Nota Histórico-Artistica
O Santuário de peregrinação de Nossa Senhora d'Aires, nos arredores de Viana do Alentejo destaca-se na paisagem, ao dominar uma formosa planície, constante de alegres e férteis terras cultivadas, e que pela sua salubridade e amenidade se lhe deu, em tempos remotíssimos, o nome de Era, que significa Ar (Pinho Leal, vol.X, 1873/1890), Artisticamente, deve ser considerado um dos conjuntos do barroco alentejano, do século XVIII, mais interessante e de maior visibilidade.
Local de profunda fé e de peregrinações oriundas de todo o Alentejo, atestadas documentalmente, apresenta, para além do santuário, com as suas dependências anexas, a fonte de Nossa Senhora d'Aires, situada no Terreiro dos Peregrinos e ainda casas de romeiros. O actual santuário, da autoria do Padre arquitecto João Baptista, com obras documentadas entre 1743/1760 substituiu o primitivo, que urgia ampliar e modernizar, por necessidades de culto e de grande afluência de peregrinos; este conjunto, interessantíssimo em termos de história da arte, manifesta ecos mafrenses, na sua estrutura de muros ondulantes, torres rematadas por cúpulas bolbosas e um zimbório octogonal, de grande efeito cenográfico.
O templo apresenta uma fachada, onde, como já referimos, a influência do palácio convento de Mafra é manifestamente visível, quer ao nível do nartex, quer das torres sineiras que o ladeiam. Muito interessante é o recorte do frontão e as janelas abertas ao nível do primeiro piso, que lhe dão um certo sabor de arquitectura civil. Toda a zona superior do edifício é coroada por balaustrada, pontuada por pináculos. Destaque-se ainda os contrastes cromáticos que animam o exterior do templo.
Interiormente, todo este santuário é animado por decoração, em grande parte de campanhas já do século XIX, constituída por estuques coloridos, azulejaria, mármores e talha dourada, que proporciona um conjunto rocaille de aspecto muito festivo. Pela sua imponência e aparato, o elemento que mais se destaca é o enorme baldaquino, de talha dourada, que alberga uma maquineta envidraçada resguardando a imagem de Nossa Senhora d'Aires (Virgem da Piedade), em pedra de ançã, policromada, do século XV.
Articulando-se com o braço do transepto, do lado do Evangelho, abre-se a sacristia, de planta octogonal, coberta por cúpula, revestida de pinturas já ao gosto neoclássico. Do lado oposto à sacristia, articula-se a antiga sala das confrarias, actual Casa dos Milagres, também decorada com pinturas murais, se bem que já de meados do século XIX. A Casa dos Milagres, bem como as dependências anexas que circundam a capela - mor guardam um número imparável de ex-votos, populares, em diversos materiais, como madeira, chapa de cobre e outros materiais sintéticos, que cronologicamente se situam entre o século XVIII (o mais antigo data de 1735, anterior ao actual templo) e o XXI, o que demonstra, tal como outras manifestações, que este santuário se mantém como um importante local de peregrinação e de fé, nomeadamente dos alentejanos.
Ana Maria Borges, DRCA, 2009
Diploma de Classificação
Decreto n.º 31-J/2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (sem restrições) (ver Decreto)
Parecer favorável de 9-05-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Informação favorável de 20-02-2012 da DRC do Alentejo
Proposta de redução da área a classificar, apresentada por proprietária de imóveis sitos nas imediações do santuário
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 18226/2011, DR, 2.ª série, n.º 235, de 9-12-2011 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Novo parecer de 28-10-2009 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Parecer de 30-04-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a classificação como MN
Proposta de 28-10-2008 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 23-06-2008 da subdirectora do IGESPAR, I.P.
Proposta de abertura de 23-01-2009 da DRC do Alentejo