Nota Histórico-Artistica
Juntamente com o Castro de Monte Murado, em Vila Nova de Gaia, este é, até ao momento, um dos escassíssimos povoados identificados na região outrora ocupada pelo Túrdulos.
Erguido durante o século VI a.C., o Castro de Romariz, situado na região de Santa Maria da Feira, seria originariamente perfeito de um conjunto de cabanas, no interior das quais existia uma lareira, a única construída com materiais não perecíveis. Com efeito, somente com o advento da romanização se passou a observar a edificação de estruturas perenes, que acabariam por suplantar, em definitivo, a tradição construtiva do Bronze Final que tão longamente caracterizou esta região do actual território português.
A par das estruturas habitacionais, encontrou-se um vasto espólio móvel neste povoado da II Idade do Ferro, que atesta bem os prolongados contactos que a sua população manteve ao longo dos tempos com realidades culturais exógenas, com especial relevo para os derivados do Mediterrâneo Oriental. Dos contactos estabelecidos com estes circuitos, salienta-se um considerável conjunto de materiais cerâmicos, de entre os quais sobressairão algumas ânforas de origem púnica, datáveis do século V a.C., bem como diversas contas de pasta vítrea e um fragmento de cerâmica grega atribuída ao século IV a.C.
Mas, estes foram sempre materiais de excepção num universo clara e compreensivelmente dominado pelos materiais decorrentes de toda uma actividade ancestral de características endógenas. Referimo-nos, em concreto, a um significativo grupo de cerâmicas decoradas com impressões realizadas com matrizes.
Também em relação a este povoado se pondera a provável existência de práticas funerárias levadas a efeito no interior das próprias habitações, posteriormente transpostas para um espaço especialmente seleccionado para o efeito no âmbito do recinto familiar, de características, naturalmente, mais abrangentes. No caso específico do Castro de Romariz, esta religiosidade manifestada ao nível do culto doméstico parece adquirir alguma consistência com a presença de mesas, as quais, na opinião de certos autores, teriam finalidades sacrificiais e litúrgicas, possivelmente conduzidas pelo paterfamilias, enquanto repositório vivo das ancestrais tradições que conferiam a indispensável coesão interna e emocional à comunidade à qual pertencia e servia.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 34 452, DG, I Série, n.º 59, de 20-03-1945 (ver Decreto)
Número do Processo
No Monte do Castro ou do Crasto, sobranceiro à povoaçäo de Romariz, e a 11Km ENE da sede do concelho