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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Ponte antiga sobre o Rio Gilão

Arquitectura Civil / Ponte

Designação
Designação Atual
Ponte antiga sobre o Rio Gilão
Outras Designações
Ponte Antiga sobre o Rio Gilão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Ponte
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A imagem que, na actualidade, temos da ponte sobre o rio Gilão é muito diferente da que este monumento teve ao longo dos tempos. Ela resulta de uma reconstrução do século XVII, que determinou a quase total supressão das características originais e, depois, medievais, que o conjunto assumiu nos primeiros séculos de existência.
Apesar de sabermos que a actual ponte não corresponde ao período romano, não restarão grandes dúvidas sobre a sua construção inicial nesse momento. Mais que as tradições lendárias que assim o indicam, o facto de, ainda hoje, existir uma relativa horizontalidade do tabuleiro e uma sucessão de arcos de volta perfeita, são indícios que podem considerar-se heranças longínquas daquela primeira configuração. Particularmente importante, neste contexto, é a existência de três arcos redondos na secção nascente, de menores dimensões que os restantes e rasgados a uma cota ligeiramente inferior, entendidos como provavelmente a parcela mais antiga conservada (PINTO, 1998, p.180).
Documentalmente, porém, a primeira indicação que possuímos data já da Baixa Idade Média, mais propriamente da conquista da cidade aos mouros pelas tropas de D. Afonso III, cuja crónica a refere (ANICA, 1993, p.300). Nessa altura, o monumento estava integrado no sistema defensivo da cidade, ligando-se a ele. Com efeito, a configuração baixo-medieval da ponte englobava, pelo menos duas torres. Do lado da cidade, anexa à muralha, existia a Torre do Mar, cuja função era, precisamente, proteger a passagem do Gilão. De acordo com ANICA, 1989, p.282, nota 10, tinha planta octogonal e seria uma espécie de torre albarrã, ligada à primitiva cerca por uma arcaria, definitivamente destruída em 1883. Sobre a outra torre estamos menos informados, mas é possível que se situasse na extremidade oposta, de acordo com a notícia de George Cardoso, que, em 1666, descreve a passagem como torreada no princípio e no fim. Pela gravura seiscentista da cidade, é muito provável que essa segunda torre se erguesse num poderoso maciço central que existia sensivelmente a meio da ponte. Em 1607, Henrique Fernandes Sarrão noticiou que eram muitas as casas que se encontram no tabuleiro, informação que levou Jorge Sebastião e SILVA, 1993, p.141, a considerar a importância desse maciço no conjunto do monumento. A ser assim, o que a gravura nos deixou terá sido o que restava já dessa antiga estrutura militar medieval, aparentemente já destituída das suas partes altas no século XVII.
"Em 1655, havendo aluido os seus pilares do lado Sul, por se ter formado pego entre eles" (ANICA, 1993, p.300), houve a necessidade de se reedificar a estrutura. A obra foi entregue ao Arquitecto Mateus do Couto que optou por suprimir todos os vestígios de fortificação medieval que, por essa altura, ainda pudessem existir na ponte. No lugar do poderoso maciço central, construiu um arco, dotando assim o monumento dos sete que ainda hoje mantém. Uma das maiores preocupações desta empreitada foi o reforço estrutural e sua relação com eventuais novas enchentes. Nesse sentido, os cinco primeiros arcos (que ligam a ponte à margem direita) foram intercalados por grandes talha-mares, de secção triangular a montante e de perfil quadrangular a juzante, verdadeiros contrafortes que se elevam bem acima do pavimento para formar uma série de espaços adicionais que, certamente, permitiriam o cruzamento de carros de tracção animal.
Terminada em 1657, a renovada ponte retomou a sua função de ligação privilegiada entre as duas margens. Ao que tudo indica, os séculos seguintes sucederam-se sem grandes reparações ou reformas, não havendo mais que notícias de pontuais trabalhos de manutenção. Em 1989, porém, uma intensa cheia destruiu dois dos arcos da ponte, tendo o exército construído uma passagem metálica provisória, a escassos metros mais a Sul. As obras de reconstrução prolongaram-se até 1992 e englobaram um estudo acerca da configuração a dar ao enrocamento em torno dos pilares.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 181501
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Tavira / Tavira (Santa Maria e Santiago)
Rua 5 de Outubro
Tavira -
Polícia:
Rua António Cabreira
Tavira -
Polícia:
Rua Jacques Pessoa
Tavira -
Polícia:
Praça da República
Tavira -
Polícia:
LATITUDE
37.12688
LONGITUDE
-7.649868
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1607
1607, Henrique Fernandes Sarrão noticiou que eram muitas as casas que se encontram no tabuleiro, informação que levou...
1655
1655, havendo aluido os seus pilares do lado Sul, por se ter formado pego entre eles" (ANICA, 1993, p.300), houve a n...
1657
1657, a renovada ponte retomou a sua função de ligação privilegiada entre as duas margens. Ao
1666
1666, descreve a passagem como torreada no princípio e no fim.
1883
1883.
1986
1986 (ver Decreto) A imagem que, na actualidade, temos da ponte sobre o rio Gilão é muito diferente da que este monum...
1989
1989, p.282, nota 10, tinha planta octogonal e seria uma espécie de torre albarrã, ligada à primitiva cerca por uma a...
1992
1992 e englobaram um estudo acerca da configuração a dar ao enrocamento em torno dos pilares.PAF
1993
1993, p.300).
1998
1998, p.180).Documentalmente, porém, a primeira indicação que possuímos data já da Baixa Idade Média, mais propriamen...
11
IMAGENS
14
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Carta Arqueológica de Portugal: concelhos de Faro, Olhão, Tavira, Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim MARQUES, Maria Teresa Fonseca Correia Edição 1995 Lisboa
O Algarve islâmico : roteiro por Faro, Loulé, Silves e Tavira CATARINO, Helena Maria Gomes Edição 2002 Faro
"VI.4. Tavira", Terras da Moura Encantada. Arte islâmica em Portugal, 1999, pp.129-132 MACIAS, Santiago Edição 1999
"Os caminhos da serra e do mar", 90 séculos entre a serra e o mar, pp.311-325 MANTAS, Vasco Gil Edição 1997 Lisboa
Arqueologia Romana do Algarve SANTOS, Maria Luisa Estácio da Veiga Afonso dos Edição 1972 Lisboa
"O território de Balsa na Antiguidade Tardia", Tavira. Território e Poder, catálogo de exposição, pp.105-126 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 2003 Lisboa
Pontes romanas de Portugal PINTO, Paulo Mendes Edição 1999 Lisboa
Centros históricos de influência islâmica : Tavira, Faro, Loulé, Silves COUTINHO, Valdemar Edição 2001 Portimão
Notícias históricas de Tavira, 1937 VASCONCELOS, Damião Augusto de Brito, ANICA, Arnaldo Casimiro Edição 1989
Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve LOPES, João Baptista da Silva Edição 1841 Lisboa
Tavira e o seu termo. Memorando histórico ANICA, Arnaldo Casimiro Edição 1993 Tavira
Pontes Antigas Classificadas RIBEIRO, Aníbal Soares Edição 1998 Lisboa
"A ponte como espaço de violência", Actas das I Jornadas de História de Tavira, pp.180-183 ANICA, Aurízia Félix Edição 1992 Tavira
"Considerações sobre a gravura seiscentista de Tavira", II Jornadas de História de Tavira, pp.136-143 SILVA, Jorge Sebastião e Edição 1993 Tavira

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