Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A galeria da Quinta dos Lilases, implantada na zona do Lumiar, em Lisboa, foi projetada e edificada em 1916 como uma "passagem envidraçada para comunicação interior" entre duas áreas residenciais então existentes na quinta. Atualmente a Quinta dos Lilases integra o Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases, e no seu edifício principal, voltado à Alameda das Linhas de Torres, encontra-se sedeada a Academia Portuguesa da História.
Constituída por uma grande estrutura de ferro e vidro, de planta retangular, a galeria implanta-se longitudinalmente entre dois corpos habitacionais, dividindo-se em dois pisos. O balcão superior, com madeira no pavimento, assenta sobre um conjunto de elegantes colunas de ferro unidas por cuidados elementos decorativos de inspiração floral. A galeria é composta por estrutura de ferro, formando uma varanda dividida a todo o comprimento por janelas geminadas com vidro transparente, que segundo a memória descritiva da obra eram originalmente de "chapa de vidro de fantasia", ou seja, vidro texturado e pintado, sendo rematada por elementos em espigão com volutas. Do lado direito, junto à casa principal da Quinta dos Lilases, dispõem-se duas escadas semi-circulares simétricas, permitindo o acesso exterior à galeria a partir da arcada de ferro. A galeria mantém a estrutura original, tendo acesso a partir do salão nobre da casa, o que atesta que a estrutura foi pensada não apenas por questões utilitárias mas também para enobrecer a área social da casa.
História
Localizada na zona das quintas de veraneio da capital, a Quinta dos Lilases foi adquirida nos anos finais do século XIX por Francisco Belard Mantero, comerciante ligado às sociedades agrícolas nas colónias ultramarinas. Desde a aquisição, o negociante dedicou-se a melhorar a propriedade, onde habitava durante largos períodos do ano, procedendo a obras de recuperação e ampliação das casas que aí existiam. A Quinta dos Lilases estava então dividida em duas áreas distintas, a habitacional, onde se situava a casa ainda hoje existente junto à Alameda das Linhas de Torres, com dois corpos, o jardim de inverno, as cavalariças e respetivo picadeiro, o lago e os respetivos pavilhões, e a zona agrícola, com os celeiros e as abegoarias.
Em 1916 Belard Mantero contratou o arquiteto Norte Júnior para projetar na fachada posterior da sua casa uma galeria que unisse os dois corpos residenciais, formando uma passagem interior entre os mesmos. O arquiteto esboçou então uma grande peça de arquitetura do ferro, cujo cariz funcional não abstrai o primor decorativo, resultando num desenho elegante e cuidado. O ferro forjado não era, aliás, estranho à obra do arquiteto, que o aplicou como um dos elementos principais dos programas decorativos dos seus projetos habitacionais, nomeadamente nos palacetes e vivendas que projetou entre 1904 e 1930.
Em 1968 a Quinta dos Lilases, juntamente com a contígua Quinta das Conchas, foi vendida pela família Mantero à Câmara Municipal de Lisboa. Os espaços foram unificados, transformando-se nas décadas finais do século XX num parque público. A galeria de Norte Júnior, recuperada por esses anos, é hoje um dos ex-libris do parque.
Catarina Oliveira
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Em 18-02-2011 foi dado conhecimento do despacho à CM de Lisboa
Despacho de concordância de 23-12-2010 do director do IGESPAR, I.P.
Proposta de 8-10-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo no sentido de prosseguir o procedimento para IM, visto o conjunto não ter valor nacional
Edital n.º 34/2007 de 27-04-2007 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 690 de 10-05-2007
Despacho de 23-03-2007 do Director Municipal de Cultura da CM de Lisboa a determinar a abertura do processo de classificação
Número do Processo
Não disponível