Nota Histórico-Artistica
Situado na freguesia de Vila Chã de Ourique, o Palácio dos Chavões é considerado uma das mais imponentes residências senhoriais do Ribatejo. A sua fundação data de meados do século XIV, sendo apontada a data de 1345 para a edificação do núcleo primitivo da casa.
Sabe-se que em 1382 a Casa dos Chavões estava já edificada e habitada, sendo que nesta data o cavaleiro Lourenço Gonçalves, seu proprietário e possivelmente seu edificador, deixou a propriedade à Igreja de Santo Estevão de Santarém, onde ficou sepultado. Até meados do século XV a Casa dos Chavões ficou integrada nos bens deste templo escalabitano, passando em 1468 a ser, novamente, propriedade particular.
Depois de passar pelas mãos de vários proprietários, a Quinta dos Chavões tornou-se propriedade de Rui Teles de Menezes, senhor de Unhão, em 1590. Foi Rui Teles de Menezes quem, no início do século XVII, patrocinou uma grande obra de reforma da estrutura do paço medieval, transformando-o num solar maneirista de grandes dimensões.
Disposto em volta de um pátio quadrangular, o edifício desenvolve-se numa planimetria em U, muito comum na arquitectura senhorial seiscentista, destacando-se pela austeridade e sobriedade dos volumes. A fachada principal é ladeada por duas torres, encimadas por coruchéus, num modelo que apresenta semelhanças com o palácio quinhentista da Quinta das Torres de Azeitão.
Ao centro da fachada foi aberto o portal de gosto clássico, cuja moldura rectangular é enquadrada, a cada um dos lados, por duas colunas toscanas e rematada por um frontão interrompido. A estrutura deste portal demonstra um conhecimento dos modelos eruditos da arquitectura clássica da segunda metade do século XVI, divulgados pela tratadística da época.
O Solar dos Chavões manteve praticamente intacta a estrutura maneirista ao longo das centúrias seguintes. Apenas em meados do século XIX, entre 1846 e 1848, D. Domingos Teles da Gama, marquês de Nisa e proprietário dos Chavões, mandou executar obras de alteração na estrutura dos dois corpos laterais. Estes, tal como a fachada posterior da casa, adquiriam uma feição neo-gótica, muito ao gosto revivalista da época, fazendo um contraste com as eruditas linhas maneiristas da fachada principal.
No conjunto do palácio estava ainda integrada uma capela privativa, dedicada a Santo Amaro, que ficou destruída num incêndio ocorrido em 1909.
Catarina Oliveira
IPPAR/2005
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Edital N.º 43/79 de 21-08-1979 da CM do cartaxo
Edital N.º 20 de 18-04-1979 da CM do Cartaxo
Despacho de homologação de 19-01-1979 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 18-01-1979 da COISPCN a propor a classificação como IIP
Em 2-08-1978 a CM do Cartaxo enviou a documentação fotográfica solicitada
Em 11-07-1978 foi solicitado à CM do Cartaxo o envio de documentação fotográfica para a instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 8-05-1978 da CM do Cartaxo
Número do Processo
Não disponível