Nota Histórico-Artistica
Localizado à entrada da baía de Cascais, junto à cidadela, o Marégrafo tem como objectivo a medição do nível médio das águas do mar, ao abrigo de um sistema relativamente simples conhecido como maregráfico, da autoria de A. Borrel. Este, teve início científico e tecnológico em 1877 e, escassos cinco anos volvidos, construiu-se o marégrafo de Cascais, que, na ocasião, ocupou um ponto mais a nascente do actual. Esta proximidade cronológica prova que o marégrafo cascalense acompanhou a vanguarda tecnológica, sendo mesmo um dos primeiros a ser construídos em território nacional. Isto fez com que tivesse sido ele a obter os resultados do nível médio das águas em toda a costa nacional, dados fundamentais para a conclusão do levantamento geodésico de Portugal continental (realizado entre 1857 e 1892). È também do marégrafo de Cascais que se adoptou o "zero de referência" altimétrica para toda a cartografia nacional, mesmo a realizada nos nossos dias.
Na sua origem, o sistema de medição compõe-se de uma bóia em conexão com um método de registo devidamente cronometrado por relógio. Esta aparente simplicidade determinou que os marégrafos sejam, a maior parte das vezes, construções desprovidas de monumentalidade, associadas a pequenas estruturas de madeira, cantaria ou betão.
É o que acontece com o de Cascais, edifício de planta circular de um só andar, coberto por cúpula semiesférica. O acesso ao interior situa-se na fachada voltada a terra (neste caso a Ocidente), onde se rasga um arco a pleno centro, moldurado e com impostas e fecho de arco devidamente marcados. Duas outras aberturas existem no alçado, concretamente duas janelas de arco de volta perfeita, a nascente e a Norte. A dependência interior é ocupada pelo sistema de registo (dotado de caneta assente em carro deslizante apoiado em régua, e datando o relógio de 1877), conectado com o fundo da baía através de um poço cilíndrico onde se situa a bóia, devidamente presa por cabo metálico.
Em contínuo funcionamento desde o século XIX e medindo directamente as águas oceânicas (enquanto outros marégrafos situam-se em pontos fluviais), o monumento de Cascais é um dos mais antigos ainda em actividade, o que possibilita a análise de uma das mais longas séries mundiais de medição. Este facto permitiu esclarecer que o nível médio de águas subiu cerca de 1,3 milímetros por ano ao longo do século XX.
Na actualidade, e embora sujeito a trabalhos de restauro geral em 1996, o velho marégrafo perdeu parte das suas funções, em benefício de um sistema mais desenvolvido, que tem como base de medição as ondas acústicas e a sua codificação por via digital. Em todo o caso, o instrumento de 1882 está em pleno funcionamento, como forma de calibragem do mais recente, num interessante "diálogo" transtemporal entre o velho e o moderno.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Edital de 10-12-1996 da CM de Cascais
Despacho de classificação de 17-10-1996 do Ministro da Cultura
Parecer de 10-09-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Em 6-03-1995 foi dado conhecimento do despacho à CM de Cascais
Despacho de abertura de 21-02-1995 do presidente do IPPAR
Proposta de 17-02-1995 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 4-11-1994 do IGC
Número do Processo
Esplanada de D. Luís Filipe (plataforma perpendicular ao Passeio da Rainha D. Maria Pia)