Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Hotel Guadiana que, como o nome indica, se encontra virado à foz deste importante rio, insere-se numa esquina da malha geométrica de Vila Real de Santo António, num meio quarteirão pombalino, confinado a Norte pela Rua do Conselheiro Frederico Ramirez, a Oeste pela Rua da Princesa e, a Este, pela Avenida da República, umas das principais artérias da cidade. A sua construção implicou a demolição de um edifício de dois andares destinado, segundo o plano original de Marquês de Pombal de 1774, às Sociedades de Pesca.
O Hotel, com os seus quatro pisos e sótão com mansardas, destaca-se do núcleo histórico pombalino que também se encontra classificado. O edifício foi projetado nos inícios do século XX por Ernesto Korrodi (1870-1944) a pedido do industrial Manuel Ramirez, de acordo com o modelo eclético afrancesado, ao gosto da época, de elegante riqueza decorativa, com traços entre a estética Arte Nova e a composição clássica. O ecletismo decorativo e neobarroco de finais do século XIX, tornar-se-iam característicos, já na década de 20, do estilo pessoal de Ernesto Korrodi.
Edifício apresenta uma planta retangular regular em gaveto formado por elemento torreado, de remates em cornija e platibanda. A cobertura é diferenciada em telhado de três águas, revestida a telha, com caráter amansardado sobre a ala Este e Norte do edifício, e em terraço para Oeste, área já com carácter assumidamente funcional. A fachada principal de três pisos com sótão, surge ritmada por trapeiras, ganhando mais um piso no torreão curvo onde é de destacar a sacada nobre tripartida com meias-colunas. As superfícies surgem rebocadas e pintadas de branco, com soco em placagem de cantaria. O registo inferior é também separado por friso de pedra que percorre toda a fachada. A distribuição dos vãos surge entre os pisos num ritmo regular, destacando-se o emolduramento de perfis diferenciados e alternados. O remate é assegurado por uma cornija contínua apoiada sobre mísulas em voluta de cantaria. De destacar, ainda, os painéis de azulejo que rematam as águas furtadas com motivos decorativos típicos da época, realçando-se o que se encontra na fachada principal, sobre entrada, onde surge inscrito o nome "Grande Hotel Guadiana" elaborado a várias cores.
História
A existência deste edifício deve-se à iniciativa do industrial conserveiro, Manuel Garcia Ramirez. Em 1927 o Hotel já estaria em pleno funcionamento e era certamente o mais moderno e requintado da região. Em 1987 são desenvolvidas diversas obras de recuperação visando a sua modernização e reabertura, algo que apenas é concretizado em 1992. Dessa data até 2007 manteve-se em funcionamento, tendo encerrando na altura devido a dificuldades financeiras dos proprietários. Refira-se ainda que, recentemente (2016), foi anunciada a sua compra e reconversão em unidade hoteleira de luxo.
Maria Ramalho/DGPC/2016. Colaboração de Filipa Faria/C. M. Vila Real de Santo António.
Diploma de Classificação
Aviso n.º 11104/2011, DR, 2.ª Série, n.º 96, de 18-05-2011 (ver Aviso)
Deliberação de 5-04-2011 da CM de Vila Real de Santo Antónioa determinar a classificação
Aviso n.º 24097/2010, publicado no DR, 2.ª Série, n.º 225, de 19-11-2010 (ver Aviso)
Nova deliberação de 21-10-2010 da CM de Vila Real de Santo António a determinar abertura do procedimento
Deliberação de 6-07-2010 da CM de Vila Real de santo António a determinar abertura do procedimento de classificação
Despacho de arquivamento de 7-04-2010 do director do IGESPAR, I.P., por não ter valor nacional
Proposta de 24-02-2010 da DRC do Algarve para encerramento e eventual classificação como de IIM
Proposta de classificação de 17-11-2009 da CM de Vila Real de Santo António
Número do Processo
Não disponível