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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Estação arqueológica do Alto do Coto da Pena

Arqueologia / Povoado Fortificado

Designação
Designação Atual
Estação arqueológica do Alto do Coto da Pena
Outras Designações
Povoado do Alto do Couto da Pena (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Povoado Fortificado
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Embora já referenciada pelo conhecido arqueólogo de novecentos, Abel Viana, como sendo um castro (VIANA, A., 1932), foram, na verdade, as escavações empreendidas nos anos oitenta do século passado na "Estação arqueológica do Alto do Coto da Pena" que permitiram colocar a descoberto uma série de vestígios estruturais característicos deste tipo de povoado fortificado, neste caso situado no topo de um maciço rochoso existente na confluência do rio Coura com o Minho.

Perfeitamente enquadrado na região em termos cinegéticos e culturais, mantendo uma relação de proximidade privilegiada com o mar, o rio e outros importantes povoados fortificados da Idade do Ferro, como a "Cividade de Âncora" e "Santa Tecla" (este último já na Galiza), o castro do "Coto da Pena" tem ocupado um lugar central na investigação geral da temática castreja, ainda que uma pequena parte da área originalmente ocupada pelo povoado tivesse sido destruída em finais do anos setenta na sequência da realização de trabalhos de terraplanagem.

E, na verdade, foi, precisamente, esta situação que alertou as autoridades e a população local para a urgência do seu estudo, promovendo-se, de imediato, prospecções arqueológicas no terreno, que permitiram recolher, à superfície, inúmeros artefactos distintivos deste tipo de arqueossítio, como materiais líticos, objectos metálicos e os sempre presentes fragmentos cerâmicos, a atestar, no fundo, o carácter permanente do qual se revestiu a sua ocupação ao longo de uma determinada baliza cronológica, ocorrida, neste caso, entre a Idade do Ferro, o período de ocupação romana do actual território português e a Idade Média (com a construção de um castelo na zona alta), embora tenham sido identificados vestígios que denunciam uma primeira ocupação ainda durante a Idade do Bronze.

Estamos, por conseguinte, em presença de um povoado dotado de um complexo sistema muralhado harmonizado com as excelentes condições defensivas proporcionadas pela própria topografia do terreno, amplo de afloramentos graníticos e de acentuado declive. Na realidade, foi apenas possível, até ao momento, identificar uma única linha de muralha, contrariamente ao que sucede numa parte expressiva dos sítios congéneres. Assente numa superfície especialmente preparada para o efeito na rocha aí existente, a muralha é composta de vários alinhamentos de material pétreo afeiçoado de forma diversa, definindo toda uma área interna destinada às actividades domésticas. Aqui, registaram-se várias estruturas habitacionais graníticas de planta circular, alongada e rectangular (mas com os ângulos arredondados), aparentemente nucleadas, algumas das quais com lareira, a par de uma edificação circular destacada das restantes por ocupar a cota mais elevada do povoado. Factores estes que, no conjunto, contribuem para a originalidade deste povoado no contexto da denominada "Cultura Castreja" desta região do país.

E o espólio exumado no local parece confirmar esta situação, para além de consubstanciar o facto de ter desfrutado de uma posição privilegiada ao nível da agricultura, da pastorícia, da exploração marítima e da própria actividade comercial, bem patente nos múltiplos objectos recolhidos, eles próprios a denunciarem a existência de relações atlânticas, hallstáticas, meridionais e mediterrâneas.

Temos, assim, que, para além das cerâmicas indígenas fabricadas manualmente em pastas grosseiras, mas com excelentes acabamentos e uma gramática decorativa geométrica incisa e estampilhada, surgem os exemplares importados, maioritariamente decorrentes de trocas realizadas entre os séculos IV e III a.C., posteriormente acentuadas a partir da segunda metade do século I d. C., até aos III-IV (num movimento registado pela presença de tegulae, imbrices, ânforas, sigillata hispânica e vidros), altura em que ocorreu um violento incêndio alastrado a todo o povoado.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Caminha / Caminha (Matriz) e Vilarelho
Alto do Coto da Pena
- -
Polícia:
LATITUDE
41.866373
LONGITUDE
-8.835155
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1932
1932), foram, na verdade, as escavações empreendidas nos anos oitenta do século passado na "Estação arqueológica do A...
1986
1986 (ver Decreto) Embora já referenciada pelo conhecido arqueólogo de novecentos, Abel Viana, como sendo um castro (...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal SILVA, Armando Coelho Ferreira da Edição 1986 Paços de Ferreira
"Coto da Pena", Informação Arqueológica SILVA, Armando Coelho Ferreira da, LOPES, António Baptista Edição 1985 Lisboa
"A cultura castreja no noroeste de Portugal. Habitat e cronologias", Portugália SILVA, Armando Coelho Ferreira da Edição 1984 Porto
"Justificação de um cadastro de monumentos arqueológicos para o estudo da arqueologia do Alto-Minho", Anuário do Distrito de Viana do Castelo VIANA, Abel Edição 1932 Viana do Castelo
Guia de Portugal, v.4, t. II : Entre Douro e Minho, Minho DIONÍSIO, Sant'Ana Edição 1996 Lisboa
Caminha e seu concelho ALVES, Lourenço Edição 1985 Caminha

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