Nota Histórico-Artistica
As primeiras referências relativas a este sítio datam do século XVI e são, geralmente, atribuídas ao humanista André de Resende, depois de ter encontrado uma inscrição funerária, cuja análise paleográfica a data do séc. III d. C.
Entretanto, foi durante a década de oitenta do século XX que se retomaram as escavações de uma forma sistemática da responsabilidade da Universidade Lusíada e da Fundação Calouste Gulbenkian.
Localizada numa zona privilegiada, no território da antiga sede municipal, "Ebora Liberalitas Iulia", nas proximidades da estrada que ligava "Ebora" a "Salacia" (Alcácer do Sal), e distando somente 5 Km da estrada através da qual se perfazia o caminho entre a primeira destas localidades e "Pax Iulia" (Beja), este exemplar da arquitectura privada rural romana existente no nosso território apresentava uma assaz complexa estrutura interna, tal como demonstraram as investigações. Levadas a cabo sobretudo no perîmetro das suas termas, estas escavações colocaram a descoberto três fases de construção deste mesmo espaço.
Assim, terá sido durante a primeira destas fases que se edificou o hipocausto e a respectiva fornalha, correspondendo, "grosso modo", aos meados do séc. I d. C.
A esta, seguiu-se uma segunda fase, ao longo da qual construiram-se diversos tanques, uma sala revestida com mosaicos e uma fonte, além de outros compartimentos com piscinas e respectivas canalizações. Aparte estas estruturas, encontrou-se uma outra sala, aparentemente sem qualquer ligação às precedentes, embora fosse um "tepidarum" que conduzia a um "caldarium" localizado mais a sul, mas cuja leitura se torna assaz complexa pela sobreposição de uma outra sala, construída ainda durante esta segunda fase, e que correponderá a um período que medeou entre finais do séc. III d. C. até inícios do séc. IV d. C.
Na verdade, tudo parece sugerir a existência de dois conjuntos independentes de termas ao longo desta segunda fase de construção, embora ainda seja difícil definir as atribuições e destinatários destas hipotéticas "termas duplas".
Foi já com o dealbar da terceira e, aparentemente, última fase de construção destas termas que se ergueram novas salas e tanques durante o séc. IV a. C.
Pelo facto de se constatar uma nítida concentração destas estruturas a sul e a oeste dos equipamentos precedentes, questiona-se qual a razão - ou razões -, pela qual não se desenvolveram para norte. A resposta encontrar-se-à numa possível utilização simultânea de ambas as zonas das termas.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-CR/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (toda a área é considerada ZNA) (ver Portaria)
Anúncio n.º 13442/2012, DR, 2.ª série, n.º 183, de 20-09-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Parecer favorável de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 14-06-2011 da DRC do Alentejo para a classificação como SIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Parecer favorável de 21-04-2010 do Conselho Consultivo
Novo edital de 2-07-2009 da CM de Évora
Proposta de 2-02-2009 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Edital de 12-07-2007 da CM de Évora
Despacho de abertura de 7-12-2005 do presidente do IPPAR
Proposta de 25-07-2005 da DR de Évora do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 12-04-200 da CM de Évora
Número do Processo
Não disponível