Nota Histórico-Artistica
A ermida do Calvário encontra-se implantada no antigo Rossio, centro de poder onde se situam outras construções de grande relevância, como a antiga pousada real dos Vilalobos de Vasconcelos, a par de edifícios religiosos e residências seiscentistas e setecentistas.
As suas origens, nomeadamente, a fundação da confraria dos Passos e das Almas, remonta a 1592, iniciando-se a obra da igreja em 1593. No decorrer da centúria seguinte, o templo foi objecto de intervenções sucessivas, ditadas pela necessidade de aumentar o espaço: em 1633 incidiram na sacristia e em 1668 a nave. Este motivo esteve na origem da ideia de ampliar a igreja, ou construir uma outra de maiores dimensões, num processo que teve início em 1690. É, pois, neste contexto, que se deverá integrar a obra da sacrista, objecto da presente classificação. Os trabalhos iniciaram-se, ao que tudo indica, nos primeiros anos de Setecentos, mas em 1758 ainda se registam notícias de trabalhos a decorrer no templo. Na verdade, esta data encontra-se no lintel da porta, datando o término da fachada, cujo registo superior denuncia as formas dinâmicas de cariz barroco que imprimiram ao conjunto uma renovada actualização estética.
A nave, única, exibe um conjunto de elementos decorativos de época muito posterior, como o fresco do Calvário da autoria do pintor Domingos Rebelo e executado em 1956, ou os azulejos alusivos à Via Sacra, da Fábrica de Santana, em Lisboa. Já a capela-mor conserva os elementos barrocos, com caixotões, e retábulos joaninos.
A sacristia foi, originalmente, a Sala do Despacho da Confraria das Almas, facto que justifica o maior empenho que os irmãos dedicaram à sua concepção. Desenvolve-se em planta quadrada, coberta por cúpula abatida, totalmente revestida por azulejos azuis e brancos, de figura avulsa, organizados em painéis delimitados por barras. Ao centro, também em azulejo, mas polícromo, um painel com a representação do patrono da confraria, São Miguel Arcanjo a pesar as almas.
Os equipamentos que encontramos neste espaço pertencem à mesma campanha. O nicho com a imagem de Nossa Senhora da Vida exibe, em azulejo, a data de 1716, tal como o lavabo barroco, decorado por motivos vegetalistas.
Uma última referência para os alçados exteriores da sacrista, onde ganha especial importância o que é aberto por uma janela protegida por uma grade de ferro forjado.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível