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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Casa dos Biscaínhos

Arquitectura Civil / Casa

Designação
Designação Atual
Casa dos Biscaínhos
Outras Designações
Museu dos Biscaínhos / Casa dos Biscainhos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Casa
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Edificada no século XVII, e ampliada na centúria seguinte, a Casa dos Biscaínhos manteve-se na posse da mesma família até 1963, ano em que foi vendida a um organismo público, que aí instalou o Museu, inaugurado a 11 de Fevereiro de 1978. A estrutura museológica tira partido das possibilidades do imóvel, permitindo, assim, a divulgação do quotidiano nobre do Norte do país, no período barroco. Expõem-se, essencialmente, artes decorativas, numa contextualização directa, "proporcionada pela organicidade original e a riqueza ornamental do Solar, criando uma sequência de Espaços sugestivos da habitabilidade de outrora: o Salão Nobre, o Gabinete-Biblioteca, as Salas do Estrado, do Oratório, de Música e de Jogo, a de Jantar, a Cavalariça, a Cozinha e os Jardins" (Museu dos Biscaínhos, RPM).
De acordo com os estudos de Luís Costa, a edificação da Casa dos Biscaínhos ocorreu entre 1619 e 1685, e era destinada a casa de habitação do Dr. Constantino Ribeiro do Lago, "sobrinho do Beato Miguel de Carvalho, jesuíta mártir no Japão, e que está retratado na pintura do tecto do Salão Nobre" (COSTA, 1998, p. 24). Constantino Ribeiro foi uma das personalidades mais ilustres de Braga, tendo contraído matrimónio em 1665, já nesta casa, com Maria da Silva e Sousa (STOOP, 2000, p. 41). As obras foram terminadas pelo seu filho, em 1699, tendo este imposto as suas armas na fachada nordeste. Seria, contudo, Francisco Pereira da Silva, Deão da Sé de Braga, o impulsionador da grande reforma do edifício, contratando, para tal, em 1712, o arquitecto pedreiro Manuel Fernandes da Silva, responsável por tantas obras de grande envergadura na cidade (ROCHA, 1996, p. 168). Remontam a este período boa parte das campanhas decorativas que ainda hoje caracterizam os interiores deste solar, ainda que outros espaços, como os do ala sudoeste, denunciem um intimismo e um gosto já neoclássico. Na verdade, este edifício reflecte as várias intervenções arquitectónicas e decorativas de que foi objecto ao longo dos tempos.
O plano concebido por Manuel Fernandes da Silva, e do qual foi executado um modelo em papelão (IDEM), interferiu nos edifícios pré-existentes, criando um solar formado por dois corpos unidos em ângulo recto, com duas entradas nobres. O portal de entrada permitia o acesso das antigas carruagens, e um dos átrios exibe escultóricas figuras de convite (lacaios, alabardeiros e guerreiros), a receber os visitantes.
As duas fachadas são abertas por um conjunto bem ritmado de janelas e portas no piso térreo e janelas de sacada no andar nobre, cujas bases formam um imponente friso. Na ala mais longa, sobrepõem-se-lhe, ainda, um conjunto de janelas de recorte em sino, que deverão corresponder a um novo piso, posterior à obra de Manuel Fernandes da Silva (IDEM, p. 171). No interior, ganha especial importância o Salão Nobre, com o tecto pintado pelo pintor portuense Manuel Furtado de Mendonça, em 1724, ilustrando o martírio do tio do instituidor do vínculo dos Biscaínhos (OLIVEIRA, 1999, p. 183), e um rodapé de azulejos de temática campestre, atribuído ao mestre PMP (SIMÕES, 1979, p. 97). Na Sala de Jantar, o gosto é já neoclássico, bem visível na preferência pela decoração em estuque, com pinturas de tons claros, ou nos azulejos de linguagem idêntica.
Os jardins do Solar, com muitos traços e elementos que recordam a linguagem de Manuel Fernandes da Silva (ROCHA, 1996, p. 171), articulam-se com a casa por meio de um eixo formado pelo portal principal, corredor e jardim, "onde um agradável chafariz serve de ponto de fuga" (IDEM). Desenvolvidos em declives, constituem uma espécie de prolongamento da casa. O primeiro é preenchido por bancos e lagos, constituindo um jardim-espectáculo, enquanto o segundo nível é, claramente, um espaço barroco, muito bem definido com os seus buxos, tanques, esculturas, canteiros de flores, e ainda pelas casas de fresco, remontando a sua construção à segunda metade do século XVIII.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 37 366, DG, I Série, n.º 70, de 5-04-1949 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12220649
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Braga / Braga / Braga (Maximinos, Sé e Cividade)
Rua dos Biscaínhos
Braga -
Polícia:
LATITUDE
41.551224
LONGITUDE
-8.429597
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1619
1619 e 1685, e era destinada a casa de habitação do Dr. C
1665
1665, já nesta casa, com Maria da Silva e Sousa (STOOP, 2000, p.
1685
1685, e era destinada a casa de habitação do Dr. C
1699
1699, tendo este imposto as suas armas na fachada nordeste.
1712
1712, o arquitecto pedreiro Manuel Fernandes da Silva, responsável por tantas obras de grande envergadura na cidade (...
1724
1724, ilustrando o martírio do tio do instituidor do vínculo dos Biscaínhos (OLIVEIRA, 1999, p. 18
1949
1949 (ver Decreto) Edificada no século XVII, e ampliada na centúria seguinte, a Casa dos Biscaínhos manteve-se na pos...
1963
1963, ano em que foi vendida a um organismo público, que aí instalou o Museu, inaugurado a 11 de Fevereiro de 1978. A
1978
1978.
1979
1979, p.
1996
1996, p.
1998
1998, p.
1999
1999, p.
2000
2000, p.
18
IMAGENS
9
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem) SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1900 Porto
Azulejaria em Portugal no século XVIII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1979 Lisboa
Solares Portugueses AZEVEDO, Carlos de Edição 1988 Lisboa
Braga - percursos e memória de granito e oiro OLIVEIRA, Eduardo Pires de Edição 1999 Porto
Manuel Fernandes da Silva mestre e arquitecto de Braga: 1693-1751 ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da Edição 1996 Braga
Braga - roteiro histórico e monumental COSTA, Luís Edição 1998 Braga
Cozinhas. Espaço e Arquitectura PEREIRA, Ana Marques Edição 2006 Lisboa
Palácios e casas senhoriais do Minho Obra
The art of Portugal 1500-1800 Obra

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