As origens do culto à Senhora de Mércoles encontram-se longe de estar esclarecidas. No local onde a Idade Média construiu o santuário que hoje subsiste foram identificados numerosos materiais de época romana - materiais que continuam a ser revelados a cada nova intervenção urbana neste espaço -, o que levou alguns autores a sugerir tratar-se de espólio relacionado com uma antiga cidade. Por outro lado, a própria invocação de Mércoles poderá estar associada a uma divindade pré-romana, posteriormente integrada no panteão clássico, como o parece provar a descoberta de um altar dedicado a Mercúrio neste mesmo local, e, mais tarde ainda, definitivamente cristianizada.
O templo gótico resulta de uma campanha de finais do século XIV - embora pareça ter existido uma construção ligeiramente anterior -, provavelmente relacionada com a iniciativa da Ordem do Templo, que detinha a tutela sobre toda a região de Castelo Branco. O produto final é bem o reflexo das distintas correntes da nossa arte gótica na transição dinástica que impôs a família de Avis. O portal principal, de três arquivoltas e inserido num gablete, insere-se numa tipologia de portais góticos particularmente seguida em Portugal e que recua mesmo aos primórdios deste estilo em território nacional. Já a decoração vegetalista dos seus capitéis aponta claramente para a primeira fase do grande estaleiro do Mosteiro da Batalha, a principal obra de revolução do Gótico para a viragem do século XV.
A igreja actual apresenta numerosas características da época moderna, sintoma das várias campanhas artísticas que se sucederam no espaço do santuário. De inícios do século XVII data o revestimento azulejar do interior e parte da decoração retabular. Sensivelmente um século depois foi efectuada a reforma da fachada principal, a que se adossaram dois torreões de planta quadrangular, responsáveis pela sensação de rigorosa simetria que caracteriza este elemento. Ainda da época barroca data a monumental escadaria de acesso ao adro do templo, bem como diversas outras obras de melhoramentos do local.
Nos últimos dois séculos o edifício foi objecto de campanhas restauradoras parcelares, que alteraram, em alguma medida, o produto gótico-barroco do século XVIII. Em 1857 teve lugar uma das mais marcantes renovações, sendo levantadas novas paredes laterais, substituindo-se parte da cobertura, entaipando-se algumas janelas originais e construindo-se novos espaços alpendrados anexos ao conjunto edificado. Mais recentemente, entre 1980 e 1983, foi desenvolvida uma campanha de restauro integral, da responsabilidade dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que logrou identificar numerosas partes originais, a que se adicionou a musealização genérica dos vestígios de pintura a fresco do interior, bem como a remoção de elementos do século XIX. A Senhora de Mércoles continua a ser palco de uma das mais importantes romarias da região, realizada na segunda semana após o Domingo de Páscoa.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 42 692, DG, I Série, n.º 276, de 30-11-1959 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
12707538
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Castelo Branco / Castelo Branco / Castelo Branco
- a 3 km a E de Castelo Branco
- -
Polícia:
LATITUDE
39.819256
LONGITUDE
-7.450644
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1857
1857 teve lugar uma das mais marcantes renovações, sendo levantadas novas paredes laterais, substituindo-se parte da ...
1959
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Elementos para um inventário artístico do Distrito de Castelo Branco