Nota Histórico-Artistica
Classificado em 1992 como "Imóvel de Interesse Público", o sítio do "Citânia da Longa" (ou, simplesmente, "Muro", como é localmente mais conhecido) está implantado no topo de um monte bastante proeminente e escarpado, nas proximidades da localidade que lhe deu nome, sendo, como é frequente junto das populações locais, atribuído à acção dos mouros, o período para o qual são normalmente remetidas todas as evidências de uma actividade humana mais antiga, da qual já se perderam, há muito, as respectivas memórias.
Erguido durante a Idade do Ferro desta zona do Noroeste peninsular, o povoado foi, à semelhança dos restantes exemplares enquadrados no universo da denominada "cultura castreja", primordialmente dotado de um complexo sistema defensivo, neste caso, constituído por duas linhas de muralha associadas aos afloramentos aí existentes, bem como às condições naturais de defesa conferidas pelas acentuadas escarpas, numa boa demonstração do modo como as comunidades proto-históricas (ou da "Pré-história recente") souberam adaptar as suas necessidades quotidianas ao que a Natureza lhes oferecia, harmonizando, sabiamente, a força telúrica e o poder moldador do Homem.
Na verdade, a visão da área de entrada do povoado impressionará pelo excelente estado de conservação em que os seus componentes chegaram até nós, oferecendo-nos a possibilidade de vislumbrar, por momentos que seja, a imponência que arqueossítios similares impunham a todos quantos deles, então, se acercavam, sobretudo quando divisavam os torreões, ainda hoje visíveis. Ultrapassando os dois metros de altura e com uma largura superior a um metro, o material granítico utilizado na sua edificação foi colocado em cunha, em sobreposição horizontal, absolutamente essencial à sua robustez e consequente perenidade.
E, uma vez mais, à semelhança do que se observa noutros castros do Norte de Portugal, também aqui foi possível identificar algumas estruturas de carácter doméstico na área delimitada pelo muralhado interno.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível