Nota Histórico-Artistica
A irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Cabeção foi instituída em c. 1597. A construção da actual Igreja da Misericórdia será contemporânea, tendo sido consagrada em 1600, com licença de D. Teotónio de Bragança, arcebispo de Évora. Ergue-se na antiga Praça Velha, actual Largo do Município, anexa ao edifício do Hospital da Santa Cruz ou da Misericórdia.
Trata-se de um templo de arquitectura muito singela, que mantém a estrutura primitiva, embora com diversas remodelações ao longo dos anos, a mais profunda datada de 1752. A fachada, de dimensões idênticas à do pequeno hospital anexo, é enquadrada por pilastras de alvenaria e rematada por frontão triangular, com pináculos e fogaréus nos acrotérios. O portal é de verga recta, em granito, acessível por cinco degraus de rebordo saliente e boleado, e encimado por friso com a inscrição MDCCLII, e por um nicho cuja moldura exterior prolonga visualmente as ombreiras. A moldura do nicho tem remate em frontão triangular, a eixo com a empena. O nicho é em arco redondo, e abriga uma escultura.
O interior é de uma só nave de planta rectangular, com capela-mor ligeiramente mais estreita do que o corpo da igreja, rasgada por arco triunfal de volta redonda. As coberturas são em abóbada de berço, integralmente cobertas por pinturas murais, tal como as paredes. Este revestimento parietal é, de resto, o elemento mais interessante do templo. Os muros possuem doze quadros alusivos à vida de José do Egipto, o arco triunfal é decorado com representações das virtudes, e a abóbada da capela- mor exibe as obras de misericórdia temporais rodeando uma representação de Cristo como o Bom Pastor. No arco de entrada vêem-se as árvores de Jessé e de São Francisco. A abóbada da nave está coberta por caixotões barrocos e florões naturalistas, que ocultam uma pintura anterior. Com a excepção deste tecto, as pinturas datarão dos primeiros anos do século XVII, e possivelmente a uma empreitada unitária, perfeitamente enquadrada no ciclo barroco das oficinas do aro de Évora em c.1600.
A igreja guarda ainda, para além do Cadeiral da Irmandade, alguns tocheiros em madeira, e outras alfaias religiosas, o interessante tríptico maneirista do altar-mor. O retábulo é clássico, em talha dourada e pintada, com colunas da ordem jónica, estrias e friso superior de triglifos estilizados. Os quadros, a óleo, representam a Natividade, Visitação e Anunciação, por esta ordem, encimando pequenas imagens de santos.
Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, I.P. / 2011
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 42/2025, DR, 2.ª série, n.º 36, de 20-02-2025 (ver Anúncio)
Despacho de 2-01-2025 do presidente do Património Cultural, IP a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 26-12-2024 do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, IP para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
(Aguarda a retificação da categoria de classificação e a retirada da menção à ZGP, que não existe para os bens em vias de classificação municipal, a fim de passar a "em vias para IM")
Anúncio n.º 135/2022, DR, 2.ª série, n.º 130, de 7-07-2022 (ver Anúncio)
Deliberação de 30-06-2020 da CM de Mora a deliberar a abertura do procedimento de classificação da Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Cabeção como IIM
Despacho de arquivamento de 23-05-2011 do director do IGESPAR, IP
Proposta de 10-05-2011 da DRC do Alentejo, no sentido da não abertura do processo de instrução, por não ter valor nacional
Requerimento de 10-04-2011 da Santa Casa da Misericórdia de Cabeção para a classificação da Igreja da Misericórdia de Cabeção
Proposta de classificação 17-09-2002 da Santa Casa da Misericórdia de Cabeção
Número do Processo
Não disponível