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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Área do Castelo de Gaia

Arquitectura Civil / Área

Designação
Designação Atual
Área do Castelo de Gaia
Outras Designações
Monte do Castelo / Povoado na Área do Castelo de Gaia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Área
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Em termos arqueológicos, Vila Nova de Gaia cedo mereceu o interesse de curiosos e estudiosos, num contexto oitocentista assaz propício à realização de escavações, em pleno despertar europeu para a jovem ciência arqueológica, que teve de igual modo entre nós uma expressão bastante promissora. Desde José Leite de Vasconcellos (1858-1941), passando por António Augusto Esteves Mendes Corrêa (1888-?) até Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869-1940), foram vários os nomes de todos quantos se dedicaram à investigação arqueológica da cidade e seu concelho desde finais do século XIX até ao apogeu do Estado Novo, quando se observou um certo declínio nos estudos entretanto realizados neste âmbito tão específico da cultura portuguesa, em grande parte decorrente da ausência do necessário investimento estatal ao seu incremento generalizado. Esta situação seria, contudo, ultrapassada, assistindo-se a um visível e amplo desenvolvimento da investigação arqueológica conduzida ao longo das últimas três décadas, durante as quais se tem vindo a conceder uma atenção muito especial aos vestígios medievos da cidade de Vila Nova de Gaia, e, mais propriamente, a toda a área ocupada pelo "Castelo de Gaia".

A referência mais antiga de que há conhecimento sobre o "Castelo" remonta a meados do século XVI e é da lavra do conhecido cronista João de Barros (1496-1570), para quem He tão antigo que dizem o fundou Caio Julio Cesar e dahi tomou o nome, uma tradição, aliás, retomada dois séculos depois, quando se referiu serem os muros do "Castelo" fabrica do tempo, e uso Romano (GUIMARÃES, Gonçalves, 2000, p. 157). Na verdade, estas alusões não deverão surpreender, pois ilustram bem o contexto cultural vivido nas duas centúrias, mesmo com duzentos anos a separá-las: enquanto a Era de quinhentos revivia a Antiguidade Clássica através do seu Renascimento, setecentos deslumbrava-se com a descoberta de sítios tão paradigmáticos da cultura ocidental, como Pompeia, Herculano e Estábia, enquanto se embrenhava no movimento Neoclássico.

Entretanto, e apesar de as estruturas se encontrarem bastante derruídas e os materiais fragmentados e misturados, as escavações realizadas na "Área do Castelo de Gaia" (sobretudo a partir de 1983, sob orientação de Armando Coelho Ferreira da Silva) permitiram, por um lado, confirmar a sua ocupação durante o período romano e, por outro, relançar a velha questão da localização de Cale e de um dos dois Portucale (GUIMARÃES, Gonçalves, 2000, p. 157). Além disso, as investigações trouxeram à luz do dia vestígios (nomeadamente de cerâmica mamilar) daquele que terá sido um povoado fortificado do Bronze Final (embora alguns materiais pareçam indiciar uma anterior presença humana durante o Calcolítico (CARVALHO, Teresa Pires de, FORTUNA, Jorge, 2000, p. 160)), com reutilizações datáveis do século I d. C. e Baixo Império Romano, confirmadas, ademais, pela identificação de vários troços de uma monumental muralha romana e recolha de uma vasta série de fragmentos cerâmicos, sem que surgissem, contudo, os elementos identificadores de um castelo medieval no seu perímetro.

Foram, no entanto, encontradas determinadas estruturas pétreas (algumas em negativo) e elementos cerâmicos cronologicamente atribuíveis à Alta Idade Média, Idade Média e Baixa Idade Média (GUIMARÃES, Gonçalves, 1995, p. 131 e segs.), embora a grande concentração de materiais pareça apontar para uma presença humana mais constante no local entre os séculos V e VII. Mas, quanto ao castelo medieval, propriamente dito, não será de afastar a hipótese de as suas estruturas terem sido destruídas pela população durante a crise de 1383-1385, como registou o cronista-mor do reino, Fernão Lopes (1380 ?-1460?), na sua Crónica de D. João I.

