Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O edifício, conhecido como "Recreios Desportivos da Amadora", corresponde a um dos mais importantes testemunhos patrimoniais do início de vida desta cidade com origem nos finais do século XIX, como resultado da expansão urbanística ligada à inauguração da estação de comboios da Porcalhota, estação esta que integrava a linha de caminho-de-ferro que, a partir de 1887, passou a ligar a capital a Sintra.
O edifício em causa, construído por iniciativa dos donos da "Fábrica de Espartilhos Santos Mattos & Cª" foi projetado em 1913, por Guilherme Eduardo Gomes, o mesmo autor da Casa Aprígio Gomes, imóvel da Amadora que também está classificado. Foi a 17 de Agosto de 1914 que o edifício dos Recreios, espaço especialmente amplo para a época foi inaugurado, destinando-se, sobretudo, à realização de festas mas também à apresentação de peças de teatro e, mais tarde, à exibição de cinema.
Trata-se de uma obra vincadamente neoclássica, destacando-se a fachada principal com os seus três registos cenográficos, o último dos quais com frontão triangular que, outrora, apresentava uma ampla composição escultórica no tímpano. Na realidade, toda a fachada sofreu ao longo dos anos diversas alterações, desaparecendo praticamente toda a requintada decoração sobre os vãos do primeiro piso, assim como o primitivo jardim rodeado por elegante gradeamento. No andar nobre, no entanto, é ainda possível observar um pano central rasgado por janelão de arco de volta perfeita que dá acesso a um varandim de secção ondulante e balaustrada de cantaria. Ao longo dos anos não só a fachada, como todo o edifício, foi objeto de sucessivas reformas nomeadamente nos anos 40 do seculo XX quando a fábrica e os Recreios foram vendidos. Nessa altura o edifício será convertido em sala de cinema, um projeto do arquiteto Raul Lima, passando a dispor de uma capacidade para 600 pessoas sendo a sala dotada também de um balcão construído em betão. Em 1979, numa altura em que a cidade de Amadora estava em franco crescimento, o Cine-Plaza, como era conhecido, foi novamente sujeito a obras, sobretudo nos interiores e frontaria. No entanto, escassos anos haveriam de passar para que o cinema fechasse as portas por inviabilidade económica. Adquirido em 1987 pela autarquia, foi lançado um concurso para a sua renovação ficando esta a cargo do arquiteto Conceição Silva. No entanto, somente em 1997 o novo espaço abriu as suas portas, ostentando uma alteração total de interior e exterior, destacando-se as superfícies em vidro que prolongaram o edifício. Hoje o espaço funciona como polo cultural, destinando-se à apresentação de diferentes tipos de espetáculos
História
Paralelamente à expansão urbanística da Amadora surge, também, a fixação de alguma atividade industrial, destacando-se a "Fábrica de Espartilhos Santos Mattos & Cª" inaugurada em 1895. Empregando mão-de-obra local, sobretudo mulheres, instituiu-se como a principal unidade fabril da zona, com grande impacto social.
Foi neste ambiente que nasceu a "Sociedade Recreios Desportivos da Amadora", constituída em 1912, por iniciativa do proprietário da fábrica José dos Santos Mattos e de António Rodrigues Correia. Esta fábrica estava ligada à famosa loja "Casa dos Espartilhos" na Rua do Ouro (n.ºs 123 e 125), exportando muitos dos seus artigos para as colónias. A intenção era, num primeiro momento, gerir os equipamentos desportivos anexos à fábrica, designadamente um campo de ténis e um ringue de patinagem mas o sucesso com as vendas de espartilhos, cintas e outros produtos congéneres que chegaram mesmo a ganhar numerosas medalhas internacionais, cedo determinou a necessidade de ampliação das instalações fabris e da atividade da sociedade, dando lugar à inauguração do edifício dos Recreios em 1914.
Paulo Fernandes/IGESPAR/2006. Atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016 com a colaboração de Gisela Encarnação/C. M. Amadora.