Nota Histórico-Artistica
Localizado na antiga praia dos pescadores, a Sul do centro histórico de Olhão e confinante com a Ria Formosa, marcando, assim, uma deliberada ruptura visual para com o casario, o Mercado Municipal da cidade - que, na verdade, é composto por dois mercados: o de verduras, a nascente, e o de peixe, a poente -, é uma das imagens de marca de Olhão e um ícone histórico e patrimonial da cidade.
Desde meados do século XIX que a urbe sentia necessidade de possuir um mercado coberto, intenção materializada em 1866 somente para peixe. Cinco anos depois, instalou-se no adro da Igreja Matriz um mercado exclusivo de verduras. E em 1899 criou-se um terceiro mercado, desta vez destinado a gado (mensalmente) e a cereais, farinhas, legumes e frutos secos (de base semanal). Em 1912, aproveitando o impulso de progresso ditado pela República, a Câmara Municipal promoveu a construção dos dois mercados que hoje existem, solenemente inaugurados em 1915. A partir dessa data, a cidade passou a dispôr de espaços cobertos de excelência e inteiramente modernos para o desenvolvimento das actividades dos sectores produtivos de verduras e de peixe.
Tratam-se de dois mercados idênticos, de planta longitudinal e adaptados a um vocabulário arquitectónico de ferro e vidro. Os vértices são arredondados e volumetricamente exibem quatro torreões circulares. As fachadas principais voltam-se a ocidente e exibem dois andares, sendo o primeiro ocupado por amplo portão axial de acesso ao interior e o segundo não dispondo de qualquer elemento divisor. Esta solução foi genericamente seguida nos restantes alçados, todos marcados por entradas axiais.
Os interiores foram organizados em amplos espaços que permitem uma eficaz e rápida circulação, preferencialmente em dois eixos primordiais: E-O e N-S, que colocam em comunicação os quatro portais de acesso. A iluminação natural deste salão foi outra preocupação do arquitecto, existindo um duplo telhado de quatro águas, suportado por complexo esquema de asnas, que permite a definição de uma superfície de vidro intermédio, que assim filtra abundante luz.
Restaurados em 1997, por patrocínio da Autarquia, os mercados reabriram ao público a 3 de Julho de 1998. Para além do espaço central renovado, os corredores laterais passaram a incluir numerosos estabelecimentos comerciais de apoio, dando novas funções vivenciais a equipamentos que, noutras localidades, caíram irremediavelmente em desuso.
Paulo Fernandes | DIDA | IGESPAR, I.P.
30.07.2007
Diploma de Classificação
Portaria n.º 224/2013, DR, 2.ª série, n.º 72, de 12-04-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13609/2012, DR, 2.ª série, n.º 204, de 22-10-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 9-05-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 13-03-2012 da DRC do Algarve para a classificação como MIP
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 22-11-2006 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 6-11-2006 da DR de Faro
Requerimento de classificação de 20-09-2006 da APOS
Número do Processo
Não disponível