Nota Histórico-Artistica
Este conjunto arqueológico, localizado na serra da Pardela, numa pequena elevação sobranceira ao ribeiro da Fraga, constitui uma das explorações mineiras (essencialmente aurífera) mais importantes de todo o antigo Império Romano. Inserida num complexo do qual também faziam parte as minas de Jales e da Gralheira, a exploração de Tresminas teve, ao contrário destas, duração praticamente limitada aos séculos I e II, o que permitiu assinalável conservação dos vestígios da mineração romana nas suas diversas fases de desenvolvimento, bem como das diferentes atividades associadas.
O sítio composto por grandes áreas cavas (cortas) a céu aberto, trincheiras e galerias, uma área de habitat, uma necrópole, uma cisterna e uma zona de lavarias, corresponde à zona central de escavação, à qual recentes investigações permitiram acrescentar um recinto identificado como anfiteatro, numerosos artefactos relacionados com a mineração e ainda duas barragens de terra situada no rio Tinhela, a três quilómetros de distância, bem como a complexa rede de canais e túneis que ligava o conjunto das estruturas.
O Túnel do Pedroso e as barragens romanas de Tinhela de Baixo, Norte e Sul, formando o essencial do monumental sistema de armazenamento e condução de água para abastecimento das minas a partir do rio, possuem, desde 2012, classificação autónoma, justificada pela vasta área de distribuição. No entanto, é forçoso destacar a importância patrimonial destas realidades arqueológicas distintas, mas complementares, bem como a notável capacidade de planificação de um complexo de tal dimensão territorial, articulando distintas tipologias arquitetónicas, marcando fortemente a paisagem envolvente e constituindo um dos melhores e mais significativos exemplos de exploração aurífera da Península Ibérica.
Para além dos fatores acima elencados, deve destacar-se, nesta classificação, a apreciável integridade dos vestígios arqueológicos abrangidos, o seu valor enquanto testemunhos excecionais da atividade mineira na antiguidade e o facto de constituírem um marcador significativo de uma paisagem cultural relevante.
Sílvia Leite/DBC/2024
Diploma de Classificação
Portaria n.º 856/2024/2, DR, 2.ª série, n.º 231, de 28-11-2024 (fixou as restrições) (ver Portaria)
Decreto n.º 6/2024, DR, 1.ª série, n.º 213, de 4-11-2024 (alterou a área classificada e reclassificou como SIN/MN) (ver Decreto)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 28-09-2024 do presidente do Património Cultural, I.P.
Anúncio n.º 263/2023, DR, 2.ª série, n.º 250, de 29-12-2023 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 9-11-2023 do diretor-geral da DGPC
Proposta favorável de 10-05-2023 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 26-07-2021 da DRC do Norte para a reclassificação como MN, após parecer favorável de 17-06-2021 da CM de Vila Pouca de Aguiar
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (classificou como IIP) (ver Decreto)
Edital de 12-05-1993 da CM de Vila Pouca de Aguiar
Despacho de autorização de 7-06-1988 da Secretária de Estado da Cultura
Parecer de 30-05-1988 da 1.ª Secção do Conselho Consultivo do IPPC
Proposta de 2-02-1988 dos SRAZN para a classificação como IIP
Número do Processo
Não disponível