Nota Histórico-Artistica
Dedicada a Nossa Senhora das Dores, esta capela é uma construção barroca, que outrora integrou a Casa de Arroios. Era propriedade de D. Matilde Carolina Cardoso de Meneses Girão, mas tornou-se pertença do primeiro Conde de Margaride, depois do seu casamento, em 1866, com a filha de D. Matilde.
A Capela destaca-se pela fachada, que é marcada por um forte sentido de verticalidade. Este, manifesta-se através das pilastras, molduradas e com capitéis coríntios que ladeiam o portal no primeiro registo, mas que são prolongadas em altura através de molduras, no frontão, e de pináculos sobre plintos, que rematam o registo superior da fachada. Os motivos decorativos, circunscrevem-se à janela e às zonas enquadradas pelas pilastras. No eixo central, formado pelo portal, de moldura de linhas rectas, e pela janela curvilínea, inscreve-se, no tímpano do frontão, o brasão de armas da família a que pertencia a Capela e a Casa. O frontão contracurvado é rematado, ao centro, por uma cruz latina.
Do lado do Evangelho, e num plano mais afastado, sobressai o volume da sacristia.
Toda a arquitectura revela grande unidade, sendo as fachadas laterais percorridas pelo mesmo entablamento que observamos na principal, e os cunhais marcados por pilastras molduradas. Estas, não apresentam capitel coríntio nos cunhais correspondentes à capela-mor, mas são prolongadas por pináculos sobre plintos. Na empena, ergue-se uma cruz, mais baixa que a da fachada principal.
No interior, destaca-se o altar, de talha barroca em tons de branco e dourado. Este encontra-se num plano superior em relação à capela-mor, e o acesso é feito através de três degraus de planta semicircular. O coro alto apresenta uma balaustrada também de talha branca, tal como o púlpito. Ambos partilham uma escadaria de acesso, situada entre a nave a sacristia.
Edificada, muito possivelmente, no decorrer do século XVIII, a capela de Arroios insere-se na tradição barroca do Norte do país, com uma decoração pesada e robusta na zona superior da fachada. Todavia, é evidente a delicadeza e pormenor dos elementos da janela e dos capitéis, que revelam a abertura a uma linguagem rocaille. A diferença entre ambos os registos é flagrante, destacando-se o frontão por uma mais intensa e vigorosa decoração.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível