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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Marco granítico n.º 18

Arquitectura Civil / Marco

Designação
Designação Atual
Marco granítico n.º 18
Outras Designações
Marco na Quinta de Santa Luzia / Marcos de Demarcação da Zona de Produção de Vinhos Generosos do Douro em Peso da Régua (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Marco
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situado na Quinta de Santa Luzia, no Lugar da Seara, em Poiares, Peso da Régua, este marco de granito integra um vasto conjunto de padrões da mesma tipologia que demarcam geograficamente a denominada Região Vinhateira do Alto Douro, ou Alto Douro Vinhateiro.
Classificado em 1946 com o n.º 18, o padrão exibe uma forma paralelepipédica de remate irregular, medindo 85 cm de altura por 36 cm de largura. A estrutura, que está encostada a um muro junto ao pátio da casa principal da quinta, apresenta na face principal a inscrição "EITORIA 1758", distribuída por três linhas, que está truncada na linha superior.
História
Embora se conheçam referências documentais ao Vinho do Porto desde o terceiro quartel do século XVII, será a partir do Tratado de Methuen, celebrado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, que este produto começou a granjear o prestígio que ainda hoje detém. O referido acordo entre as duas coroas estimulou de forma notória a produção nacional, procedendo-se então à reestruturação dos vinhedos e elegendo-se os terrenos da zona do Cima Corgo para a sua produção.
No entanto, a elevada produção da região, que transformou totalmente a sua paisagem e passou a dedicar-se em exclusivo à vinha, levou a uma crise de superprodução de vinho, apenas ultrapassada com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no ano de 1756, por iniciativa do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. O estabelecimento da Companhia teve como objetivo demarcar a região vinícola do Alto Douro, garantindo assim a qualidade do vinho e criando a primeira zona mundial de origem controlada no sentido em que é hoje entendido esse conceito.
Foi justamente no âmbito desta medida que em 1757 se procedeu à demarcação da área dos terrenos de produção vinícola, ou dos vinhos de "feitoria", através da colocação de 201 marcos de granito, aos quais se juntaram, em 1761, mais 134 marcos. Este vasto conjunto de imponentes padrões de pedra marcam uma extensa região que se estende ao longo do troço médio do vale do Douro e parte dos seus afluentes, definida entre Barqueiros e Freixo de Espada à Cinta, subdividindo-se, grosso modo, nas três sub-regiões do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, abrangendo nove concelhos dos distritos de Vila Real e Viseu.
Executados em granito, estes padrões paralelepipédicos foram todos gravados com a designação "Feitoria"; alguns exibem, também, o número de ordem da colocação, ou o ano em que foram colocados. A demarcação e a respetiva colocação dos marcos foram realizadas pela Comissão Demarcante constituída por Carvalho e Melo em 1757; o texto resultante deste trabalho permite identificar as vinhas demarcadas, os seus proprietários e o local de implantação original do marco.
Em 1946 grande parte dos marcos pombalinos foram classificados como de interesse público, sendo então catalogados com um número. Estão integrados na classificação do Alto Douro Vinhateiro, inscrito em 2001 na lista de Património Mundial da UNESCO e classificado como Monumento Nacional desde 2010.
Este marco classificado com o n.º 18 esteve, durante décadas, reaproveitado na padieira de uma janela de uma habitação na aldeia da Seara, encontrando-se neste local quando foi classificado. Poderá corresponder ao décimo primeiro marco da primeira demarcação entre os rios Corgo e Ceira, nos lugares da Granja, Presegueda, Alvações do Corgo, Ermida e Penelas, e que desapareceu por volta de 1870 de uma propriedade da Portela.
Nos anos 70 do século XX, o Capitão Afonso de Araújo reconheceu o marco e propôs a sua compra ao proprietário da habitação onde estava integrado, que lho ofereceu por não reconhecer qualquer valor "à pedra" (Fauvrelle: 2007, p. 67). O padrão foi, então, colocado no interior da Quinta de Santa Luzia, propriedade do Capitão, procurando restituir a sua função original.
Catarina Oliveira
DGPC, 2018
(com a colaboração do Museu do Douro)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 35 909, DG, Série I, n.º 236, de 17-10-1946 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Vila Real / Peso da Régua / Vilarinho dos Freires
-- -
Ceara -
Polícia:
LATITUDE
41.190907
LONGITUDE
-7.733863
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1703
1703 entre Portugal e Inglaterra, que este produto começou a granjear o prestígio que ainda hoje detém. O
1756
1756, por iniciativa do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. O
1757
1757 se procedeu à demarcação da área dos terrenos de produção vinícola, ou dos vinhos de "feitoria", através da colo...
1758
1758", distribuída por três linhas, que está truncada na linha superior.HistóriaEmbora se conheçam referências docume...
1761
1761, mais 134 marcos.
1870
1870 de uma propriedade da Portela.Nos anos 70 do século XX, o Capitão Afonso de Araújo reconheceu o marco e propôs a...
1946
1946 (ver Decreto) ImóvelSituado na Quinta de Santa Luzia, no Lugar da Seara, em Poiares, Peso da Régua, este marco d...
2001
2001 na lista de Património Mundial da UNESCO e classificado como Monumento Nacional desde 2010.Este marco classifica...
2007
2007, p.
2010
2010.Este marco classificado com o n.º 18 esteve, durante décadas, reaproveitado na padieira de uma janela de uma hab...
2018
2018(com a colaboração do Museu do Douro)
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Marcos da Demarcação AA.VV. Edição 2007 Peso da Régua
As demarcações pombalinas no Douro vinhateiro FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da Edição 1951 Porto
As demarcações marianas no Douro vinhateiro FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da Edição 1996 Porto

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