Nota Histórico-Artistica
Ainda que não se conheça a data da sua construção, a Igreja de São Pedro de Barcarena é seguramente uma das mais antigas do concelho de Oeiras. O templo é mencionado numa carta de escambo de 1369, e em 1390 já há referências ao cemitério situado junto do mesmo. Embora tenha sofrido diversas intervenções ao longo do tempo, nomeadamente nos séculos XVI e XVII, a feição actual do edifício resulta essencialmente das obras de reconstrução que se seguiram ao terramoto de 1755, após o qual a igreja ficou parcialmente demolida. Os trabalhos começaram em 1763, e deles resultou um amplo templo de traça erudita barroca e rococó, que integra um grande acervo de talha dourada, pintura sobre tela e revestimentos azulejares, incluindo alguns elementos anteriores às obras. A sacristia e a casa da irmandade foram ampliadas, a torre do lado sul foi remodelada, e a do lado norte foi construída de raiz.
A fachada da igreja, antecedida por um adro com cruzeiro, está dividida em três panos definidos por cunhais, respeitantes às torres laterais e ao corpo da nave. O pano central é aberto pelo portal de verga recta com cornija, ligado a um janelão central através de um avental com medalhão barroco. Duas outras janelas, ladeando a central, compõem a iluminação da nave. As torres sineiras elevam-se à altura do frontão triangular, sendo rematadas por cúpulas bulbosas.
O interior, de nave única, tem cobertura em abóbada de berço integralmente revestida por pintura, com uma moldura central figurando São Pedro, orago do templo. Os muros laterais são revestidos por lambris de azulejos policromos de tapete, encimados por pinturas murais. Os altares da nave, em número de quatro, são de talha dourada com pinturas sobre tela. A capela-mor, aberta por arco triunfal de volta perfeita em cantaria, tem dois altares colaterais em talha dourada de estilo nacional encimados por pinturas sobre tela. A cobertura, em abóbada de arestas, é vazada por janelas. Possui retábulo setecentista em talha pintada e dourada, com camarim e trono exibindo um Cristo Crucificado. Merecem ainda referência as pias baptismais, o arquibanco em madeira do século XVII, o lavabo de mármore branco do século XIX, as diversas imagens de madeira estofada e policromada e o espólio de alfaias litúrgicas.
Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, IP /2011
Diploma de Classificação
Portaria n.º 763/2022, DR, 2.ª série, n.º 218, de 11-11-2022 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 6-10-2022 da subdiretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 113/2022, DR, 2.ª série, n.º 115, de 15-06-2022 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 11-05-2022 do diretor-geral da DGPC
Proposta favorável de 12-01-2022 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 1-06-2021 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 154/2020, DR, 2.ª série, n.º 131, de 8-07-2020 (ver Anúncio)
Despacho de 4-05-2020 do diretora-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de classificação
Proposta de 31-03-2020 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Despacho de 26-10-2004 do director do IGESPAR, I.P. a solicitar à DRC de Lisboa e Vale do Tejo a análise do valor patrimonial do imóvel, tendo em vista propor ou não uma classificação de âmbito nacional, uma vez que sendo propriedade da Igreja Católica não pode ser classificado como de IM
Em 24-05-2007 a CM de Oeiras enviou documentação para o processo de classificação
Número do Processo
Não disponível