas respectivas propriedades.
Com efeito, a existência destes componentes no terreno revelará como a produção vinícola constituía parte essencial da economia desta região durante parte expressiva do Império romano, cujas autoridades administrativas cedo se aperceberam das potencialidades beirãs para este tipo de actividade. Para isso apontará, precisamente, a presença dos dois tanques, o maior dos quais eventualmente correspondente ao antigo calcatorium, destinado a pisotear a uva, enquanto o de menores dimensões - lacus - receberia, justamente, o mosto assim obtido por intermédio da abertura anteriormente mencionada (vide supra).
Mas apesar de podermos estar perante documentos indirectos de uma eventual actividade vinhateira ao longo dos primeiros séculos da nossa Era, é possível que estes vestígios se reportassem à produção de azeite, uma dúvida dissolvida quando se encontram grainhas de uvas. E apesar de, noutras estações arqueológicas, "Os achados de pesos de lagar são relativamente frequentes, mas não têm sido acompanhados de escavações capazes de nos elucidarem sobre a estrutura destes edifícios industriais e a natureza do produto - vinho ou azeite - fabricado." (JORGE, J. de, 1990, p. 426).
[AMartins]
Diploma de Classificação
Portaria n.º 229/2012, DR, 2.ª série, n.º 108, de 4-06-2012 (ver Portaria)
Despacho de homologação de 30-08-1991 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 29-07-1991 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Despacho de abertura de 21-12-1990 do Vice-Presidente do IPPC
Proposta de abertura de 30-11-1990 do IPPC
Proposta de classificação de 13-11-1990 dos Serviços Regionais de Arqueologia da Zona Centro
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
9914630
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Guarda / Pinhel / Freixedas
-- -
Sítio do Barroco -
Polícia:
LATITUDE
40.698633
LONGITUDE
-7.150162
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1990
1990 do Vice-Presidente do IPPC Proposta de abertura de 30-11-1990 do IPPC Proposta de classificação de 13-11-1990 do...
1991
1991 do Secretário de Estado da Cultura Parecer de 29-07-1991 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação...
2012
2012, DR, 2.ª série, n.º 108, de 4-06-2012 (ver Portaria)Despacho de homologação de 30-08-1991 do Secretário de Estad...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
"A produção e a circulação dos produtos", Nova História de Portugal
ALARCÃO, Jorge Manuel N. L.
Edição
1990
Lisboa
Guia de Portugal, Beira II - Beira Baixa e Beira Alta