Nota Histórico-Artistica
O palácio Gorjão, também conhecido como palácio dos Coimbras, é uma construção que teve início, muito possivelmente, nos primeiros anos do século XVII, sendo objecto de alterações na centúria seguinte, estas últimas talvez ligadas à figura de Francisco Gorjão Henriques da Cunha Coimbra. O imóvel manteve-se na posse da família (para mais informações sobre os ramos da família ver HENRIQUES; GORJÃO-HENRIQUES, 2006) até ser adquirido pela Câmara Municipal do Bombarral que aqui instalou o Museu Municipal, o Posto de Turismo e, em anexo, a Biblioteca, um auditório e um anfiteatro ao ar livre.
O palácio desenvolve-se numa planta em U, com a zona interna que configura o pátio antecedida, em todo o seu perímetro, por arcadas de cruzaria de ogivas, abertas por arcos de volta perfeita sobre pilares toscanos e, no segundo registo, por alpendrada de colunas toscanas. No corpo central, escadaria aberta nos arcos das extremidades, de aceso ao piso superior.
As fachadas exteriores exibem cunhais almofadados e os dois pisos são separados por um friso. O alçado principal, a Sul, é marcado pela abertura de um portal rusticado encimado pelo brasão de armas dos Gorjões e Cunhas: escudo partido; na primeira os Gorjões em campo vermelho com leopardo de ouro; na segunda, os Cunhas, de ouro com nove cunhas de azul postas três, três e três; bordadura de sete castelos de ouro sobre campo vermelho (TÁVORA, p. 152). A ideia de duas campanhas de obras de épocas diferenciadas encontra eco nas diferenças entre o primeiro e o segundo registo desta fachada, pois os cunhais rusticados desaparecem no piso superior e a configuração dos vãos é muito diferente, correspondendo o primeiro ao século XVII e o segundo ao século XVIII.
Implantado na Praça do Município e na Rua D. Afonso Henriques, isto é, num local central do Bombarral, o Palácio impõe-se pela sua monumentalidade mais do que pelas linhas depuradas e chãs da sua arquitectura, onde apenas se salienta o brasão de armas, em lugar de destaque como símbolo de prestígio e poder dos seus proprietários, e pelo pátio com arcadas.
A colecção do Museu Municipal incluí acervos de epigrafia e heráldica, de arqueologia do concelho, de escultura (formado com as doações de Vasco Pereira da Conceição e Maria Barreira), de um espólio pessoal e literário de Júlio César Machado, do artista bombarralense Jorge Almeida Monteiro, de medalhística e etnologia.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital de 15-12-1988 da CM do Bombarral
Despacho de homologação de 22-11-1988 da Secretária de estado da Cultura
Parecer de 10-11-1988 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Em 22-09-1980 a CM do Bombarral enviou fotografias e uma planta do imóvel
Em 20-05-1980 foi solicitado à CM do Bombarral o envio de documentação para instrução de processo de eventual classificação
Número do Processo
Não disponível