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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, incluindo os azulejos que a revestem

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, incluindo os azulejos que a revestem
Outras Designações
Santuário de Nossa Senhora da Nazaré (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Também designado por igreja do Milagre, este templo conheceu grande devoção por parte dos habitantes da região, e dos próprios monarcas, que muitas vezes aqui se deslocaram prestando homenagem a Nossa Senhora da Nazaré. A sua tradição é bastante remota, pois o primeiro templo que aqui existiu foi edificado por iniciativa de D. Fernando, em 1377. Consta que, já na primeira metade do século XVII, foram realizadas obras de beneficiação na capela-mor e na nave. Estas não teriam sido, no entanto, muito satisfatórias, pois entre 1680 e 1691 o templo foi totalmente reedificado, dando lugar à igreja que hoje conhecemos, maneirista mas com traços barrocos. As campanhas decorativas sucederam-se, depois, ao longo dos séculos XVIII e XIX.
Igreja de forte devoção e de peregrinação, beneficia de um adro de grandes dimensões, fronteiro à fachada principal, onde a escadaria semicircular é uma evocação do caminho ascensional a percorrer para chegar ao sagrado. Habitualmente implantadas num local isolado, as igrejas de peregrinação eram antecedidas por longos escadórios, muitas vezes alusivos aos passos da Paixão de Cristo, que recriavam.
A sua fachada é imponente, apresentando uma arcaria exterior, que tem continuidade nos alçados dos dois edifícios anexos, abertos por vãos regulares e simétricos. Todo o conjunto é rematado por uma platibanda, rendilhada na zona das arcadas, e interrompida pelo arco de entrada, que se eleva acima desta linha, sendo coroado por um frontão e pelas armas nacionais. Este alpendre, que evoca o primitivo abrigo para os romeiros, mandado edificar pelo Mestre de Avis em 1383, tem continuidade na nave da igreja, comunicando com o seu interior através da abertura de várias portas, e com o exterior por arcarias e um arco central, semelhante ao do alçado principal (SEQUEIRA, 1955).
Num plano mais recuado, a fachada da igreja ultrapassa a linha dos telhados do alpendre, com as janelas do coro, parcialmente encobertas pelo frontão do arco principal, a que se sobrepõem as duas torres, rematadas por pináculos e por cúpula oitavada, e unidas, ao centro, pelo relógio. Estes volumes verticais são complementados pelo lanternim que coroa a abóbada do cruzeiro, apenas edificada na primeira metade do século XIX.
A planta desenvolve-se em cruz latina, de nave única, com coro alto que avança em dois corpos sobre a nave, e cujo cadeiral é proveniente do Mosteiro de Cós. Sob estes corpos, abrem-se os quatro altares laterais da nave. Os do transepto exibem retábulos de talha dourada e branca, conjugando-se com o revestimento azulejar alusivo à vida de José no Egipto, e executado em 1709 pelo pintor holandês van der Kloet. Todos estes elementos, à excepção dos azulejos, pertencem a uma campanha da segunda metade do século XVIII, que integrou, ainda, os púlpitos. Na capela-mor, o retábulo é de talha dourada de estilo nacional, datando do final do século XVII.
A campanha oitocentista foi responsável, ainda, pela abertura de portas neo-góticas, recuperando também o gosto pela azulejaria árabe, ao revestir com exemples neo-árabes os nichos que se abrem na capela-mor. O ferro marca presença nas escadas de acesso à tribuna do retábulo-mor.
Uma última referência para os azulejos da sacristia e do corredor, fornecidos pelo azulejador Manuel Borges, em 1714, como consta num dos livros do Arquivo da real casa de Nossa Senhora da Nazaré. O traço dos desenhos e a ligação de Borges com a família Oliveira Bernardes, tem evado os investigadores a atribuir este conjunto a António de Oliveira Bernardes. Na verdade, o painel da abóbada do corredor de acesso à nave, é o que mais se destaca, retomando um modelo muito utilizado por este pintor noutras composições - a Assunção de Nossa Senhora gravada por Otto van Veen, a partir de uma pintura de Rubens. Gravura essa que se encontra no Museu Nacional de Arte Antiga, e que aqui foi reduzida e simplificada no que diz respeito ao grupo de anjos (MECO, 1999, p. 47).
(RC)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)
Edital de 9-09-1977 da CM da Nazaré
Despacho de homologação de 8-06-1976
Parecer de 4-06-1986 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de vogal da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Em 30-08-1988 a CM da Nazaré enviou a planta solicitada
Em 5-04-1988 foi solicitada à CM da Nazaré uma planta do Sítio da Nazaré
Proposta de 11-03-1988 do MEADJM para que se fixe a ZEP conjunta da Igreja de Nossa Senhora da Nazaré e da Ermida da Memória
Afectação 12699926
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Leiria / Nazaré / Nazaré
Largo de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio da Nazaré
Nazaré -
Polícia:
LATITUDE
39.60549
LONGITUDE
-9.076693
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1377
1377.
1383
1383, tem continuidade na nave da igreja, comunicando com o seu interior através da abertura de várias portas, e com ...
1680
1680 e 1691 o templo foi totalmente reedificado, dando lugar à igreja que hoje conhecemos, maneirista mas com traços ...
1691
1691 o templo foi totalmente reedificado, dando lugar à igreja que hoje conhecemos, maneirista mas com traços barroco...
1709
1709 pelo pintor holandês van der Kloet.
1714
1714, como consta num dos livros do Arquivo da real casa de Nossa Senhora da Nazaré.
1955
1955).
1976
1976 Parecer de 4-06-1986 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP Proposta de classif...
1977
1977 da CM da Nazaré Despacho de homologação de 8-06-1976 Parecer de 4-06-1986 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE ...
1978
1978 (ver Decreto) Edital de 9-09-1977 da CM da Nazaré Despacho de homologação de 8-06-1976 Parecer de 4-06-1986 da 4...
1986
1986 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP Proposta de classificação de vogal da 4....
1999
1999, p.
9
IMAGENS
4
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Inventário Artístico de Portugal, vol. V (Distrito de Leiria) SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1955 Lisboa
"Algumas fontes flamengas de azulejos portugueses: Otto van Veen, Rubens", Azulejo, n.º 3/7, pp. 23-60 MECO, José Edição 1999 Lisboa
Azulejaria em Portugal no século XVIII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1979 Lisboa
Os azulejos de Willem van der Kloet em Portugal (catálogo da exposição) AA.VV. Edição 1994 Lisboa

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Museu Dr. Joaquim Manso
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Ermida da Memória, também denominada «Capela de Nossa Senhora da Nazaré» ou «Capelinha do Sítio»
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