Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado na malha antiga da vila de Cabeção, o edifício de dois pisos, que corresponde ao antigo Teatro do Cabeção, mal se distingue, em termos morfológicos, dos restantes imóveis da envolvente, não fosse a decoração peculiar da sua fachada principal.
De planta retangular composta por átrio, sala, caixa de palco, salão de festas e salão nobre, apresenta uma cobertura com telhado de duas águas, uma sobre a caixa de palco e outra sobre a entrada. A fachada principal em tom de verde, encontra-se orientada a Sul, ostentando um embasamento rusticado de pedra de diferentes tamanhos com os limites desenhados a massa. Três degraus permitem o acesso ao interior através de uma porta igualmente pintada a verde, onde se destacam quatro batentes com almofada decorada com uma flor e ramagem. A verga deste vão surge moldada por duas volutas de onde pendem festões de flores. Esta entrada encontra-se ainda ladeada por janelas com interessantes caixilhos onde os elementos de madeira surgem dispostos na diagonal. Ainda sobre a porta abre-se uma janela de sacada com varanda de ferro forjado sustentada por duas consolas decoradas com volutas. Sobre este vão observa-se, ao centro, um relevo decorado com ramagens e instrumentos musicais. De cada lado da janela central com varanda, abrem-se janelas de sacada com guarda igualmente em ferro. Elegantes algerozes com decoração na zona da cornija, conduzem a água até a um sistema de escoamento situado no interior. Às fachadas laterais adossam-se outros edifícios, neste caso de habitação.
No interior, o átrio destaca-se pela moldura decorativa vermelha escura com desenhos geométricos. Neste espaço são também visíveis as bilheteiras com abertura em arco de volta perfeita sobre o qual surge pintada a palavra "bilheteira". Dois lanços de escadas dão acesso aos pisos superiores.
No piso térreo encontra-se, também, o salão nobre, de planta retangular e com lambril desenhado por friso e rodapé azul claro. As portas apresentam moldura igualmente de tom azul e bandeirola decorada com flores. O friso surge profusamente decorado em tons de vermelho, cinza e castanho, ostentando originais representações de caracóis, borboletas e motivos vegetalistas em gesso, pintados a dourado nos cantos. Na cobertura plana, surgem dois grandes medalhões com dourados e ramagens.
No segundo piso situa-se o salão de festas, de planta retangular e com paredes decoradas com moldura e friso verde de madeira. A sala de espetáculos, de planta igualmente retangular, apresenta cena contraposta e ligada ao palco pela boca de cena. A zona da plateia, sem pendente e sem cadeiras possuiu hoje um chão de cimento. O primeiro balcão com varandas é sustentado por estrutura de madeira com colunas decoradas por medalhões com telas circulares e motivos vegetalistas em talha. As paredes são igualmente decoradas com molduras desenhadas a amarelo com friso cinza onde, nos cantos, se observam desenhos de ramagens. Os tetos são revestidos a tela com esquadria dourada sustentando um tecido pintado a verde e rosa representando heras e flores. A boca de cena em arco abatido, encontra-se encimada por medalhão com motivos vegetalistas e instrumento musical enquadrado numa cartela de onde pendem festões que terminam em duas máscaras laterais. Nos anos 70 do século XX o teatro sofreu alterações com a introdução de paredes de betão, obra esta nunca terminada. Apesar destas modificações o imóvel continua a possuir um grande valor patrimonial.
História
Construído entre 1914 e 1915, por iniciativa de João Lopes Aleixo e Francisco Varella (cujos nomes surgem inscritos na zona da boca de cena), o Teatro de Cabeção foi executado pelo Mestre Rato, oriundo de Estremoz. Numa primeira fase o edifício destinou-se à apresentação de dramas, comédias e Teatro de Revista, tendo mais tarde servido como sala de cinema, acabando por encerrar em 1950.
Maria Ramalho/DGPC/2017.Texto baseado na ficha IPA: 00010080, SIPA.
Diploma de Classificação
Em 16-03-2017 foi dado conhecimento do despacho à CM de Mora
Despacho de concordância de 10-03-2017 da diretora-geral da DGPC
Informação favorável de 8-07-2016 da DRC do Alentejo
Pedido de parecer de 23-06-2016 da CM de Mora sobre a eventual classificação como MIM
Aviso n.º 8523/2016, DR, 2.ª série, n.º 126, de 4-07-2016 (ver Aviso)
Deliberação de 15-06-2016 da CM de Mora a aprovar a abertura do procedimento de classificação como MIM
Número do Processo
Não disponível