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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Estação eneolítica de Leceia

Arqueologia / Estação Arqueológica

Designação
Designação Atual
Estação eneolítica de Leceia
Outras Designações
Estação eneolítica de Liceia (designação do diploma de classificação) / Povoado calcolítico de Leceia / Estação Eneolítica de Leceia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Estação Arqueológica
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Sítio
O Povoado Pré-Histórico de Leceia possuiu uma boa capacidade defensiva, encontrando-se implantado numa plataforma escarpada sobre o vale de Barcarena, de onde domina visualmente a entrada do rio Tejo.
O complexo defensivo é composto por três filas de muralhas de planta curvilínea, todas elas munidas de entradas articuladas entre si por caminhos sinuosos. Ao todo esta zona amuralhada abrangeria uma área de cerca de 11 000m2. Adossados ao pano de muralha exterior encontram-se bastiões de planta semicircular, ocos ou maciços, que defendiam as três entradas. Apesar da sua longa ocupação o povoado não parece ter sofrido grandes alterações o que poderá denunciar a existência de um plano concebido previamente. No entanto, ao longo dos séculos, foram sendo efetuadas campanhas de melhoramento da área defensiva.
O material de construção que foi utilizado é proveniente da região, consistindo em blocos de calcário que podem atingir cerca de duas toneladas sobretudo na fase inicial de implantação, seguindo-se depois blocos de dimensões mais reduzidas nas fases seguintes. Refira-se, ainda, a utilização de argamassa com base nas margas da região.
O local foi ocupado desde Neolítico Final até ao Calcolítico Pleno, correspondendo a primeira fase ao Neolítico Final (último quartel do IV milénio a. C. até aos inícios do III Milénio a. C.), com o estabelecimento de um povoado aberto, sem construções defensivas, Desta época foram identificadas cabanas circulares com sólidas fundações. A segunda fase, já do período Calcolítico, coincide com a construção muito rápida das três linhas defensivas reforçadas por bastiões junto às entradas. A terceira fase corresponde ao reforço das estruturas defensivas e ao estreitamento das três entradas (Calcolítico Inicial-Calcolítico Pleno). A quarta fase relaciona-se com um período de adensamento da ocupação do espaço com novo tipo de construções habitacionais de planta elipsoidal, bem como um novo reforço das muralhas (final do Calcolítico Pleno). A quinta e última fase corresponde ao período de declínio com o desmantelamento de algumas estruturas habitacionais e a destruição de setores das muralhas (Calcolítico Final).
Relativamente ao espólio destacam-se as pontas de seta, lâminas de foice e raspadores em sílex, bem como outros artefactos ligados às principais atividades dos habitantes como mós, machados, enxós, escopros, percutores, pesos de tear e anzóis em cobre. A produção de objetos em osso encontra-se também bem representada, sendo de destacar as espátulas e os elementos de adorno como alfinetes e contas de colar. Foi também exumado um significativo número de recipientes cerâmicos, com especial destaque para os exemplares campaniformes com diferentes decorações como a folha de acácia. Como testemunho da importante atividade metalúrgica existente no povoado foram encontrados lingotes de cobre, um machado do mesmo metal bem como diversas escórias. O espólio encontra-se depositado no Museu Nacional de Arqueologia e no Museu Geológico do LNEG.

História
A O Povoado de Leceia foi identificado em 1878 pelo geólogo Carlos Ribeiro e, apesar de ter sido alvo de diferentes prospeções entre os anos 20 e anos 50 do séc. XX, é apenas em 1983 que se inicia um plano de escavações científicas na sequência de diferentes ameaças à integridade do sítio, nomeadamente a pressão urbanística que se começava a fazer sentir. Assim, entre 1983 e 2003 o sítio é alvo de escavações arqueológicas anuais, tendo sido colocadas a descoberto várias estruturas do povoado e identificadas as respetivas fases de ocupação, para além do estudo de grande parte do espólio aqui encontrado.
Em 2003 inicia-se o projeto de musealização do povoado, tendo sido criado, para tal, um circuito de visita constituído por passadiços de madeira.

