Nota Histórico-Artistica
Sítio
O Castro de Osselas localiza-se no concelho de Oliveira de Azeméis, na freguesia de Ossela, entre esta povoação e a de Castelões. Dista sensivelmente 1,3 km para nascente da primeira e 1,5 km a poente da segunda. Implanta-se num esporão, dotado de condições naturais de defesa, com uma altitude máxima de 250 metros, delimitado a este a e a sul pelo rio Caima.
A investigação realizada até à data indica tratar-se de um povoado fortificado de altura, erigido na Idade do Ferro, persistindo na época Romana e registando, ainda, uma ocupação de carácter funerário na época Medieval/Moderna.
Nas imediações conhecem-se vestígios arqueológicos no lugar de Baralhas onde, em 1896, foi recolhido um conjunto de 16 pulseiras em ouro que remontam ao Bronze Final. Da época Romana avultam os vestígios, entre os quais uma inscrição votiva recolhida em Ossela, um tesouro numismático do século V d.C. e notícias de cerâmica e materiais de construção em diversos locais. Félix Alves Pereira indica, em 1907, que o povoado possuía muralhas, embora estas não tenham sido detetadas nos trabalhos arqueológicos já efetuados. A área de escavação é ainda muito contida, mas já permitiu a identificação de compartimentos de planta circular e retangular, de natureza habitacional, assim como sepulturas da época Medieval e Moderna. Destaca-se a recolha de uma pedra almofadada, provavelmente proveniente de um edifício público romano, e o registo de um possível forno, em 1994, postos a descoberto durante a abertura do acesso a uma capela construída na área do povoado. A colocação de infraestruturas no mesmo templo resultou, em 2013, na realização de uma escavação de emergência, onde foi registada a presença de estruturas arqueológicas que se desenvolviam, presumivelmente, sob o adro da capela, posteriormente confirmado por trabalhos de prospeção geofísica que registaram anomalias compatíveis com a existência de construções soterradas. Apesar dos danos causados pela edificação da capela foi possível aferir a presença de níveis arqueológicos preservados.
O espólio recolhido nas campanhas realizadas demonstra uma prevalência dos vestígios atribuíveis à Época Romana, seguido do materiais datáveis da Idade do Ferro.
História
Frei Bernardo de Brito menciona o Monte do Crasto na Monarquia Lusitana a propósito de uma inscrição romana, cuja autenticidade é muito questionada. Seria alegadamente proveniente de uma grande povoação e refere a realização de jogos de gladiadores oferecidos pela Legião X Fretense em honra de Augusto. As primeiras escavações decorreram sob a orientação de Rocha Peixoto, datam de 1908, não se conhecendo inteiramente os resultados. Somente voltou a ser intervencionado em 2013, quando foi realizada uma escavação de emergência, dirigida por João Tiago Tavares, para recuperar os danos causados pela colocação de infraestruturas sem enquadramento arqueológico. Mais recentemente, o projeto de investigação POVOAZ - Povoamento em Oliveira de Azeméis, submetido pelos investigadores Adriaan De Man e João Tiago Tavares poderá trazer novos dados para o entendimento deste arqueossítio.
Ana Vale
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível