Nota Histórico-Artistica
A actual invocação remonta ao século XVIII, uma vez que, até aí, a ermida era dedicada ao Senhor Crucificado, e designada por Senhor do Monte, por se encontrar num local ligeiramente elevado. A consagração a Nossa Senhora das Dores deve-se à devoção dos estudantes de Gramática Latina, que se organizaram de forma a obter financiamento para encomendar uma imagem de Nossa Senhora, o que aconteceu com a ajuda dos moradores. Esta, foi então colocada na ermida do Senhor do Monte a partir de 24 de Julho de 1768, data em que o Arcebispo concedeu autorização para tal. Seguiu-se a criação de uma confraria e o início daquela que foi uma longa campanha de obras, que visou remodelar a antiga ermida.
O início de edificação, com planta hexagonal, ocorreu em 1779, sob a supervisão do padre José Pedro Baptista, pertencente à confraria. Em 1880, estaria terminada, pois data desse ano a execução do retábulo de talha, por Manuel Alves Couto, de Landim. A fachada, contudo, era bastante diferente daquela que hoje conhecemos. Dividida em três panos, com os laterais recuados e abertos por janelas de sacada, exibe, ao centro, um portal coroado por frontão interrompido, a que se sobrepõe uma ampla janela. O alçado é percorrido por uma cimalha, curva no pano central. É a partir deste elemento que se verificam as diferenças, uma vez que os corpos laterais deveriam corresponder a duas torres que nunca foram terminadas devido às resistências dos arquitectos, que as consideravam excessivamente estreitas. A solução encontrada foi a de edificar apenas uma torre central, sugestão apresentada em 1805 pelo arquitecto portuense Joaquim da Costa Lima e Sampaio. Contudo, tal só foi aceite pela Confraria em 1812, erguendo-se em dois registos, no eixo do portal. É percorrida por balaustrada e rematada por cúpula. Os corpos correspondentes às antigas torres são encimados também por balaustrada. Assim, e apesar das múltiplas condicionantes, parte das quais por falta de verbas, a igreja de Nossa Senhora das Dores ficou concluída no início do século XIX, denotando, na sua dinâmica e ritmos, uma linguagem arquitectónica e decorativa que se aproxima do gosto barroco.
No interior, e para além do já mencionado retábulo, ganha especial relevância o conjunto de azulejos da capela-mor, aplicados na década de 1870, e que se dividem em dois registos - de padrão "ponta de diamante" no primeiro e figurativos no segundo. Na nave, as capelas abrem-se em arco de volta perfeita e as paredes são, também, revestidas por azulejos de padrão.
No exterior, a iconografia de Nossa Senhora das Dores foi complementada, em 1886, pela construção de seis capelas de reduzidas dimensões, alusivas às dores da Virgem.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível