Nota Histórico-Artistica
Desconhece-se a data exacta em que a Quinta da Granja foi fundada, sabendo-se apenas que no início do século XVI esta propriedade rural já existia, tendo sido doada à Ordem de Cristo em 1531. Entre esta data e o ano de 1543 o prior do Convento de Cristo, Frei António de Lisboa, aumentou a área da quinta, mandando construir no local um "assento de casas com oratório" que passaram a servir de casa de repouso aos freires de Tomar (ROSA, 1971, pp. 241-242).
Estas casas quinhentistas foram reformadas no primeiro quartel do século XVII, durante o priorado de Frei António Moniz. A campanha de obras, realizada entre 1617 e 1626, englobou a reconstrução do edifício principal aproveitando a estrutura primitiva, e desta forma aquele passou a ter dois corpos distintos, que formam uma planta rectangular.
O edifício apresenta a fachada principal dividida em dois registos, o superior rasgado por várias fenestrações de moldura rectangular dispostas a espaços regulares. As fachadas laterais são marcadas pela disposição de contrafortes com remates piramidais.
A fachada lateral esquerda tem no andar superior uma loggia de arcadas duplas, ao centro da qual foi aberta uma janela de modelo serliano. O conjunto é rematado por outra janela, ladeada por volutas. A antiga capela da casa dispõe-se junto à fachada posterior, sendo a nave decorada com painéis de azulejos seiscentistas (SALEMA, 1989).
Embora fosse uma residência monacal, a Casa da Granja tinha fortes características rurais, pelo que o piso térreo estava originalmente reservado às dependências agrícolas. No andar nobre dispõem-se as divisões residenciais, com um largo corredor virado para a fachada principal, para o qual se abrem as antigas celas dos freires.
Nestas divisões destaca-se o programa decorativo, composto por vários painéis de azulejos, cuja execução se poderá datar entre 1619 e 1626 (SIMÕES, 1971, p. 168), estando algumas salas decoradas com azulejos de caixilho azuis e brancos, e outras divisões com azulejos ponta de diamante . A escadaria que permite o acesso ao andar nobre possui, igualmente, um rodapé com azulejos de caixilho, e na Casa da Granja existe ainda um curioso fogão "azulejado" (SALEMA, 1989, p. 95).
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 20 de Julho de 2006
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital N.º 48/88 de 20-09-1988 da CM de Tomar
Despacho de homologação de 31-05-1988 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 12-05-1988 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Nova proposta de classificação de 11-06-1985 da CM de Tomar, após deliberação de 2-05-1985
Proposta de classificação de 6-05-1980 da CM de Tomar, após deliberação de 20-03-1980
Proposta de classificação do CEPPRT
Número do Processo
Não disponível