Nota Histórico-Artistica
As informações referentes à Quinta do Bairro não são muito numerosas, mas os dados divulgados pelos autores que se têm debruçado sobre esta propriedade, fazem recuar a sua origem ao tempo de D. Dinis (MELO, GUAPO, MARTINS, 1984, p. 59). Todavia, só em meados o século XVI voltam a surgir elementos referentes à quinta, nomeadamente a identificação do seu proprietário, Manuel de Sousa Chichorro e sua mulher (HENRIQUES, 1873), ambos fazendo parte a confraria do Espírito Santo (REGO, 1968). Um novo hiato documental é quebrado pelo Padre Carvalho da Costa, no inicio do século XVIII, ao nomear Ascenço de Sequeira como proprietário da quinta, que se mantinha na posse da mesma família, e assim continuaria (HENRIQUES, 1873).
A edificação que hoje conhecemos remonta, muito possivelmente, ao século XVII, não tendo sido identificados, até à data, vestígios de construções anteriores. A depuração caracteriza todo o conjunto arquitectónico, estruturado em função de um pátio interno, para onde se abre a fachada principal do edifício habitacional, e as restantes dependências agrícolas. Acede-se a este pátio através do portão de verga recta, aberto no muro de prolongamento da casa. Só o seu coroamento recortado apresenta algum dinamismo, enquadrando a pedra de armas da família - escudo partido dos Siqueiras e Sousas do Prado, correspondendo este último ao título de Conde de São Martinho (MELO, GUAPO, MARTINS, 1984, p.60). Uma vez que o título foi criado por D. Miguel, em carta de 3 de Março de 1829, tendo sido primeiro conde Ascenço de Siqueira Freire (1766-1833 ) (Canedo, Santos, Castro, 1993, vol. I, p. 271), cremos que a pedra de armas somente terá sido colocada nesta época.
O edifício principal, de planta rectangular, desenvolve-se em três pisos, abertos por uma série de vãos não simétricos, de dimensões e desenho variado. A entrada principal, com alpendre ao nível do andar nobre, é antecedida por um lanço de escadas recto.
Do conjunto de edifícios, destaca-se a capela, edificada em 1607, e reedificada em 1860, conforme consta no registo sobre o portal. A fachada, em empena, divide-se em três panos, separados por pilastras. Ao centro, um portal de verga recta é flanqueado por janelas rectangulares e encimado por um painel quadrangular, enquadrado por aletas, com os atributos de São Pedro (chave e tiara), a quem a capela é dedicada. A janela superior encontra-se ao nível das outras duas que se abrem nos panos laterais. Estes, exibem uma porta ao nível térreo, e terminam com as sineiras, em arco de volta perfeita, rematadas por pináculos. O interior, de nave única com cobertura de madeira, apresenta coro alto e dois púlpitos, um dos quais era destinado ao proprietário da Quinta. O arco triunfal é encimado por três pinturas representando São José, Senhora dos Anjos e Santa Ana com Nossa Senhora, a que se reúnem as da nave, Sagrada Família e Virgem Mártir, também seiscentistas (MELO, GUAPO, MARTINS, 1984, p.61). O altar-mor, exibe as imagens de São Pedro, Nossa Senhora com o Menino e um Menino Jesus, do século XVII (IDEM).
(Rosário Carvalho)