Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A Quinta da Ribeira situa-se na margem direita da ribeira de Caparide, ocupando um território que se encontra delimitado a norte pelas Quintas da Samarra e dos Pesos e, a oeste, pela estrada das Corredouras que atravessa a propriedade. Como forma de estabelecer a ligação entre a parte residencial da quinta e as dependências agrícolas, foi construído um arco sobre esta estrada que ainda hoje se mantém.
A residência solarenga, de meados do século XVIII, corresponde à nobilitação de uma antiga casa rural. A parte antiga do conjunto residencial da quinta apresenta hoje uma planta sensivelmente em "U", encontrando-se o corpo central praticamente virado Sul. Os corpos laterais assimétricos correspondem hoje a uma cozinha com pátio fechado e a uma zona de quartos. Por sua vez, em cada um dos corpos observam-se umas escadas interiores de acesso ao piso inferior.
Na fachada principal virada a sul, o andar nobre abre sobre um amplo terraço, ou pátio, com acesso através de uma dupla escadaria. No piso nobre as salas encontram-se orientadas também a sul, enquanto os quartos são dispostos a norte, zona onde se implanta o antigo jardim de fresco. As salas que comunicam entre si, apresentam um interior decorado com estuques do século XIX/XX e silhares de azulejos do século XVIII (c. 1770). A capela original, dedicada a S. José, corresponde a um compartimento interior de pequenas dimensões, apresentando-se também decorado com estuques pintados.
Apesar das grandes alterações que foi sofrendo ao longo dos séculos, a propriedade mantém um caráter rural, subsistindo ainda um conjunto de construções datáveis do século XVIII tais como um antigo lagar que continua a produzir o vinho da marca Carcavelos, a adega e um moinho de vento com dois pisos. O arco que estabelece a ligação entre as duas áreas da quinta, serviu em tempos também como aqueduto.
A partir dos anos 80 do século XX, foi sendo construído a oeste da antiga zona residencial da quinta, um conjunto alargado de edifícios destinado à instalação do Seminário Patriarcal de São José que, do ponto de vista arquitetónico e paisagístico, pouco se enquadra no antigo conjunto de meados do século XVIII.
História
A Quinta da Ribeira foi originalmente propriedade da família Pereira Coutinho que, já no século XVIII, se dedicava à produção vinícola, sendo mesmo uma das quintas mais prósperas da região. A qualidade e originalidade dos vinhos desta zona fez com que, logo em 1908, uma extensa área entre Cascais e Oeiras fosse integrada no primeiro lote das regiões demarcadas de Portugal.
Em 1984 o Patriarcado de Lisboa adquire a Quinta da Ribeira aos herdeiros de D. Martinho para nela fundar um Seminário. Nesta época a quinta continuava a ser explorada e a casa habitada, correspondendo esta venda a uma vontade expressa da herdeira, Dona Maria das Dores D'Orey Pereira Coutinho.
Atualmente a produção do vinho da marca Carcavelos concentra-se essencialmente em três quintas, a Quinta da Ribeira, Quinta da Estação Agronómica de Oeiras e Quinta dos Pesos, perfazendo hoje apenas um total de 15 hectares, como resultado da urbanização massiva dos dois concelhos, fenómeno este que marcou sobretudo a segunda metade do século XX. No caso da Quinta da Ribeira de Caparide, a produção é hoje dirigida para o vinho de mesa e vinho generoso.
Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração de Sónia Sousa/CMCascais
Diploma de Classificação
Em 26-06-2018 a CM de Cascais informou que a quinta ainda se encontra em vias de classificação
Em 11-06-2018 foi solicitada à CM de Cascais informação sobre se a quinta ainda se encontrava em vias de classificação para IM
Edital N.º 191/2004 de 12-02-2004 da CM de Cascais, publicado no Boletim Municipal de 20-05-2004 (divulgou o despacho, sem data, de abertura do procedimento de classificação como de IM)
Pedido de parecer de 5-08-2003 da CM de Cascais sobre a eventual classificação como de IM
Deliberação de 4-03-2002 da CM de Cascais a determinar o interesse na abertura do procedimento de classificação como de IM do sítio do Vale de Caparide, que inclui o conjunto das Quintas da Cerca de São Bento, da Ribeira, da Samarra, dos Pesos e dos Chaínhos
Número do Processo
Não disponível