Nota Histórico-Artistica
Conjunto
Localizado na freguesia de Aldreu, o Mosteiro de São Salvador de Palme é um conjunto monástico seiscentista, situado a sul do rio Neiva, que integra uma quinta com terrenos agrícolas. O conjunto edificado desenvolve-se numa planta quadrangular irregular, aberta ao centro pelo espaço do claustro, rodeado pelas antigas dependências conventuais, hoje convertidas em espaço de habitação.
O espaço é circundado por muro coroado por merlões, com portal de entrada ladeado por dois pilares. O frontispício do antigo mosteiro, que atualmente corresponde à fachada principal da casa, apresenta-se dividido em dois registos, com entrada ao centro, composta por escadaria geminada que conduz a porta com alpendre no piso superior, sob a qual se edificou uma fonte, integrada sob a escada de entrada no edifício e enquadrada pelo antigo portal da igreja, uma estrutura medieval com várias arquivoltas decoradas por torcidos e cabeças aladas. No piso superior, ladeando a entrada, dispõem-se janelas de sacada com guarda de ferro e frontão triangular.
A partir deste tramo principal do mosteiro desenvolvem-se as restantes alas cenobiais, com dois pisos, dispostas em torno do claustro com arcada de volta perfeita assente sobre colunas toscanas, que comporta o antigo cemitério dos monges e, ao centro, um chafariz, com tanque e uma taça.
À esquerda da fachada ergue-se a igreja, de linhas despojadas pontuadas por elementos decorativos barrocos na frontaria. Esta apresenta, no piso térreo, portal de frontão recortado encimado por janela retangular, sendo rematada por frontão triangular recortado integrando pedra de armas.
O interior é composto por nave única, com coro-alto e púlpito em madeira, coberta por abóbada de berço em madeira, e capela-mor, mais baixa e estreita, de datação anterior ao resto do templo, com abóbada de pedra artesoada e paredes laterais revestida por azulejos de padrão polícromos. Do lado do Evangelho, na parede lateral, ergue-se um retábulo joanino com escultura da Virgem com o Menino. Na cabeceira exibe-se o altar-mor com retábulo maneirista de talha dourada e policromada, que integra três grandes imagens de vulto, ao centro a do padroeiro, Cristo Salvador do Mundo, ladeado por São Gregório Magno e São Bernardo.
Na zona posterior do convento erguem-se algumas estruturas de piso térreo, e menores dimensões, que correspondem às antigas dependências agrícolas do mosteiro, como o celeiro, o lagar, a eira, as cavalariças e currais, e os armazéns.
História
O Mosteiro de São Salvador de Palme, pertencente à Ordem dos Beneditinos, terá fundação baixo-medieval, datando de 1028 a primeira referência documental à existência de um cenóbio naquele local. Efectivamente, em 1651, Frei Leão de São Tomás referiu que nesse ano um cavaleiro de nome Lovezendo edificou o convento na sua quinta de Palme, doando-o depois aos monges de São Bento (Tomás: 1651, p. 236).
Ao longo dos séculos seguintes, as notícias sobre o complexo monacal são esparsas, relatando sobretudo épocas de pobreza do mesmo. No entanto, a partir do século XVI o mosteiro conheceu significativas melhorias, de que são testemunho, por exemplo, a obra da capela-mor. Em 1566, depois do Concílio de Trento, o mosteiro de Palme integrou a nova congregação beneditina, ficando dependente de São Martinho de Tibães. Já no século XVII realizaram-se novas obras de reforma e embelezamento do templo, subsistindo os painéis de azulejos e o retábulo-mor, de gosto maneirista tardio, e na centúria de Setecentos a comunidade procedeu a novas obras, reformando a fachada do templo e do próprio complexo.
Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, o mosteiro e a respetiva quinta foram vendidos, tendo sido posteriormente adquiridos pela família Fonseca Moniz, que se mantém proprietária do imóvel até ao presente.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017