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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Quinta do Paço de Valverde, Capela e Claustro da Mitra, mata, várias pequenas capelas, Jardim de Jericó e lago, aqueduto, edificado no século XVII, todo o sistema hídrico, casa da água, jardim de buxo, horta e todos os muros e muretes que (...)

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Designação
Designação Atual
Quinta do Paço de Valverde, Capela e Claustro da Mitra, mata, várias pequenas capelas, Jardim de Jericó e lago, aqueduto, edificado no século XVII, todo o sistema hídrico, casa da água, jardim de buxo, horta e todos os muros e muretes que (...)
Outras Designações
(...) dividem e estruturam o sítio / Capela e claustro do antigo Convento do Bom Jesus da Ordem dos Capuchos / Capela e claustro da Mitra / Colégio da Mitra / Colégio do Bom Jesus de Valverde / Pólo da Mitra da Universidade de Évora / Quinta do Paço de Valverde/ Quinta do Convento de Bom Jesus de Valverde / Convento do Bom Jesus de Valverde (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A diocese eborense, ou Mitra de Évora, instituiu no início do séc. XVI, perto da ribeira de Valverde, uma quinta com paço episcopal, que já seria habitado em 1514 (ESPANCA, 1966), para servir de local de descanso aos membros da diocese. Terá sido o Infante Dom Henrique (COELHO, 1987), primeiro arcebispo de Évora e futuro cardeal, quem fundou nos terrenos da quinta um convento de frades capuchos, da invocação do Bom Jesus, cuja comunidade aí se instalou em 1517. Em 1538 foram feitas "obras de vulto", sob a direcção do mestre pedreiro Álvaro Anes (ESPANCA, 1993).
Do primitivo edifício quinhentista conservam-se ainda muitos vestígios arquitectónicos, sendo alguns deles de feição manuelina, caso da capelinha existente na cerca conventual, pavimentada com azulejos hispano-árabes relevados e policromados, de aresta e corda seca, da primeira metade do século XVI. Conservam-se igualmente alguns elementos posteriores, de obras dos séculos XVII e XVIII.
Mas de superior interesse arquitectónico será a capela do convento, um perfeito exemplo de micro-arquitectura renascentista, particularmente notável no caso português, onde a harmonia do traçado e a planta centralizada revelam rara erudição e actualidade, e se compreende sobretudo como obra de carácter "experimental" (SERRÃO, 2002). A traça está atribuída com mais probabilidade a Miguel de Arruda (BRANCO, 1993), mestre arquitecto de grande prestígio e reconhecida cultura humanista, como aliás o demonstra este tempietto italianizante de Évora, revelador da influência dos modelos de Sebastião Serlio ou Francesco de Giorgio Martini.
O pequeno templo tem planta em cruz grega, formada pelo corpo central, octogonal nas suas faces exteriores, cortadas pela inserção de quatro capelas radiantes, igualmente de planta oitavada. Os espaços interiores articulam-se como espaços circulares, em função das colunatas de colunas toscanas, em mármore branco de Estremoz, que rodeiam cada capela, sustentando as cúpulas esféricas que as encimam. A cúpula central ergue-se sobre um tambor muito elevado, rasgado por oito janelas. A capela-mor está instalada no octógono oriental, embora a entrada no templo se faça através de um dos panos da capela sul, deitando para um alpendre assente em cinco arcos de volta inteira. Para esta capela foram realizados três painéis encomendados pelo futuro Cardeal D. Henrique, figurando um Presépio, um Calvário e uma Ressurreição de Cristo, da autoria do prestigiado pintor régio Gregório Lopes, datadas de 1544-45.
Para além da capela, que estava originalmente ligada ao interior do paço através de uma galeria, no complexo do paço quinhentista destacam-se as antigas "Casas Pintadas", cujo portal é decorado com pinturas a fresco dos símbolos da diocese e o aqueduto de alvenaria construído na segunda metade do século XVII, para abastecer a casa principal. Numa das áreas de lazer da cerca, o Jardim de Jericó, foi construído um grande lago, decorado a toda a volta com bandeiras recortadas com lunetas, pontuadas pela disposição regular de bustos dos profetas Abraão e Elias. Ao centro do tanque circular foi colocada uma estátua de Moisés. A obra decorativa, iniciada na segunda metade do século XVII, foi concluída somente na centúria seguinte.
Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, todo o conjunto acabou por ficar na posse do Estado, que aí instalou um Posto Agrário, mais tarde a Escola Prática de Agricultura, e depois ainda a Escola de Regentes Agrícolas, agregada até aos dias de hoje à Universidade de Évora. Actualmente, o Colégio da Mitra e o do Bom Jesus de Valverde constituem, com a Herdade Experimental da Mitra e o seu complexo habitacional, o Pólo da Mitra da Universidade de Évora, onde funcionam departamentos de Ciências Agrárias e Biologia e serviços de apoio.
Sílvia Leite / Catarina Oliveira - DIDA/ IGESPAR/ 2007-2011
Diploma de Classificação
Portaria n.º 79/2010, DR, 2.ª série, n.º 17, de 26-01-2010 (alargou a classificação à Quinta do Paço de Valverde, mata, várias pequenas capelas, Jardim de Jericó e lago, aqueduto, edificado no século XVII, todo o sistema hídrico, casa da água, jardim de buxo, horta e todos os muros e muretes que dividem e estruturam o sítio, enquanto parte integrante do convento, capela e claustro (ver Portaria)
Edital de 5-12-2003 da CM de Évora
Despacho de homologação de 23-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 7-04-1997 da DR de Évora para alargamento da área classificada da Capela e Claustro do Convento do Bom Jesus de Valverde à Quinta do Paço de Valverde
Proposta de 11-03-1997 da Universidade de Évora para a classificação da Quinta do Paço de Valverde
Decreto n.º 44 452, DG, I Série, n.º 152, de 5-07-1962 (classificou a Capela e Claustro da Mitra) (ver Decreto)
Número do Processo
E.N. 380, Évora - Alcáçovas, a 12 km de Évora
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 79/2010, DR, 2.ª Série de 26-01-2010 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 23-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 7-04-1997 da DR de Évora
Proposta de 11-03-1997 da Universidade de Évora
Afectação 12736227
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Évora / Évora / Nossa Senhora da Tourega e Nossa Senhora de Guadalupe
Quinta de Valverde
Valverde -
Polícia:
LATITUDE
38.530568
LONGITUDE
-8.018157
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1514
1514 (ESPANCA, 1966), para servir de local de descanso aos membros da diocese.
1517
1517.
1538
1538 foram feitas "obras de vulto", sob a direcção do mestre pedreiro Álvaro Anes (ESPANCA, 1993). Do
1544
1544-45.
1834
1834, todo o conjunto acabou por ficar na posse do Estado, que aí instalou um Posto Agrário, mais tarde a Escola Prát...
1962
1962 (classificou a Capela e Claustro da Mitra) (ver Decreto) A diocese eborense, ou Mitra de Évora, instituiu no iní...
1966
1966), para servir de local de descanso aos membros da diocese.
1987
1987), primeiro arcebispo de Évora e futuro cardeal, quem fundou nos terrenos da quinta um convento de frades capucho...
1993
1993).
1997
1997 da DR de Évora para alargamento da área classificada da Capela e Claustro do Convento do Bom Jesus de Valverde à...
2002
2002).
2003
2003 da CM de Évora Despacho de homologação de 23-05-2003 do Ministro da Cultura Parecer favorável de 7-05-2003 do Co...
2007
2007-2011
2010
2010, DR, 2.ª série, n.º 17, de 26-01-2010 (alargou a classificação à Quinta do Paço de Valverde, mata, várias pequen...
2011
2011
23
IMAGENS
5
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Inventário Artístico de Portugal, vol. VII (Concelho de Évora - volume I) ESPANCA, Túlio Edição 1966 Lisboa
Évora ESPANCA, Túlio Edição 1993 Lisboa
"Convento do Bom Jesus de Valverde", A Cidade de Évora, boletim nº 51-52, p. 62 ESPANCA, Túlio Edição Évora
Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal CARITA, Hélder; CARDOSO, Homem Edição 1987 Lisboa
Quinta do Paço de Valverde. Contributos para o estudo de um jardim histórico DOMINGOS, Rafael Matos Edição 1995 Évora

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