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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Estação Arqueológica Romana de São Lourenço

Arqueologia / Villa

Designação
Designação Atual
Estação Arqueológica Romana de São Lourenço
Outras Designações
Estação Arqueológica Romana de São Lourenço / Villa Romana de São Lourenço / Tapada de São Lourenço / São Lourenço de Monsante (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / (Ver Ficha em www.arqueologia.patrimoniocultural.pt)
Tipologia
Villa
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Sítio
A Estação Arqueológica Romana de São Lourenço localiza-se no lugar de São Lourenço, na União de freguesias de Monsanto e Idanha-a-Velha. Integrava-se no território do Conventus Emeritensis, província da Lusitania. Implanta-se a cerca de 2,5 km a noroeste de Monsanto e a 4 km a poente de Medelim, numa região de amplos recursos hídricos e solos de vocação agrícola. A ocidente corre a Ribeira dos Boieiros e a sul a de Monsantela.
Os vestígios detetados correspondem a villa, da qual foi identificado um balneário privado. Apesar de ainda não se encontrar integralmente escavado, já foram registados diversos espaços, destacando-se um tanque circular com três fiadas de degraus em todo o perímetro, revestido a opus signinum, cuja funcionalidade não reúne consenso entre os diversos investigadores. Assim, Maria Pilar Reis considera destinar-se a um frigidarium, enquanto Carlos Banha propõe a possibilidade de se tratar de um lacónio. Segue-se uma divisão com um tanque, igualmente forrado a opus signinum, com dois degraus de acesso pelo lado sul e três pelo lado norte, e duas áreas ainda de funcionalidade indeterminada, a que se junta um compartimento pavimentado a argamassa. É mencionada a presença de diversas canalizações em granito e em chumbo. Outras estruturas parcialmente identificadas poderão fazer parte do complexo termal. A zona posta a descoberto engloba uma superfície de 350 m², sendo expetável que este corresponde-se a um grande edifício de 650 m². A cronologia do balneum não é conhecida, assinalando-se apenas a recolha de uma bulla (medalhão constituído por duas metades unidas) datada do século I d.C..
Diversos autores alertam para a extensa área de dispersão de materiais e até para a existência de estruturas na envolvente direta, tal como o fez Artur Corte Real que, em 1987 detetou um piso em opus signinum e materiais de construção no caminho de acesso.
A cerca de 500 metros para noroeste, entre os sopés das Serras da Moreirinha e dos Alegrios, encontra-se a pequena barragem do Rochoso, de construção romana, cuja reduzida bacia, inabilitada a prover uma exploração agrícola da dimensão compatível com uma villa, aliada a um aqueduto granítico que se dirige às ruínas do balneário, permitem ao investigador Mário Fortes, atribuir-lhe uma funcionalidade ligada ao abastecimento dos referidos banhos. O seu paredão foi edificado em terra e granito e represava águas pluviais e de uma nascente a montante.
Pertence presumivelmente à Antiguidade Tardia um conjunto de quatro sepulcros em pedra, provenientes deste local, três em granito e um em mármore, situados na área que tradicionalmente é atribuído às ruínas de uma Capela de São Lourenço, onde também foram exumadas, em 1920, várias peças balizadas entre o século I e II d.C.. Fazem parte deste espólio três lucernas, uma estatueta feminina, um anel em ouro e alguns recipientes cerâmicos, todas de Época Romana, assim como um diadema que poderá remontar à Idade do Ferro.
História
A ocupação romana em São Lourenço é conhecida, pelo menos, meados do século XVIII, atestada por uma nota do padre Ayres Francisco de Proença e Sylva, datada de 1758, em que alude à identificação de um aqueduto romano que se dirige a São Lourenço de Monsantel, onde têm saído centenas de pedras aparelhadas, e ainda ali existem muitas e muitas enterradas. Nos anos 50 do século passado, a descoberta das sepulturas em pedra e de abundantes vestígios romanos indicavam a D. Fernando de Almeida, Nobre Gusmão e Veiga Ferreira a hipótese de existência uma necrópole romana associada a um templo, posteriormente convertido em capela cristã. As primeiras escavações realizadas datam de 1960, sob a orientação de Graça Moreira, que exumou parte das estruturas do balneum. Nos anos 80 Joaquim Santos realizou aqui duas intervenções que incidiram de igual modo nas estruturas termais.
Ana Vale
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Castelo Branco / Idanha-a-Nova / Monsanto e Idanha-a-Velha
EN 239, ao km 23, por caminho público a sudoeste
- -
Polícia:
LATITUDE
40.055082
LONGITUDE
-7.131653
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1758
1758, em que alude à identificação de um aqueduto romano que se dirige a São Lourenço de Monsantel, onde têm saído ce...
1920
1920, várias peças balizadas entre o século I e II d.C.. Fa
1960
1960, sob a orientação de Graça Moreira, que exumou parte das estruturas do balneum. No
1987
1987 detetou um piso em opus signinum e materiais de construção no caminho de acesso.A cerca de 500 metros para noroe...
1992
1992 (ver Decreto) SítioA Estação Arqueológica Romana de São Lourenço localiza-se no lugar de São Lourenço, na União ...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Las termas y balnea romanos de Lusitania, STVDIA LVSITANA REIS, Maria Pilar Edição 2004 Mérida
Relatório dos Trabalhos Arqueológicos - São Lourenço MOREIRA, Maria da Graça de Carvalho Edição 1960
Relatório de Trabalhos Arqueológicos - Estação Arqueológica de São Lourenço SANTOS, Joaquim Manuel Batista dos Edição 1985
"Antiguidades de Monsanto da Beira", Revista de Guimarães FERREIRA, Octávio da Veiga, ALMEIDA, Fernando de Edição 1956
Barragens Romanas do Distrito de Castelo Branco, <i>Conimbriga</i>, XXXIV CARDOSO, João Luís, MASCARENHAS, José Manuel, QUINTELA, António de Carvalho Edição 1995
Monsanto, História e Arqueologia MILHEIRO, Maria Manuela Edição 1972
Castelo Branco e sua Região NUNES, António Pires Edição 1980 Castelo Branco
A xestión da auga na paisaxe romana do occidente peninsular FORTES, Mário Edição 2008

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