Estamos, pois, em presença de uma sobreposição de níveis ocupacionais com reutilização de materiais, a atestar, no fundo, a importância estratégica do local.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Localização
Porto / Vila Nova de Gaia / Santa Marinha e São Pedro da Afurada
-- -
Vila Nova de Gaia -
Polícia:
LATITUDE
41.139859
LONGITUDE
-8.624449
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1380
1380 ?-1460?), na sua Crónica de D.
1383
1383-1385, como registou o cronista-mor do reino, Fernão Lopes (1380 ?-1460?), na sua Crónica de D. J
1385
1385, como registou o cronista-mor do reino, Fernão Lopes (1380 ?-1460?), na sua Crónica de D. J
1460
1460?), na sua Crónica de D.
1496
1496-1570), para quem He tão antigo que dizem o fundou Caio Julio Cesar e dahi tomou o nome, uma tradição, aliás, ret...
1570
1570), para quem He tão antigo que dizem o fundou Caio Julio Cesar e dahi tomou o nome, uma tradição, aliás, retomada...
1858
1858-1941), passando por António Augusto Esteves Mendes Corrêa (1888-?) até Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869-1...
1869
1869-1940), foram vários os nomes de todos quantos se dedicaram à investigação arqueológica da cidade e seu concelho ...
1888
1888-?) até Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869-1940), foram vários os nomes de todos quantos se dedicaram à inve...
1940
1940), foram vários os nomes de todos quantos se dedicaram à investigação arqueológica da cidade e seu concelho desde...
1941
1941), passando por António Augusto Esteves Mendes Corrêa (1888-?) até Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869-1940),...
1983
1983, sob orientação de Armando Coelho Ferreira da Silva) permitiram, por um lado, confirmar a sua ocupação durante o...
1990
1990 (ver Decreto) Em termos arqueológicos, Vila Nova de Gaia cedo mereceu o interesse de curiosos e estudiosos, num ...
1995
1995, p.
2000
2000, p.
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Gaya no passado, Mea Villa de Gaya FORTES, José T. Ribeiro Edição 1909 Porto
"A arqueologia medieval e moderna na região do Porto. Breve balanço e algumas reflexões críticas", Al-Madan GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes, SILVA, António Manuel S. P., RODRIGUES, Miguel Carlos Lopes Brandão Areosa Edição 2000 Almada
"Muralha romana. Descoberta no Castelo de Gaia", Al-Madan FORTUNA, Jorge, CARVALHO, Teresa Pires de Edição 2000 Almada
As origens da cidade do Porto CORRÊA, A. A. M. Edição 1935 Porto
"As estradas romanas no concelho de Gaia", Brotéria MATTOS, A. Edição 1935 Porto
"O Castelo de Gaia - propostas para um estudo actual", Livro do Congresso, Segundo Congresso sobre Monumentos Militares Portugueses GUIMARÃES, Gonçalves Edição 1984 Lisboa
"Um século de Arqueologia em Vila Nova de Gaia", Al-Madan GUIMARÃES, Gonçalves Edição 2000 Almada
"Aspectos da protohistória e romanização no concelho de Vila Nova de Gaua e problemática do seu povoamento", Gaya SILVA, A. C. F. da Edição 1984 Gaia
Plano de Pormenor do Castelo de Gaia. Inventário Geral. 1.ª Parte AFONSO, J. A., CAMPOS, E., GUIMARÃES, J. A. G., PEDROSA, A. de S., PEDROSA, F. T., TAVARES, F. T., VALENTE, A. M. Edição 1989 Vila Nova de Gaia

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Paço do Campo Belo, incluindo a capela e todo o seu conjunto circundante, nomeadamente os jardins
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