Ana Teresa Henriques e Maria Ramalho/DGPC/2018.
Diploma de Classificação
Decreto n.º 45 327, DG, I Série, n.º 251, de 25-10-1963 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 9-04-1963
Parecer de 27-03-1963 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a continuação do processo de classificação
Despacho de homologação de 22-01-1960
Parecer de 9-12-1959 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 470/86, DR, I Série, n.º 196, de 27-08-1986 (sem restrições) (ver Portaria)
Edital N.º 176/85 de 26-11-1985 da CM de Oeiras
Despacho de homologação de 21-10-1985 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância do vice-presidente do IPPAR
Parecer favorável de 14-10-1985 do Conselho Consultivo do IPPC
Novos limites apresentados pelo coordenador do projecto de investigação
Despacho de homologação de 23-09-1985 do Ministro da Cultura
Despacho de homologação de 15-09-2015 do presidente do IPPC
Parecer favorável de 9-09-1985 do Conselho Consultivo do IPPC, mas com a revisão dos limites em função da morfologia do terreno, de modo a ser facilmente identificável
Proposta de alteração de 29-05-1985 do coordenador do projecto de investigação
Proposta de 12-09-1984 do coordenador do projecto de investigação
Proposta de 8-10-1980 da DGPC
Despacho de homologação de 15-11-1968 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Parecer de 11-08-1968 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor que seja estabelecida uma ZEP
Afectação 181502
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Oeiras / Barcarena
Vale da Ribeira de Barcarena
Leceia -
Polícia:
LATITUDE
38.72815
LONGITUDE
-9.281577
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1878
1878 pelo geólogo Carlos Ribeiro e, apesar de ter sido alvo de diferentes prospeções entre os anos 20 e anos 50 do sé...
1959
1959 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP SítioO Povoado Pré-Histórico de Leceia p...
1960
1960 Parecer de 9-12-1959 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP SítioO Povoado Pré-...
1963
1963 (ver Decreto) Despacho de homologação de 9-04-1963 Parecer de 27-03-1963 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a...
1983
1983 que se inicia um plano de escavações científicas na sequência de diferentes ameaças à integridade do sítio, nome...
2003
2003 o sítio é alvo de escavações arqueológicas anuais, tendo sido colocadas a descoberto várias estruturas do povoad...
2018
2018.
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Oeiras ha 5 000 anos. Monografia de Leceia SOARES, Maria Joaquina Coelho, SILVA, Carlos Manuel Lindo Tavares da, CARDOSO, João Edição
Carta Arqueologica do Concelho de Oeiras CARDOSO, Guilherme, CARDOSO, João Edição
Flauta, chamariz ou negaca de caca de osso encontrada no castro de Leceia (Barcarena) FERREIRA, Octávio da Veiga, CARDOSO, João Edição
O Homem pre-historico no concelho de Oeiras. Estudos de Antropologia Fisica. CUNHA, Armando Santinho, CARDOSO, João, AGUIAR, D. Edição
Noticia da estação humana de Leceia, por Carlos Ribeiro, 1878. Notas e comentarios a edição original. CARDOSO, João Edição
Leceia 1983-1993. Escavações Arqueologicas de Oeiras. CARDOSO, João Edição
A reconstrução de grandes estruturas em povoados calcoliticos. O exemplo de Leceia (Oeiras) CARDOSO, João Edição
"Cronologia absoluta para o Campaniforme da Estremadura e do Sudoeste de Portugal", O Arqueólogo Português CARDOSO, João, SOARES, António Manuel Monge Edição 1992 Lisboa
"O povoado Calcolítico de Leceia (Oeiras) - 1ª e 2ª Campanhas de escavação (1982 e 1983)", CLIO/Arqueologia CARDOSO, João Edição
Leceia. Resultados das escavações realizadas (1983-1988) CARDOSO, João Edição
"Do Paleolítico ao Romano. Investigações arqueológicas na área de Lisboa. Os últimos 10 anos: 1984-1993 ", Al-madan CARDOSO, João Edição 1994 Almada
Estação Eneolitica de Leceia (Barcarena) FONTES, Joaquim Edição
Estudos pre-históricos em Portugal. Noticia de algumas estações e monumentos pre-historicos. Noticia da estação de Leceia. RIBEIRO, Carlos Edição
O povoado pre-historico de Leceia. Nota previa sobre a colecção de Alvaro de Bree Colecção

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